Eleições 2026Contagem regressiva para o 2º turno
0dias
:
00horas
:
00min
:
00seg
Economia

Varig: a trajetória da 'Estrela do Sul' da fundação ao colapso em 2006

Companhia gaúcha virou símbolo de luxo nos voos internacionais e encerrou operações após crise bilionária

3 min

18/07/2026 14:00 • Atualizado há 97 dias

Varig: a trajetória da 'Estrela do Sul' da fundação ao colapso em 2006

Fundada em 1927, em Porto Alegre, pelo ex-piloto alemão Otto Ernst Meyer, a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig) construiu uma trajetória de quase 80 anos, tornou-se referência de luxo nas rotas internacionais brasileiras e viu sua operação colapsar em 2006, encerrando uma era na aviação comercial do país.

Continua depois da publicidade

O nascimento em Porto Alegre e a era Ruben Berta

A história da companhia começou com apoio técnico e financeiro do Syndicato Condor, que permitiu o início das operações regulares em junho de 1927, com o hidroavião Dornier Do J Wal, primeira aeronave registrada no Brasil, na rota Porto Alegre-Rio de Janeiro. A Varig ganhou autonomia em 1930, quando o grupo alemão deixou a sociedade.

Em 1941, o comando passou de Meyer para Ruben Berta, primeiro funcionário contratado pela empresa.

Em 1945, Berta criou a Fundação Ruben Berta e transferiu o controle acionário para uma estrutura administrada pelos próprios trabalhadores, modelo que funcionava como cooperativa de grande porte, voltada à previdência, à assistência social e à continuidade institucional da companhia.

Continua depois da publicidade

A ascensão ao monopólio internacional após 1965

O salto rumo à hegemonia internacional ocorreu em 1965, durante o governo Castello Branco. Até então, a Varig tinha somente uma linha de longo percurso, para os Estados Unidos. Em 10 de fevereiro daquele ano, o governo suspendeu, sem aviso prévio, o certificado de operação da Panair do Brasil, maior companhia aérea nacional da época e concessionária exclusiva de voos para vários países na Europa, África e Oriente Médio. A alegação foi crise financeira.

Segundo Daniel Sasaki, autor do livro “Pouso forçado: a história por trás da destruição da Panair do Brasil pelo regime militar”, na mesma noite da decisão, uma aeronave da Varig já estava posicionada no Galeão para assumir os voos da concorrente, e a empresa herdou todas as linhas intercontinentais, jatos de longo curso Douglas DC-8, hangares, a rede de agências consulares da rival e o título de empresa de bandeira do país.

No Judiciário, a Panair provou que estava com as contas em dia, mas teve a falência decretada por pressão do regime. O fechamento foi considerado arbitrário pela Comissão de Anistia, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em novembro de 2024, resultando em assunção de responsabilidade e um pedido formal de desculpas do Estado Brasileiro aos ex-funcionários e sócios da companhia, considerados perseguidos políticos.

Continua depois da publicidade

O fim da pioneira em julho de 2006

A trajetória de expansão começou a se inverter nos anos 1980, afetada por planos econômicos como o Cruzado, que congelaram tarifas de passagens para conter a inflação enquanto custos essenciais (combustíveis, peças e contratos de leasing em dólar) continuavam a subir.

O descompasso corroeu o caixa e deixou a empresa com dívida estimada em R$ 7,8 bilhões e patrimônio líquido negativo superior a US$ 2,5 bilhões.

Na década de 1990, a abertura de mercado revelou a dificuldade de adaptação da Fundação Ruben Berta, cuja estrutura demorava meses para aprovar medidas que novas concorrentes, como TAM e Gol, implementavam em poucos dias.

Continua depois da publicidade

Companhias focadas em eficiência e baixo custo ganharam espaço, enquanto 83 das 87 aeronaves da Varig, operando em regime de leasing internacional, começaram a ser retomadas por arrendadoras diante da crise de liquidez.

Em junho de 2005, a empresa pediu recuperação judicial e foi cindida em duas unidades: a "Velha Varig", concentrando dívidas fiscais, trabalhistas e o déficit do fundo Aerus, teve falência decretada em 2010; a "Nova Varig" (VRG Linhas Aéreas), isolada do passivo histórico, tentou manter a operação.

Sem fôlego financeiro, cancelou quase todas as rotas nacionais e internacionais em 20 de julho de 2006, preservando apenas a Ponte Aérea Rio-São Paulo.

Continua depois da publicidade

O colapso operacional marcou, na prática, o fim de uma era na aviação brasileira; em 2007, a Nova Varig foi incorporada pela Gol, que absorveu seus ativos e encerrou o uso comercial da marca da estrela dourada.

Tópicos relacionados

Varig: a trajetória da 'Estrela do Sul' da fundação ao colapso em 2006