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Atentado, prisão e câncer: relembre curiosidades sobre Bob Marley

Cantor jamaicano transformou o reggae em fenômeno mundial e se tornou símbolo de resistência com mensagens de paz e união

Hanna Rahal
HANNA RAHAL

11/05/2026 • 08:00 • Atualizado em 11/05/2026 • 08:03

Bob Marley

Bob Marley

Divulgação

O mundo da música celebra o legado de Bob Marley nesta segunda-feira (11), data que marca o aniversário de 45 anos de sua morte, ocorrida em 1981, em um hospital de Miami. O artista foi o grande responsável por transformar o reggae em um fenômeno mundial, levando o ritmo para Estados Unidos, Europa, África e América Latina ao lado da banda Bob Marley & The Wailers.

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Antes da ascensão internacional de Marley nos anos 1970, o reggae era restrito principalmente à Jamaica e ao Caribe. O cantor misturou ska e rocksteady com letras sobre desigualdade social, amor e espiritualidade. Canções como "One Love" e "No Woman, No Cry" ajudaram a popularizar o estilo e o transformaram em um símbolo cultural global.

Atentado e show pela paz

Apesar do sucesso e do legado indiscutível, o cantor chegou a sofrer um atentado, história retratada no filme Bob Marley: One Love. Nos anos 1970, a ilha da Jamaica viveu um dos períodos mais sangrentos de sua história, marcado por uma quase guerra civil entre jovens militantes de partidos distintos.

Pensando nesse cenário, o artista quis dar um show gratuito pela paz e pela união da juventude. Ele recebeu inúmeras ameaças, mas não desistiu. Na noite de 3 de dezembro de 1976, sua residência foi invadida por sete homens armados. Rita Marley foi atingida na cabeça no pátio da casa. Na cozinha, os músicos foram alvejados enquanto preparavam uma salada de frutas.

Um dos invasores disparou contra o peito de Marley. Surpreendentemente, apesar dos mais de 80 tiros disparados, ninguém morreu naquela noite. Mesmo ferido, o artista se apresentou no “Smile, Jamaica”. O incidente elevou as tensões no país e Bob precisou se exilar.

Prisões e o exílio na Inglaterra

Após o concerto, ele se mudou para a Inglaterra, onde gravou o disco Exodus. Mesmo sendo um artista conhecido, o cantor chegou a ser preso pela segunda vez pelo porte ilegal de maconha. Na cultura rastafári, a erva é uma planta sagrada que aumenta a consciência, e Bob defendeu sua legalização por toda a vida.

No ano de 1968, o cantor já havia sido preso na Jamaica pelo mesmo motivo. Ele permaneceu detido durante um mês e criou diversos amigos nesse período. Foi por causa dessas amizades que o astro foi influenciado a escrever músicas com mais mensagens políticas.

Família e herdeiros

O cantor se casou com Alfarita “Rita” Constantia Anderson em 1966. Na época, ela já tinha uma filha que foi adotada por ele. São onze filhos oficiais e dois filhos “não oficiais”. Além de ser um traço cultural na Jamaica, o movimento rastafári também incentiva que os homens tenham muitos filhos.

Do casamento vieram três filhos, além de outros oito com diferentes mulheres. Rita também teve uma filha fora do casamento, Stephanie, que também foi adotada pelo cantor. As letras com mensagens de união fizeram com que Bob Marley ultrapassasse barreiras culturais e se tornasse referência musical até hoje.

A luta contra o câncer

Durante uma partida de futebol (ele era muito fã do esporte) em Londres, em 1977, Bob machucou o dedão do pé direito e a unha caiu. O que parecia um acidente simples era um indício de câncer. Os médicos descobriram um melanoma lentiginoso acral e recomendaram a amputação do dedo, seguida de radioterapia e quimioterapia.

Marley e sua família recusaram o tratamento por duas razões: sua fé rastafári seguia o voto Nazireu, que proibia alterações corporais, e o músico temia o impacto da amputação em sua performance de dança no palco. O câncer se espalhou e o artista morreu em Miami, em 11 de maio de 1981. Fica a dúvida: se tivesse amputado o dedo, ele teria sobrevivido por mais tempo?

Museu e memória

Outro marco foi o lançamento da coletânea Legend, em 1984, que se tornou o disco de reggae mais vendido da história, incluindo faixas como Three Little Birds e Buffalo Soldier. Décadas depois, continua sendo a principal porta de entrada para novos fãs do gênero nas plataformas de streaming.

A antiga residência do cantor em Kingston foi transformada no Bob Marley Museum em 1987. O espaço preserva objetos pessoais, instrumentos, roupas e fotografias. O museu mantém áreas originais da casa, incluindo o estúdio utilizado por Marley, e recebe milhares de visitantes todos os anos.

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