O Prouni mudou a vida de Lucas

Lucas Rezzo estudou por cinco anos até transformar o sonho da Medicina em realidade com uma bolsa do Prouni

PRISCILLA VIERROS

28/01/2026 • 15:58 • Atualizado em 28/01/2026 • 15:58

O estudante mudou de cidade para cursar Medicina

O estudante mudou de cidade para cursar Medicina

Divulgação/Arquivo pessoal

Lucas Rezzo de Souza, 25 anos, nasceu em São Paulo e cresceu em Poá, na Grande São Paulo, em uma família de origem humilde que sempre tratou o estudo como prioridade. Terceiro de quatro irmãos, viu ainda no ensino médio a segunda irmã conquistar vaga na USP e na Unicamp, um marco que ampliou seu horizonte. Assim como ela, Lucas cursou toda a educação básica em escolas públicas, em um contexto de preparo precário, falta de professores e aulas interrompidas, realidade comum a muitos estudantes brasileiros.

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A decisão profissional não veio pronta. Interessado por diferentes áreas, ele cogitou cursos como Tecnologia da Informação, Direito e História. Foi no cursinho, iniciado no último ano do ensino médio, que o desejo pela Medicina começou a ganhar forma. “As aulas de Biologia despertaram em mim um entusiasmo pelas Ciências Biológicas que eu ainda não conhecia”, conta. Em 2017, ainda indeciso, chegou a prestar Direito, mas já reconhecia que a Medicina não era apenas uma possibilidade distante e sim um projeto que exigiria tempo, resiliência e responsabilidade.

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A preparação veio depois do ensino médio e se estendeu por cinco anos. Nos três primeiros, Lucas frequentou cursinhos presenciais; nos dois últimos, estudou sozinho, conciliando provas, simulados e uma rotina de até dez horas diárias de estudo. A realidade financeira da família, sustentada pelo trabalho do pai no transporte público e da mãe como comerciante e cabeleireira, sempre esteve no centro das preocupações. O custo da Medicina, mesmo em universidades públicas ou com bolsa, pesava. Ainda assim, desistir nunca foi uma opção. “Desde que decidi buscar esse sonho, ele jamais se tornou algo a ser abandonado.”

Inicialmente focado nas universidades públicas paulistas, Lucas conheceu o Programa Universidade para Todos (Prouni) após sucessivas reprovações. Tentou o programa pela primeira vez sem sucesso, mas persistiu. A concorrência, mais de 200 candidatos por vaga e a comparação constante com estudantes de cursinhos caros eram fontes de insegurança. O momento da aprovação, porém, transformou anos de desgaste em alívio. “Quando vi que a bolsa era real, senti que tudo tinha valido a pena.” A primeira ligação foi para os pais. A mãe, emocionada, repetia a notícia como quem precisava acreditar que era verdade.

A bolsa veio em São José dos Campos, exigindo mudança de cidade e novos desafios: morar fora, lidar com limitações financeiras e enfrentar a intensa rotina acadêmica. Ainda assim, Lucas, que cursa o quarto ano de Medicina, mantém bom desempenho e vê na vivência diária do curso a confirmação do sonho. “É cansativo, mas é um prazer estar aqui.” Ele reconhece a Medicina e o Prouni como divisores de águas não apenas individuais, mas coletivos.

Para quem acredita que Medicina “não é para todas as pessoas”, Lucas deixa um recado: vocação, curiosidade e dedicação são fundamentais. “Programas como o Prouni tornam possível o acesso a espaços historicamente elitizados. ” Para quem sonha com a bolsa, o conselho é: conhecer as oportunidades, estudar o Enem a fundo e manter constância. “A dedicação leva muito além da aprovação. ”, finaliza.

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