Escolas resgatam o analógico após restrição aos celulares
Instituições de ensino investem em bibliotecas físicas e cartas manuscritas para estimular o foco de alunos após nova legislação nacional

A aprovação da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de aparelhos celulares e eletrônicos portáteis pessoais em escolas públicas e privadas da educação básica no Brasil, abriu um novo desafio pedagógico: definir quais atividades práticas devem preencher o tempo e o espaço antes ocupados pelas telas.
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Segundo dados do Ministério da Educação com base no Pisa Brasil 2022, 80% dos estudantes do país afirmam que o telefone prejudica a concentração durante as aulas.
Diante desse cenário, redes de ensino promovem o retorno a formatos analógicos com foco em convivência e raciocínio crítico.
Desafio global e conexão na infância
O relatório divulgado pela Unesco em março de 2026 aponta que 114 sistemas educacionais no mundo, correspondentes a 58% dos países monitorados, já implementaram algum tipo de restrição nacional aos smartphones no ambiente escolar. Em junho de 2023, essa taxa era de 24%.
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No Brasil, o cenário ganha relevância pelo início precoce do acesso ao mundo digital. Conforme levantamento da TIC Kids Online Brasil 2023, citado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 95% dos jovens brasileiros de 9 a 17 anos utilizam a internet, o que representa 25,5 milhões de pessoas. Além disso, 24% declararam acesso inicial à rede até os seis anos e 63%, até os dez.
Práticas de pesquisa em bibliotecas físicas
A SIS Swiss International School adota projetos voltados a experiências fora do meio digital sem excluir o suporte das ferramentas educativas. Em Brasília, turmas visitaram o campus da Universidade de Brasília (UnB) para desenvolver trabalhos em acervos tradicionais, consultando estantes, referências e catálogos.
O diretor da unidade em Brasília, Henrick Oprea, avalia que o ambiente exige um ritmo reflexivo em tempos de excesso informativo. De acordo com o gestor, a prática analógica ajuda a consolidar a investigação em profundidade e fortalece a formação do pensamento crítico dos alunos.
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Cartas e registros de memórias
Outra frente desenvolvida envolve a troca de correspondências físicas entre diferentes países. Estudantes selecionaram imagens do Rio de Janeiro e enviaram cartões postais manuscritos para colegas de unidades da rede na Itália, Alemanha, Suíça e no próprio território brasileiro.
A dinâmica exigiu planejamento de texto e paciência no processo de espera pelas respostas. Na Educação Infantil e no 1º ano da Escola Nova by SIS, o projeto Envelope de Memórias trabalhou a oralidade por meio de objetos trazidos das férias em família, como fotos, conchas e ingressos.
Para a coordenadora da unidade, Talita Beccaris, o objetivo reside no equilíbrio entre a tecnologia e o valor das vivências presenciais e familiares. A SBP também defende a ampliação do diálogo e a busca de rotinas equilibradas no relacionamento de crianças com as telas.
