Passeios culturais que turbinam o aprendizado para o Enem

Visitar museus, centros históricos, teatros e exposições pode ir muito além do lazer, essas experiências ampliam o repertório sociocultural e estimulam o cérebro a pensar de forma diferente

PRISCILLA VIERROS

08/11/2025 • 13:44 • Atualizado em 08/11/2025 • 13:44

Pensamento crítico, criativo e interdisciplinar é uma competência essencial para o Enem

Pensamento crítico, criativo e interdisciplinar é uma competência essencial para o Enem

Divulgação/Freepik

Num sábado de manhã, uma estudante caminha pelo Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, observando uma exposição sobre mudanças climáticas. Enquanto lê os painéis sobre sustentabilidade e avanços tecnológicos, percebe que muitos daqueles temas aparecem nas questões de Ciências Humanas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Sem perceber, transforma um passeio em uma poderosa revisão de conteúdo.

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Essa cena representa o que o teórico David Kolb (1939-2015) chama de aprendizado por experiência, que é quando o conhecimento surge de vivências reais e interações culturais. Nela, o estudante aprende fazendo e refletindo sobre suas vivências.

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O aprendizado por experiência é uma metodologia que valoriza a prática como caminho para o conhecimento. Desenvolvido por Kolb, o modelo propõe um ciclo contínuo de quatro etapas: experiência concreta, quando o indivíduo participa de uma atividade prática, como um experimento ou projeto social; observação reflexiva, em que analisa o que aconteceu e o que poderia ter feito de forma diferente; conceitualização abstrata, momento de transformar a vivência em um conceito ou teoria aplicável; e experimentação ativa, quando testa esse novo aprendizado em outro contexto.

Essa abordagem conecta teoria e prática, amplia o pensamento crítico, estimula habilidades socioemocionais e torna o conhecimento mais significativo e duradouro, já que envolve o aluno de forma ativa e emocional em seu próprio processo de aprendizagem. Segundo Maria Catarina Rabelo Bozio, coordenadora pedagógica do Poliedro Colégio São José dos Campos, esse tipo de atividade é fundamental na preparação para o Enem.

“Passeios culturais são fundamentais para a preparação para o Enem, pois a prova exige que o estudante demonstre consciência cidadã e repertório sociocultural ao abordar problemas sociais brasileiros, refletindo sobre suas causas, consequências e possíveis soluções, especialmente na redação”, afirma.

A educadora explica que, quanto mais conectado o estudante estiver aos desafios do país, maior será sua capacidade de análise e argumentação. Ir a museus, centros históricos, peças de teatro ou feiras de ciência ajuda a compreender diferentes realidades e estimula o olhar crítico sobre o mundo.

Por trás do aprendizado fora da sala de aula

De acordo com o estudo “Emoções, cérebro social e aprendizagem”, publicado por Adélia Paiva Pinto, as experiências emocionais ativam áreas do cérebro que favorecem a memória e o raciocínio, reforçando o papel das vivências culturais no processo de aprendizagem. Isso acontece porque, ao vivenciar um tema, o cérebro estabelece conexões neurais mais sólidas entre emoção e conhecimento.

Essas experiências também fortalecem o senso de empatia e percepção social, atributos valorizados não só em provas, mas na formação de futuros profissionais. Afinal, compreender as diferentes expressões humanas é parte da construção de um olhar humanizado, essencial para quem deseja cuidar de pessoas — especialmente para futuros médicos.

Visitar espaços culturais não significa apenas “sair da rotina”. Cada ambiente ativa diferentes funções cognitivas e contribui de forma única para o desenvolvimento intelectual. Veja a seguir como isso acontece:

Transformar vivência em repertório útil

Segundo Maria Catarina, o mais importante é estabelecer conexões entre o que se vive e os eixos temáticos recorrentes no Enem. “O estudante deve se perguntar de que forma aquela experiência se relaciona com a sociedade e como poderia descrevê-la para alguém que não teve o mesmo contato”, orienta.

Esse exercício, além de aprimorar a capacidade de argumentação, desenvolve as habilidades de citação e referenciação, fundamentais para escrever uma redação sólida e autêntica, por exemplo.

Além disso, os passeios culturais funcionam como uma forma equilibrada de relaxamento e aprendizado, especialmente na reta final dos estudos. Ao associar prazer e curiosidade ao conhecimento, o estudante reduz o estresse e fortalece o foco.

Como transformar o passeio em aprendizado

  1. Faça anotações rápidas: use o bloco de notas do celular ou um caderno para registrar ideias, frases e reflexões durante o passeio.
  2. Relacione a experiência com o Enem: ao voltar para casa, pense em quais disciplinas ou temas se conectam àquele conteúdo.
  3. Crie fichas de repertório: monte um arquivo com referências culturais — nomes de obras, autores, locais visitados — para usar em textos e revisões.
  4. Compartilhe aprendizados: explique para colegas o que aprendeu. Ensinar é uma das formas mais eficazes de fixar conteúdo.

Mais do que uma pausa nos estudos, os passeios culturais são ferramentas de aprendizado ativo, capazes de unir prazer e conhecimento. Cada visita, filme ou espetáculo amplia o olhar sobre o mundo e, no fim das contas, esse é o primeiro passo para escrever boas redações, resolver questões complexas e, principalmente, formar profissionais mais humanos, curiosos e críticos.

Fique atento!

No domingo, dia 16 de novembro, a partir das 18h30, a Band fará a correção ao vivo do gabarito extraoficial do Enem 2025, em parceria com o Quero Estudar Medicina.

Os candidatos poderão se cadastrar em enem.band.com.br para serem notificados por e-mail quando a live começar e também quando o gabarito extraoficial estiver disponível para download.

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