Adultos com 50 anos ou mais buscam ensino superior por nova carreira
O número de pessoas com 50 anos ou mais no ensino superior brasileiro tem registado um crescimento expressivo ano a ano. Impulsionada tanto pela busca por uma
O número de pessoas com 50 anos ou mais no ensino superior brasileiro tem registado um crescimento expressivo ano a ano. Impulsionada tanto pela busca por uma transição de carreira quanto pela realização pessoal e aquisição de conhecimento, esta parcela da população vem transformando o perfil das salas de aula e dos ambientes acadêmicos digitais do país.
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Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o contingente de ingressantes com 50 anos ou mais no ensino superior cresceu mais de quatro vezes em uma década, saltando de 58 mil em 2015 para 211 mil em 2024.
Flexibilidade do EAD e transição profissional
Grande parte deste avanço é absorvida pela modalidade de ensino a distância (EAD), formato que atrai expressivamente este público por oferecer flexibilidade na rotina de estudos.
Histórias como a de Márcio Molezini ilustram bem esta guinada. Aos 54 anos e após enfrentar um burnout, ele decidiu abandonar a carreira de corretor de seguros para cursar uma nova faculdade e atuar como designer de animação.
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"Eu resolvi mudar justamente numa área que é totalmente nada a ver com o que eu fazia antes, mas que é o que está trazendo felicidade para mim. Querendo ou não, o ambiente acadêmico traz oportunidades, ele te dá um know-how, fortalece o seu currículo e você, consequentemente, abre novas portas", relata Márcio.
Experiência de vida como diferencial competitivo
Do ponto de vista institucional, a presença de estudantes maduros traz ganhos para a dinâmica acadêmica. Daniel Ximenes, diretor de Regulação da Educação Superior do MEC, destaca que estes alunos agregam valor às turmas devido à bagagem acumulada ao longo dos anos.
"Elas trazem experiência de vida, passaram por várias situações, as tendências socioemocionais deles estão mais calibradas diante de tudo que passaram na vida profissional, familiar, de estudos. Na medida em que essas pessoas tiverem condições de ter uma formação mais moderna, atualizada, de qualidade, vai ser um diferencial muito grande", avalia Ximenes.
Enquanto muitos buscam reposicionamento ou novas oportunidades no mercado de trabalho, outros encontram na academia uma forma de realização pessoal desvinculada de objetivos corporativos. É o caso de Soraya Fernandes, que recém-concluiu a graduação em Gestão Ambiental aos 62 anos, motivada pelo incentivo da filha e pelo orgulho de conquistar o diploma. Ela se formou em Gestão Ambiental.
