Educação

Escolas cívico-militares: entenda o modelo suspenso pela Justiça em SP

Diferente dos colégios militares tradicionais, as escolas cívico-militares são unidades da rede pública com gestão compartilhada

Da redação
DA REDAÇÃO

13/02/2026 • 11:29 • Atualizado em 13/02/2026 • 11:29

Escola cívico-militar

Escola cívico-militar

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma decisão liminar da Justiça de São Paulo suspendeu as normas que regem as escolas cívico-militares no estado. A ação, movida pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública, aponta que o regulamento fere princípios de legalidade, gestão democrática e possui potencial discriminatório contra minorias.

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O que são escolas cívico-militares?

Diferente dos colégios militares tradicionais - geridos pelas Forças Armadas e com seleção por concurso -, as escolas cívico-militares são unidades da rede pública com gestão compartilhada.

Nesse formato, existe uma divisão clara de tarefas:

  • Corpo docente civil: professores e diretores mantêm autonomia sobre o conteúdo pedagógico, aulas e currículo.
  • Monitores militares: militares da reserva (Forças Armadas, PM ou Bombeiros) atuam na administração e na monitoria de comportamento.

Estrutura, cotidiano e disciplina

O modelo busca reduzir a violência e a evasão escolar em áreas vulneráveis através de um ambiente de rígida disciplina. O cotidiano inclui ritos como a formação para o Hino Nacional, uso obrigatório de uniformes específicos e normas estritas de asseio pessoal, como cortes de cabelo padronizados.

Por que a Justiça suspendeu as regras em SP?

A magistrada responsável pelo caso destacou que o regimento, ao proibir tranças ou cortes de cabelo "não discretos", pode discriminar estudantes LGBTQIAPN+ e expressões de identidade de gênero. Além disso, a decisão aponta que:

  • Falta de participação: o regimento teria sido feito unilateralmente pela Secretaria da Educação, ignorando os Conselhos de Escola.
  • Gestão democrática: a Constituição e a LDB preveem que a comunidade escolar deve participar da elaboração das normas.
  • Excesso de poder: os monitores militares estariam exercendo competências além das previstas em lei.

Apesar da suspensão das regras específicas do modelo, a Justiça permitiu que os militares continuem atuando em programas de apoio já existentes, como a Ronda Escolar e o Proerd.

O posicionamento do governo de SP

A Secretaria da Educação de São Paulo defende o modelo, reiterando que o conteúdo pedagógico é exclusivo dos professores e que a implantação das unidades contou com consultas públicas e ampla participação da comunidade.