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Nunes Marques suspende divulgação da pesquisa AtlasIntel após pedido do PL

Pesquisa mostra queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL) após vazamentos. Decisão será apreciada pela Corte

Da redação
DA REDAÇÃO

08/06/2026 • 13:54 • Atualizado em 08/06/2026 • 16:33

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu nesta segunda-feira (8) a divulgação da pesquisa AtlasIntel, que trata da disputa para o cargo de presidente da República.

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Em maio, o levantamento do instituto apontou uma queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A pesquisa foi feita após uma conversa do político com o banqueiro Daniel Vorcaro ser divulgada.

A decisão de Nunes Marques é liminar e será levada para apreciação na sessão colegiada da Corte Eleitoral. O ministro considerou que há suspeitas de indução ao eleitor.

Nunes Marques analisou o pedido do Partido Liberal, que pediu a suspensão da pesquisa sob o argumento de que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram Flávio Bolsonaro, “extrapolando o papel de verificação da opinião pública”.

Em análise preliminar, o ministro considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio de investigação, e destacou que a concessão da liminar parcial – para suspender a divulgação, o impulsionamento, a republicação ou a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa – não indica perigo caso posteriormente se verifique a regularidade metodológica do levantamento.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, destacou o ministro na decisão.

Controvérsia

Nunes Marques lembrou que o CEO da AtlasIntel, em entrevista à CNN no dia 19 de maio, reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e apontou o desgaste eleitoral que isso representava.

Para o ministro, há indicativos de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou.

Na decisão, o presidente do TSE destacou que outras 27 pesquisas feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada nem veicularam áudio.

O ministro determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, especialmente em relação ao uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também terá um dia para se manifestar.

Procurada pela Band, o instituto AtlasIntel informou que só irá se manifestar após ter acesso ao conteúdo da decisão.