
Mente em pausa, corpo em movimento
Divulgação/Freepik
Depois de semanas de estudo intenso e de uma maratona emocional que parece não ter fim, muitos estudantes entram em um limbo conhecido: a sensação de que o corpo pediu trégua, mas a mente ainda insiste em permanecer alerta. Como manter o foco e a motivação nesse período entre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os próximos vestibulares?
A resposta pode estar em um conceito simples e cientificamente comprovado: o descanso ativo. Para o neurologista Ivar Brandi, o cérebro de um candidato passa por uma sobrecarga comparável à de uma maratona. “É um órgão dinâmico, que consome energia o tempo inteiro. Durante uma prova longa, ele precisa regular atenção, memória, linguagem e ainda lidar com dor, fome, ansiedade e desconforto”, explica.
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Esse esforço gera fadiga cognitiva, que se manifesta como desânimo, lentidão para raciocinar, irritabilidade e sensação de ‘cabeça pesada’. É um processo biológico, não emocional. “Sentir-se exausto é natural. Não é falta de preparo, é metabolismo cerebral”, reforça Brandi.
O neurologista explica que o descanso não é desistência, e sim estratégia. A partir dessa base neurobiológica, o descanso deixa de ser visto como pausa improdutiva e passa a ser entendido como parte do desempenho. “Quando insistimos em trabalhar sempre em alta performance, corremos risco de falhas de atenção, lapsos de memória, piora da ansiedade e até sintomas físicos”, afirma.
O descanso ativo surge como o caminho do meio: uma pausa que recupera, mas não desconecta do propósito. E o que é o descanso ativo? Brandi define o conceito como “sair de um estado de alto desempenho para um estado de manutenção cerebral”. Isso significa reduzir a exigência intelectual, mas manter o cérebro ativo de forma leve, prazerosa e saudável.
Segundo o neurologista, essas ações mantêm o cérebro em movimento, mas sem submetê-lo à pressão de desempenho que marcou o período do Enem.
Por que isso funciona
A neurociência já mostra que momentos de descanso estruturado favorecem a retenção, a consolidação da memória, o controle emocional e a resiliência cognitiva. Ao se afastar das demandas de alta performance, o cérebro reorganiza informações, elimina moléculas acumuladas durante o esforço e recalibra energia.
“É o mesmo princípio que orienta atletas de elite: ninguém corre duas maratonas seguidas esperando um bom resultado”, afirma o neurologista.
Então, para manter o foco até os próximos vestibulares, a dica valiosa é abandonar a ideia de culpa. “Descansar não é perder tempo. É parte da preparação”, diz Brandi.
Criar rotinas curtas e flexíveis, alternando estudo leve com momentos de lazer inteligente sustenta o ritmo.
Para quem ainda vai enfrentar provas, a recomendação, segundo ele, é: respeitar o corpo, proteger o sono e evitar estimulantes que prometem energia rápida, mas cobram caro em ansiedade e queda de desempenho.
No fim, o segredo para manter o foco depois do Enem não é estudar mais, é estudar melhor, com o cérebro funcionando no modo ideal. Com a preocupação em entregar resultados, as pessoas acabam negligenciando o descanso, o sono de qualidade e o lazer. “A pessoa dorme menos e não percebe o quanto isso impacta no desempenho. ”
Atividades manuais que permitem concentração, sem exigir conteúdo acadêmico, também são uma boa maneira de praticar um descanso ativo, reforça. “As pessoas precisam entender que o cérebro deve ser tratado com atenção, da mesma maneira que outras partes do corpo”, finaliza.
