
A prática regular de exercícios físicos melhora o foco, a memória e o bem-estar emocional
Divulgação/Freepik
Enquanto muitos estudantes dedicam horas seguidas às apostilas, simulados e redações, a ciência mostra que o desempenho nas provas também depende de algo fora das apostilas: o movimento do corpo. Praticar atividade física regularmente pode melhorar a concentração, a memória e o controle emocional.
Um estudo publicado em Frontiers in Human Neuroscience mostra que os benefícios do exercício vão além da saúde física e que indivíduos ativos apresentam melhor função neurocognitiva. Essas funções envolvem diferentes áreas do sistema nervoso central e incluem atenção, memória, velocidade de processamento, funções executivas, linguagem e raciocínio lógico — importantes para o desempenho acadêmico.
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Para a professora Mônica Schlogel, graduada em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná e em Psicanálise, a conexão entre corpo e mente é indissociável. Mônica é também bailarina profissional de dança árabe e defende que parte do sucesso na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está fora da mesa de estudos.

Mônica Schlogel I Divulgação/Arquivo pessoal
“Quando falamos do corpo, não se trata de separar o corpo da mente: o cérebro e o corpo formam um só sistema. Desde os primórdios da humanidade, o ser humano é movimento. A atividade física é algo inegociável na nossa vida”, afirma.
O corpo em movimento ajuda a mente a se concentrar
Durante o exercício, o cérebro produz neurotransmissores e hormônios que agem diretamente sobre o humor e a capacidade de foco. “A endorfina, liberada pela hipófise, traz bem-estar, tranquilidade e um tipo de analgesia natural”, explica a professora.
Segundo ela, esses efeitos não são apenas momentâneos. “A endorfina permanece no corpo por um tempo após o exercício, e é por isso que a prática regular é tão importante. O corpo ‘sente falta’ quando não se movimenta”, completa.
Para estudantes que passam o dia revisando conteúdo e resolvendo provas, esse equilíbrio químico faz diferença. O resultado é um estado mental mais leve, mais atento e menos ansioso — condição essencial para enfrentar o ritmo intenso de preparação.
Quais atividades físicas ajudam quem vai prestar o Enem?
A boa notícia é que não é preciso virar atleta para sentir os efeitos da atividade física no foco e na produtividade. O ideal, segundo a especialista, é escolher atividades que estimulem o corpo respeitando o perfil de cada estudante.
Diante da variedade de opções — caminhada, corrida, musculação, ioga, esportes coletivos, artes marciais ou dança —, Mônica é categórica: o mais eficaz é aquele que desperta prazer.
“Quando o movimento é forçado, ele deixa de ser prazeroso e perde o efeito positivo. O exercício precisa ser algo que a pessoa goste de fazer”, pontua.
O importante é fazer alguma atividade sem causar exaustão. Não adianta treinar pesado e parar por semanas. Ela recomenda pelo menos 20 minutos de prática contínua, tempo em que o corpo começa a liberar endorfina em níveis mais elevados.
A frequência ideal, segundo a professora, é de duas vezes por semana, mas mesmo quem não consegue ainda pode colher benefícios. “Se a pessoa só puder uma vez, que faça com dedicação e presença total. Mesmo uma prática curta, feita com atenção, já traz resultados.”
Depois de duas semanas de rotina ativa, é possível notar melhora na disposição para estudar e maior facilidade de concentração. Isso porque o cérebro, ao ser estimulado com oxigênio e movimento, cria novas conexões neurais — processo chamado de neuroplasticidade. Esse mecanismo é essencial para quem precisa absorver grandes volumes de conteúdo em pouco tempo.
O segredo, segundo ela, está na constância: “O corpo sente falta quando para. Quanto mais regular for a prática, maiores serão os benefícios cognitivos. ”
Mônica também alerta que o hábito de alongar é extremamente importante para quem passa horas diante dos livros ou do computador. “Os alongamentos fortalecem a imunidade e reduzem o estresse físico e mental causado por longos períodos de estudo. Além disso, melhoram a concentração e a memória, porque ativam a circulação e os neurotransmissores”, diz.
A professora também chama atenção para dois fatores que interferem diretamente na performance dos candidatos: o uso excessivo de telas e a falta de sono de qualidade. “Infelizmente, os celulares tomaram um espaço enorme na vida das pessoas. O problema não é o celular em si, mas o excesso. A luz das telas afeta o sono, o humor e até o desenvolvimento neurológico”, alerta.
Ela defende que o uso da tecnologia deve ser equilibrado. Mônica sugere uma rotina simples de higiene do sono: “Duas horas antes de dormir, desligue a TV, o celular e diminua as luzes. Isso reduz a ansiedade e melhora o descanso. ”
Para a especialista, descansar bem é parte essencial da preparação para o Enem ou vestibulares de Medicina, que exigem mais dos estudantes. “A atividade física melhora a qualidade do sono, e dormir bem potencializa o rendimento físico e mental. Quando dormimos mal, o cérebro não recupera energia e o corpo fica lento, irritado e com dificuldade de concentração”, alerta.
Segundo Mônica, o período da manhã é o mais indicado para se exercitar. “O exercício matinal ativa o corpo e o cérebro, aumenta a produção de endorfina e torna o dia mais produtivo e bem-humorado. ” No entanto, o mais importante é respeitar a rotina individual. “Se o único horário possível for à tarde ou à noite, ainda assim é melhor do que não fazer nada. O ideal é respeitar o ciclo circadiano: durante o dia trabalhamos e nos movimentamos; à noite, descansamos”, explica.
Como começar e manter o hábito
Para quem ainda está em dúvida sobre por onde começar, a dica é simples: não espere a motivação chegar. “A principal dica é: não seja resistente. Comece”, diz a professora. “Procure algo que você goste, como caminhar, dançar, praticar esportes, ioga, pilates, lutas ou simplesmente brincar com o pet. O importante é se movimentar. ”
Como bailarina, Mônica faz questão de destacar o papel da dança nesse processo. “A dança é uma das práticas mais completas. Ela trabalha força, equilíbrio, coordenação, lateralidade e raciocínio. Além dos benefícios físicos, melhora a autoestima e a empatia. ”
Dançar em grupo, segundo ela, favorece a convivência e cria vínculos. “Isso é fundamental para a saúde emocional. Quando associamos atividade física e prazer, encontramos uma receita ideal para o bem-estar”, finaliza.
Com a proximidade do Enem, manter o equilíbrio entre corpo e mente pode ser o diferencial entre o cansaço e o desempenho pleno. A atividade física não substitui o estudo, mas potencializa seus efeitos, tornando o aprendizado mais leve e produtivo. Quem estuda e se movimenta aprende melhor, dorme melhor e chega mais confiante na prova.
