
Sheila quando invadiu o treino em Weggis, na Suíça
Reprodução/Paulo Whitaker/REUTERS
Resumo
A invasão de campo durante treino da Seleção Brasileira em 2006, protagonizada por Sheila Fisler ao abraçar Ronaldinho Gaúcho, tornou-se símbolo do fracasso no Mundial para muitos torcedores, mas impulsionou a trajetória pessoal e profissional de Sheila.
Reencontros de Sheila com Ronaldinho ocorreram em 2018 e 2025, ambos na Suíça durante eventos ligados ao futebol, fortalecendo a relação amistosa entre os dois e permitindo que Sheila finalmente conseguisse o autógrafo desejado desde 2006.
Sheila defende que a responsabilidade maior era da comissão técnica e mantém otimismo sobre o futuro do Brasil na Copa de 2026, apostando em surpresa e superação da equipe.
Para muitos fãs da Seleção Brasileira, o símbolo do fracasso na busca pelo hexa tem como símbolo a invasão da fã de Ronaldinho Gaúcho que o abraçou durante um treino em Weggis, na Suíça, antes do campeonato na Alemanha. Mas para Sheila Fisler, a loira responsável pelo abraço, o encontro inusitado deu o efeito contrário: a energizou e a fez crescer como mulher e empresária.
“Eu já fazia meus investimentos, mas nesse momento do abraço, os meus negócios, investimentos, veio a mim, com tanta força. Eu abri restaurante, comecei a trabalhar com meu marido no setor imobiliário, como decoradora, deu aquele impacto”, conta, ao Band Entretê.
Na época, Sheila já tinha uma loja de roupas e investia em um bar. Convidada por um amigo para ir até Weggis acompanhar um dos treinos da Seleção, a fã de Ronaldinho fez de tudo para encaixar a visita na agenda. Durante o tour, a segurança que estava no campo irritou a empresária, que decidiu tomar uma atitude na hora do descanso dos jogadores.
“Eu tinha levado uma bola para meu filho, que na época tinha 14 anos, para alguém assinar. Aí mandaram eu calar a boca, eu peguei a bola, joguei no segurança e pulei. Quando pulei, eu só corri. Lembro da minha amiga gritar: ‘Corre, capeta’”, relembra, rindo.
Ela, inclusive, diz que quem abraçou primeiro foi Ronaldinho. “Ele estava dando tchauzinho. Eu cheguei gritando que era fã, aí ele abriu os braços e disse, eu juro: ‘Vem cá loirão, vamos rolar na grama’. Ele quis brincar comigo”, relembra. Para ela, o abraço com Ronaldinho “abriu os caminhos”. “Eu já queria aquilo [sucesso], mas me passou uma energia tão positiva, que é por isso que chamo ele de Bruxo mesmo, tem algo especial mesmo”, afirma.
Após o abraço em Weggis, Sheila vive entre Portugal e a Suíça. Na produção desta entrevista, ela curtia a casa luxuosa em Algarve, que ela diz ter sido de Angelina Jolie. Ao lado do marido, a empresária diz comandar uma empresa imobiliária com negócios nos dois países, decoração e um SPA onde aluga salas para manicures, esteticistas e cabeleireiros que querem começar a vida na Suíça.
“Gosto de sempre motivar e incentivar as pessoas a crescer, então esse negócio é só meu”, diz Sheila, que afirma ter uma fazenda de laranja em Anápolis, em Goiás, comandada pelo filho dela. “Meu filho ficou sem a bola autografada pelo Ronaldinho, mas agora tem uma fazendinha”, brinca.
Da invasão ao reencontro com Ronaldinho 12 anos depois
Enquanto a vida de Sheila deslanchava, Ronaldinho seguia forte no futebol. Em 2018, três anos após a aposentadoria dos gramados, o craque reencontrou a fã que o abraçou, graças a uma bebida energética lançada com o rosto do jogador.
“Queriam um patrocinador para a bebida na Suíça e aí se eu conseguisse, fariam de tudo para eu conseguir ver o Ronaldinho”, conta. Ela conseguiu e, como em 2006, com muita ousadia. “Eu cheguei nele e já falei que era a verdadeira loira que o abraçou.
Ela conta que tudo ocorreu durante um jogo beneficente. “Ele me puxou, ficamos juntos conversando a noite inteira, estava também o Dida, o Cafu, todo tipo de jogador. Estendemos até 4 da manhã batendo papo, eu paguei uma champanhe para ele e depois cobrei um autógrafo nas roupas que usei em Weggis em 2006”, conta.
“Ele falou: ‘Você não desiste, né?’. Eu falei: ‘Tá louco? Vou ir embora sem meu autógrafo de novo? Consegui”, brincou. Sheila conta que até convidou Ronaldinho para visitá-la em Portugal ou Suíça um dia, para estreitar os laços de amizade.
Em 2025, houve um novo reencontro, também em um jogo na Suíça. “Eu fui convidada lá, dei um jeito de sair daqui de Portugal e ir para lá. Cheguei no Ronaldinho e sou enjoada, abusada. Fui entrando e ele já me reconheceu, fiz um vídeo dele para o meu filho, meu marido”, conta.
‘Figo disse que culpa do fracasso da Seleção era meu’
E não é só a torcida brasileira que faz Sheila um símbolo dos problemas da Seleção de 2006, outros craques do futebol também a rotularam como ‘azarona’. No reencontro com Ronaldinho Gaúcho em 2018, Sheila conta que encontrou também com Luís Figo, ex-craque do Real Madrid. Na ocasião, ela diz que foi apontada como a culpada pelo fracasso da Seleção Brasileira em 2006.
“O Figo, doidão, disse: ‘A culpada foi ela!’ E eu respondi, disse que se não jogou futebol direito, tremendo as pernas, a culpa é de um abraço? Eu não tive em nenhum lugar com o Ronaldinho. Abracei, a polícia me levou e acabou”, conta.
Para Sheila, o fracasso em 2006 não é só dos jogadores ou da ‘badalação’ na concentração, mas também da comissão técnica chefiada por Carlos Alberto Parreira na época. “Eu só invadi o campo mesmo e deu, valeu. E na época eu até caí fora, fui passar uma temporada em Fernando de Noronha. Mas se era muita festa, a falha é do treinador, que é responsável por tudo e pelos jogadores. Tinha que puxar a orelha deles”, afirma.
Tanto, que ela aposta que Carlo Ancelotti irá segurar os craques da Seleção desta vez. “Pode ser que ele mude as coisas, ele vai exigir mais, é mais exigente. Estou aqui pedindo para Iemanjá jogar um mar, um vento, fazer esse povo levantar as pernas”, brinca.
‘Boto fé na Seleção Brasileira’
Ainda apaixonada pela Seleção Brasileira, Sheila afirma que o Brasil pode chegar à sexta estrela nesta Copa de 2026. A empresária afirma que como há polêmicas e o povo sem confiar na Seleção, a equipe pode surpreender.
“Eu sou assim, coisa de bruxinha, vamos chegar sim. Com o Brasil a gente nunca espera, já ganhamos Copa do Mundo com jogadores menos famosos”, afirma. Ela ainda faz uma aposta: “Esse ano podemos chegar porque não tem ninguém botando fé no Brasil. É nessas diferenças, quando tem menos glória, que pode ser que venha uma nova estrelinha”.
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