Como usar IA na redação do Enem sem perder pontos na nota

Professora orienta uso de ferramentas digitais nos estudos, mas alerta para riscos como informações incorretas

PRISCILLA VIERROS

23/04/2026 • 09:51 • Atualizado em 23/04/2026 • 09:51

A inteligência artificial pode ser uma aliada, desde que utilizada com estratégia e senso crítico

A inteligência artificial pode ser uma aliada, desde que utilizada com estratégia e senso crítico

Freepik

O uso de Inteligência Artificial (IA) nos estudos virou rotina entre vestibulandos, especialmente na preparação para a redação do Enem. Ferramentas como ChatGPT e Gemini ganharam espaço por oferecer respostas rápidas e acessíveis. Mas até que ponto elas realmente ajudam? E quando passam a atrapalhar?

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Segundo a professora de Redação Bárbara Garbinato, a IA pode ser uma aliada, desde que utilizada com estratégia e senso crítico. “A inteligência artificial generativa não é ideal para escrever uma redação modelo Enem, mas pode contribuir no processo de estudo”, afirma.

Bárbara Garbinato I Crédito: Arquivo pessoal

Bárbara Garbinato I Crédito: Arquivo pessoal

Na prática, isso significa que o estudante deve evitar usar a ferramenta para produzir textos prontos. O caminho mais eficiente, de acordo com a especialista, é explorar a IA como apoio para ampliar repertório e organizar ideias.

“É possível pesquisar referências culturais, pedir sugestões de argumentos, buscar sinônimos ou até solicitar temas de redação. Mas é importante especificar que o modelo é Enem e pedir textos jornalísticos como base”, orienta.

Esse uso mais direcionado contribui para desenvolver autonomia, uma das competências exigidas na prova.

Crédito: IA

Crédito: IA

Riscos do uso inadequado da IA

Apesar das vantagens, o uso indiscriminado da IA pode comprometer o aprendizado e, consequentemente, o desempenho na prova. Um dos principais problemas, segundo Bárbara, é a confiabilidade das informações.

“A IA inventa repertórios culturais. Ela pode criar citações e teorias que nunca existiram”, alerta. Ou seja, confiar cegamente no conteúdo gerado pode levar o estudante a utilizar informações falsas, o que prejudica diretamente a argumentação.

Outro ponto crítico está no aprendizado da gramática. Embora a IA consiga sugerir correções pontuais, ela não substitui o ensino estruturado. “Já vi diversas vezes explicações gramaticais erradas ou contraditórias. A melhor forma de aprender é com gramáticas normativas, sites especializados e um bom professor”, reforça.

Além disso, a correção automática de redações também tem limitações. Mesmo com parâmetros como as cinco competências do Enem, a IA não consegue avaliar nuances do texto com a precisão necessária. “Falta o olhar humano. A correção feita por IA sempre será limitada”, explica.

Como usar IA de forma estratégica na redação

Para aproveitar o potencial da tecnologia sem cair em armadilhas, o estudante precisa adotar uma postura ativa no processo de aprendizagem. Isso inclui:

  • Usar a IA como ferramenta de apoio, não como substituta da escrita;
  • Conferir informações e repertórios em fontes confiáveis;
  • Priorizar o aprendizado da gramática por meios tradicionais;
  • Buscar correções humanas sempre que possível.

A redação do Enem exige mais do que domínio técnico: envolve repertório sociocultural, capacidade argumentativa e senso crítico. Nesse contexto, a IA pode até facilitar o caminho, mas não faz o percurso pelo estudante.

No fim, o diferencial continua sendo o mesmo: prática constante, leitura de qualidade e orientação especializada.