
Descanso, análise e recuperação emocional: o trio que faz diferença para se preparar para os próximos passos com mais equilíbrio
Divulgação/Freepik
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acabou. Agora é esperar o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) liberar o gabarito oficial e aguardar a nota oficial ser divulgada. Mas, para muitos estudantes, especialmente quem sonha com Medicina, essa fase pós-Enem pode trazer sensações difíceis de nomear. É quando o corpo desacelera, o emocional cobra a conta e a mente tenta entender o que fazer a seguir.
Segundo a educadora e pesquisadora Carolina Delboni, autora de As Dores da Adolescência e Desafios da Adolescência na Contemporaneidade, esse sentimento não é sinal de fraqueza, mas uma resposta natural do cérebro. A redução da dopamina após longos períodos de tensão e foco intenso provoca exaustão, irritabilidade e sensação de desorientação.
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“Uma prova como o Enem exige não apenas capacidade racional, mas também um fôlego emocional”, explica. “É preciso treinar a mente para lidar com a carga emocional, o estresse e as expectativas.”
Nos dias seguintes à prova, o descanso é tão importante quanto estudar foi nos meses anteriores. Especialmente para candidatos de alta performance, o risco de burnout é real. Pesquisas recentes mostram que jovens em rotinas intensas de preparação para carreiras altamente competitivas, como Medicina, apresentam índices elevados de ansiedade e esgotamento mental.
Descanse antes de planejar
O primeiro passo, segundo a especialista, é não tentar resolver tudo imediatamente. O corpo precisa sair do modo de alerta. Um breve período de pausa — como dormir melhor, caminhar, fazer uma atividade leve, ver amigos — ajuda a regular hormônios do estresse e reorganizar a mente. “Sentar num parque e se desconectar do celular já ajuda muito”, afirma.
Carolina também reforça que práticas simples são altamente eficazes. O contato com a natureza, por exemplo, ajuda a regular o humor e diminuir o cortisol, assim como a prática de atividades físicas libera tensões, e técnicas de respiração profunda ajudam a acalmar o sistema nervoso.
“O estudante precisa aprender a treinar a ‘musculatura das emoções’. Assim como exercitamos matemática, português ou história, precisamos entender o quanto aguentamos de estresse, como reagimos à ansiedade e quais técnicas nos ajudam a recuperar o equilíbrio. Cada um encontra seu método, mas muitas estratégias funcionam de forma ampla”, explica.
Como analisar o desempenho sem culpa
Passado o período de descanso, chega a hora de olhar para o próprio desempenho com perspectiva. Mas essa análise não precisa e não deve ser uma maratona de autocobrança, e é essencial que a família participe desse processo.
Quando o estudante não trabalha suas emoções durante a preparação, a chegada após a prova costuma ser mais difícil. “Ele chega com a saúde emocional fragilizada, com sensação de vazio, frustração e cansaço extremo”, diz Carolina. É justamente nesse período que muitos duvidam da própria capacidade, mesmo tendo ido bem.
Para reorganizar essa fase, a educadora recomenda retomar aos poucos as atividades sociais deixadas de lado: ver amigos, ir ao cinema, visitar exposições e resgatar hobbies. “A vida social é essencial. A vida precisa de equilíbrio. Não dá para viver só estudando”, afirma.
Segundo ela, algumas práticas ajudam:• Fazer um pequeno diário de autopercepção, registrando áreas fortes e pontos que podem melhorar;• Buscar feedback pontual com professores;• Revisar questões específicas, não a prova inteira.
O objetivo não é corrigir o passado, mas observar padrões. Entender o que funcionou, onde o tempo foi bem administrado e quais conteúdos precisam de reforço.
Planeje os próximos passos
Depois de descansar, recuperar o equilíbrio emocional e observar seu desempenho, o estudante pode planejar o que vem pela frente: aguardar notas, projetar opções de faculdade, manter uma rotina leve de estudos ou reorganizar o cronograma para seletivas futuras.
O importante é entender que o caminho para Medicina é exigente, mas não precisa ser solitário nem desumano. Manter a motivação depois do Enem passa, antes de tudo, por cuidar da própria saúde mental.
