Economia

Poupança, o investimento criado por D.Pedro II, resiste à era do PIX

Criada por Dom Pedro II em 1861, caderneta de poupança segue como o investimento favorito de 37 milhões de brasileiros

3 min

31/10/2026 06:04 • Atualizado há 2 horas

Poupança, o investimento criado por D.Pedro II, resiste à era do PIX

IA

Você sabia que o investimento mais popular do Brasil é, na verdade, contemporâneo do Império? Criada em 1861 por Dom Pedro II, a caderneta de poupança resistiu a dezenas de planos econômicos, moedas que já não existem e à revolução digital. Hoje, ela continua firme nas carteiras de cerca de 37 milhões de brasileiros, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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Mas em pleno reino dos pagamentos instantâneos, onde o dinheiro virou número na tela do celular, o que mantém essa veterana de 165 anos tão viva?

O peso da tradição e os números da realidade

Os dados da Anbima mostram que a caderneta de poupança está presente em 22% da população brasileira com 16 anos ou mais. O cenário ganha contornos ainda mais curiosos quando olhamos para o comportamento financeiro do país: pesquisas revelam que apenas um terço dos brasileiros conseguiu economizar recentemente, e, desse grupo, impressionantes 12% aplicaram o recurso em outros produtos financeiros — o restante foi direto para a velha e conhecida poupança.

Contudo, ensinar o valor desse hábito na era da tecnologia tem sido um desafio inédito. Com o Pix liderando as transações e 28% das crianças já recebendo mesadas digitais, os pequenos crescem sem ver a cor do papel-moeda.

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"A criança de hoje raramente vê uma nota de dinheiro. Ela vê o pai encostar o celular na maquininha e o produto vem para casa. Para ela, parece que o dinheiro nunca acaba, porque ela não enxerga ele saindo", observa André Ceruzi, diretor da Escola Willy Janz, em Curitiba.

Aulas práticas: Quando a moeda vira mágica

Para celebrar o Dia Mundial da Poupança (data criada em 1924, na Itália, e comemorada em 31 de outubro), a instituição decidiu tirar a teoria do papel e colocá-la nas mãos dos alunos com atividades lúdicas:

  • Meu Cofrinho, Minha Meta: Os estudantes constroem cofrinhos com materiais recicláveis e estabelecem uma meta financeira concreta para alcançar até o Natal.
  • Banco na Escola: Uma simulação completa de agência bancária onde as crianças realizam depósitos, saques e visualizam os rendimentos de quem deixa o dinheiro guardado.

A ideia é simples, mas transformadora: fazer com que os alunos compreendam que guardar dinheiro não significa abrir mão das coisas, mas sim escolher o que é prioridade.

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Para Karlene Moreira dos Santos, coordenadora do ensino fundamental da instituição, ver o processo na prática muda tudo: "Quando a criança vê uma moeda virar várias ao longo do tempo, ela entende sozinha o valor da paciência e do planejamento. É um conceito que nenhuma explicação no quadro ensina tão bem".

Voltar ao físico para entender o digital

A estratégia defendida pelos especialistas para pais e educadores é ir contra a maré puramente digital. Antes de dominar os aplicativos de banco e o Pix, a recomendação é passar pela experiência tátil: contar moedas, separar notas físicas e ver o cofrinho encher aos poucos. Só assim a criança compreende o custo real do tempo e do esforço por trás de cada aquisição.

Afinal, enquanto o futuro do dinheiro caminha a passos largos para a virtualidade, o segredo para construir um futuro financeiro sólido parece continuar exigindo o bom e velho toque da realidade.

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