
Use a música como âncora de atenção, e não como protagonista
Divulgação/Freepik
Ouvir música enquanto estuda divide opiniões entre vestibulandos. Para alguns, ela é sinônimo de concentração; para outros, distrai e atrapalha. Mas, afinal, quais gêneros realmente ajudam nos estudos intensivos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e vestibulares de Medicina — provas que exigem alto desempenho cognitivo?
A resposta, segundo a neurociência, está menos no estilo musical e mais em como o cérebro reage aos estímulos sonoros. “A música auxilia a aprendizagem por diferentes caminhos. Um deles é a ativação cerebral, especialmente importante em um cenário de atenção constantemente ameaçada pelas multitarefas digitais”, explica o neurocirurgião pediátrico Eduardo Jucá, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia Pediátrica e professor de neurociência há 15 anos.
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O efeito da música no cérebro durante os estudos
De acordo com Jucá, a atenção depende de três circuitos cerebrais principais:• o circuito da vigília, que nos desperta e prepara para atividades intelectuais;• o circuito de identificação do foco, que seleciona onde a atenção será mantida;• e o circuito que impede distrações, sustentando a concentração.
Uma música adequada pode atuar como âncora da atenção, ajudando o estudante a bloquear estímulos externos. “Você está resolvendo exercícios com uma música de fundo agradável, do seu gosto, e ela ajuda a manter a atenção, evitando dispersões. Mas não é qualquer música. Se for agitada, passa a disputar sua atenção, virando distração”, explica.
Além do tipo de música, o volume tem impacto direto. Em níveis altos, o cérebro entra em estado de alerta — ativando o chamado Sistema 1, descrito por Daniel Kahneman no livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Esse sistema é rápido, automático e voltado à sobrevivência, mas pouco eficaz para atividades intelectuais complexas. Já o volume baixo favorece o Sistema 2, mais reflexivo e adequado para o aprendizado.
Gêneros que favorecem a concentração
Jucá afirma ainda que a música instrumental em volume baixo é a mais indicada para estudar. Músicas com letra ativam involuntariamente a área de Wernicke — responsável por interpretar linguagem — e competem com a atividade de leitura e memorização.
Ele recomenda especialmente:• Lo-fi: “Suas melodias repetitivas não exigem interpretação e não provocam surpresas que causem alerta.”• Música clássica de Bach e Chopin: “São composições tranquilas, de alta qualidade, que ajudam o cérebro a entrar em sintonia e manter a concentração.”• Instrumentais suaves ou trilhas sonoras discretas: também podem funcionar como âncoras de atenção.
“Assim como cada rosto é único, cada cérebro também tem sua estrutura própria. Algumas pessoas ganham desempenho com música; outras, sem música. O importante é o equilíbrio entre estrutura biológica e esforço de aprendizagem”, explica o neurocirurgião.
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Música e memória: emoção como aliada
A música também atua sobre a via mesolímbica, responsável pelo sistema cerebral de gratificação e bem-estar, liberando dopamina — neurotransmissor ligado ao prazer. “Quando estamos em um estado emocional positivo, gastamos menos energia emocional e temos mais energia disponível para atividades intelectuais”, diz Jucá.
Isso impacta diretamente a retenção de conteúdo. “O cérebro entende que aquilo que emociona é importante, portanto, guarda. Se você estuda associando o conteúdo a uma música que provoca bons sentimentos, isso facilita a retenção”, completa.
Dicas práticas do especialista Eduardo Jucá
• Prefira música instrumental (lo-fi, Bach e Chopin) em volume baixo.• Evite músicas com letra ou sons muito altos.• Respeite suas preferências: para alguns, silêncio funciona melhor.• Use a música como âncora de atenção, e não como protagonista.• Associe emoções positivas ao estudo para potencializar a memória.
Para vestibulandos de Medicina, a preparação envolve longas jornadas de estudo, leitura e resolução de questões. Inserir a música certa pode ser um aliado estratégico — desde que usada com inteligência.
Mais do que buscar “a playlist perfeita”, vale entender como o seu cérebro responde aos sons e testar diferentes estilos. Como lembra Eduardo Jucá, “o desempenho é resultado da combinação entre estrutura biológica e aprendizagem — esforço, preparo e prática. Assim como no esporte: talento ajuda, mas, sem treino, ninguém se destaca”.
Correção ao vivo do Enem 2025!
A Band fará a correção ao vivo do gabarito extraoficial do Enem 2025 nos dois dias de prova, 9 e 16 de novembro, em parceria com o Quero Estudar Medicina.
Os candidatos poderão se cadastrar em enem.band.com.br para serem notificados por e-mail quando a live começar e também quando o gabarito extraoficial estiver disponível para download.
Nos dois domingos de aplicação, a partir das 18h30, o público poderá acompanhar a transmissão no YouTube (clique no sino para receber a notificação), TikTok e Instagram do Band Jornalismo, além do Bandplay.
