
Desenvolver habilidades socioemocionais pode fazer a diferença no Enem e na vida acadêmica
Divulgação/Freepik
A cena é comum em salas de prova do o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): jovens com meses de estudo acumulado encaram a primeira questão com confiança, mas bastam alguns minutos de silêncio e o tique-taque do relógio para a ansiedade se manifestar.
Em uma prova que envolve não apenas conhecimento técnico, mas também resistência emocional, as competências socioemocionais — como resiliência, foco e gestão do tempo — têm o poder de separar quem domina o conteúdo de quem, de fato, transforma esse conhecimento em resultado.
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“O Enem é menos uma prova técnica e mais uma prova de humanidade. Quem chega com a mente em desequilíbrio pode até ter decorado fórmulas, mas perde o raciocínio diante do peso do silêncio da sala”, afirma Douglas Maluf, especialista em inteligência emocional e criador do Método MD.

Douglas Maluf, Especialista em Inteligência Emocional I Divulgação/Arquivo pessoal
Segundo ele, resiliência é “o músculo invisível” que permite ao estudante manter a clareza quando a prova parece maior que ele. “É a capacidade de recuperar-se depois de travar em uma questão difícil e seguir adiante sem se sabotar. Já a inteligência emocional é o elo entre conteúdo e desempenho: não basta ter conhecimento armazenado, é preciso saber acessá-lo com serenidade, confiança e foco na hora em que mais importa”, explica.
Essa combinação, diz Maluf, é o que diferencia dois candidatos com o mesmo nível acadêmico. Um pode sucumbir ao nervosismo e perder rendimento; o outro, emocionalmente preparado, mantém o desempenho mesmo sob pressão.
Os desafios emocionais mais comuns
A preparação para Medicina costuma ser longa, intensa e solitária. Nesse percurso, um dos maiores adversários não está nas provas anteriores ou nos livros, mas na própria mente.
“O maior inimigo do vestibulando não é a prova: é o próprio diálogo interno. A ansiedade, o medo de fracassar e a comparação constante com os colegas funcionam como um ruído invisível que drena energia e sabota o foco”, diz Maluf.
Para enfrentar isso, o especialista recomenda treinos mentais tão consistentes quanto os acadêmicos. Simular provas em casa, controlar o ambiente de estudo, criar rituais de confiança e treinar técnicas de respiração profunda ajudam a transformar ansiedade em performance.
“O estudante que ensaia sua calma chega ao dia da prova como um ator preparado para o palco”, compara. Outro ponto muitas vezes negligenciado é a gestão do tempo. Em uma prova extensa como o Enem, saber quanto tempo dedicar a cada questão pode ser decisivo.
“Tempo mal gerido é conhecimento desperdiçado. Muitos sabem a resposta, mas não a tempo de marcar no gabarito”, afirma Maluf. Para ele, a gestão do tempo e a tomada de decisão funcionam como bússola e leme de um barco: sem elas, o estudante pode até ter muito conteúdo (vento), mas não chega ao destino.
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Como treinar o emocional na rotina de estudos
A inteligência emocional não se improvisa na véspera do exame. Ela se constrói no dia a dia. “Assim como o corpo precisa de preparo físico, a mente precisa de preparo emocional. Simular a prova, estudar em um ambiente silencioso, cronometrar o tempo de resolução de questões e viver o presente são práticas simples que condicionam o cérebro a sustentar foco e confiança”, explica o especialista.
Treinar a tomada de decisão rápida, sem apego a questões difíceis, pode render minutos preciosos — e, em cursos superconcorridos como Medicina, isso pode significar a vaga.
Maluf também alerta para um erro comum: viver mentalmente no futuro. “Ansiedade é excesso de futuro. Trazer-se de volta para o agora — seja por meio da respiração, de um pensamento de gratidão ou de um foco absoluto na tarefa da hora — é um treino de presença que reduz a ansiedade e amplia o desempenho. ”
Da prova à faculdade: habilidades para a vida toda
As competências socioemocionais não são úteis apenas para passar no vestibular. Elas acompanham o estudante durante toda a graduação, especialmente em cursos intensos como Medicina, marcados por longos anos de estudos e cobranças constantes.
“Na Medicina, o desafio começa muito antes do jaleco branco. São anos de conteúdos densos, provas frequentes e uma rotina que exige disciplina. Se o estudante não aprende a gerir emoções, transforma a jornada em um fardo insustentável”, afirma Maluf.
Pedir ajuda sem medo, manter empatia em ambientes competitivos e saber descansar sem culpa são atitudes que preservam não só o desempenho acadêmico, mas também a saúde mental e a paixão pela profissão.
“Não adianta dominar o conteúdo se a mente está em colapso. O estudante que cultiva inteligência emocional tem mais chances de se destacar e chegar ao diploma inteiro, não esgotado”, completa.
Para quem quer começar, o conselho do especialista é direto: assuma que a mente também precisa de treino. Ser “maestro da própria orquestra emocional”, como ele define, é transformar habilidades invisíveis em diferencial real — no Enem, na faculdade e na vida.
“Muitos jovens estudam horas de conteúdo, mas não treinam nem dez minutos para lidar com a própria ansiedade. A vantagem competitiva surge quando o estudante entende que não precisa eliminar o medo, mas aprender a caminhar com ele”, afirma Maluf.
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