Educação

'Enem americano' ganha espaço entre estudantes que buscam se formar nos EUA

Com a chegada da reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), milhares de estudantes brasileiros intensificam os estudos de olho em uma vaga no

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05/11/2026 06:00 • Atualizado há 1 hora

'Enem americano' ganha espaço entre estudantes que buscam se formar nos EUA

IA

Com a chegada da reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), milhares de estudantes brasileiros intensificam os estudos de olho em uma vaga no ensino superior nacional. No entanto, um número cada vez maior de jovens tem somado a essa rotina o planejamento para cruzar as fronteiras: o alvo da vez é o SAT (Scholastic Assessment Test), conhecido popularmente como o "Enem americano", utilizado por universidades dos Estados Unidos em seus processos seletivos.

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O interesse pela avaliação internacional tem ganhado força expressiva no país. Dados divulgados em setembro pelo College Board, organização responsável pelo exame, mostram que a participação internacional cresceu 13,5% entre os estudantes que concluíram o ensino médio nas turmas de 2025 e 2026.

Para atender a essa demanda crescente, iniciativas especializadas têm se consolidado no mercado educacional brasileiro. É o caso da edtech The Dream School (TDS), que incorporou em 2024 a Super Escola de Gênios (SEG), voltada especificamente para o SAT. O programa conjunto já auxiliou mais de 7 mil alunos por meio de aulas, simulados, materiais de revisão, suporte de mentores e orientação completa para as candidaturas internacionais.

Diferenças entre as provas: Enem vs. SAT

Apesar de cumprirem funções semelhantes como portas de entrada para o ensino superior, os exames possuem estruturas bastante distintas:

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Enem: Realizado no Brasil ao longo de dois domingos consecutivos, conta com 180 questões objetivas divididas em quatro grandes áreas (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática), além da redação tradicional.

SAT: Totalmente digital — embora aplicado presencialmente em centros autorizados ao longo de várias datas do ano —, o exame americano possui 98 questões focadas em Matemática, Leitura e Escrita em inglês. Sua duração é de 2 horas e 14 minutos, com um intervalo de 10 minutos.

Ainda que os formatos divergissem, conteúdos fundamentais como álgebra, funções, porcentagens, estatística, interpretação de gráficos e raciocínio lógico aparecem em ambas as avaliações. Isso permite que o estudante aproveite uma base comum de estudos.

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“O SAT cobra menos conteúdo, mas exige inglês acadêmico, boa interpretação de texto e agilidade. Para muitos brasileiros, o maior desafio não está em fazer contas, e sim no idioma e no formato da prova”, explica Leticia Rebelo, sócia e diretora da The Dream School.

Como conciliar os estudos?

Além do domínio do inglês, o SAT exige familiaridade com o seu formato adaptativo, no qual o desempenho do aluno no primeiro módulo de cada área determina o nível de dificuldade do bloco seguinte. Por essa razão, a realização de simulados e exercícios cronometrados é fundamental para gerenciar bem o tempo.

A rotina dupla pode parecer desafiadora, mas é plenamente viável. A experiência de Luisa Torquato de Andrade Rodrigues, moradora de Suzano (SP), comprova isso. Iniciando a preparação no segundo ano do ensino médio, ela dividiu o cronograma entre o Enem, os vestibulares tradicionais brasileiros, o SAT e as candidaturas para o exterior.

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Com o apoio de mentores e muita disciplina, Luisa alcançou 1.450 pontos (de um total de 1.600) e garantiu aprovação em oito universidades americanas. O resultado abriu as portas da University of Notre Dame, onde hoje cursa Engenharia Química com bolsa integral de aproximadamente US$ 90 mil por ano.

“O estudante não precisa escolher entre o Enem e o SAT. O importante é ter disciplina, organização e aproveitar os conteúdos em comum. Para o SAT, é recomendado iniciar a preparação entre seis meses e um ano antes da primeira tentativa”, orienta Leticia Rebelo.

O peso da nota e o processo de admissão

Diferente do Enem, que costuma servir como critério direto e muitas vezes exclusivo para o ingresso em instituições brasileiras, o SAT é apenas uma das peças do quebra-cabeça nas universidades dos EUA.

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Os processos de seleção americanos adotam uma análise holística, avaliando o histórico escolar completo, redações pessoais (personal essays), atividades extracurriculares, cartas de recomendação e experiências de liderança. Vale destacar que muitas instituições adotam políticas em que o envio das notas do SAT é opcional (test-optional).

Portanto, uma pontuação alta no exame funciona como um importante diferencial competitivo — especialmente na disputa por bolsas de mérito acadêmico —, mas não substitui o restante da trajetória do candidato.

“A nota é importante, mas não define sozinha o resultado. As universidades americanas avaliam o conjunto da trajetória do estudante. Por isso, a preparação precisa considerar tanto o desempenho acadêmico quanto as experiências e atividades desenvolvidas ao longo dos anos”, conclui a diretora da TDS.