
Chico Anysio
Reprodução/Globo
Neste domingo, 12 de abril, Chico Anysio celebraria 95 anos de idade. Considerado o maior humorista da história da televisão brasileira, o cearense de Maranguape deixou um legado que segue influenciando artistas através de seus mais de 200 personagens. Chico desenhava perfis psicológicos que serviam como espelho crítico da sociedade, da política e dos costumes do país.
De Professor Raimundo a Painho: os personagens que marcaram carreira de Chico Anysio
Professor Raimundo

O primeiro e mais icônico personagem da carreira de Chico, criado ainda nos tempos do rádio. À frente da clássica "Escolinha", o Professor dedicou a vida ao magistério e, como todo típico professor brasileiro, enfrentava a dura realidade da má remuneração. O bordão "E o salário, ó!" tornou-se um símbolo da luta da categoria.
Justo Veríssimo

A encarnação do cinismo na política, Justo Veríssimo de Santo Cristo era um deputado corrupto que não escondia sua ojeriza aos pobres. Com o bordão "Tenho horror a pobre!", o personagem era uma crítica feroz ao descaso das autoridades e à exploração das massas, sendo um dos tipos mais polêmicos e necessários de Chico.
Azambuja

Paulo Maurício Azambuja representava a malandragem carioca clássica. Ex-jogador de futebol do Bonsucesso, ele vivia de pequenos golpes e tramoias ao lado de seu comparsa Linguiça. Era o tipo que sempre tinha um plano para se dar bem sem esforço, refletindo o espírito do "jeitinho brasileiro" das décadas passadas.
Delegado Matoso

A autoridade corrupta de Chico City, sempre acompanhada pelo Cabo Hamilton. Em sua delegacia, trambiqueiros eram liberados rapidamente devido aos seus vínculos escusos com o delegado. Sua característica física mais marcante eram os dentes proeminentes e seu grande sonho era, ironicamente, entrar para a Polícia Federal.
Jovem

Jovelino Venceslau dos Santos era o retrato do adolescente rebelde e impaciente dos anos 80. Incomodado com a superproteção da mãe, ele vivia repetindo que o mundo dos adultos era ultrapassado com os bordões "Pô, mãe! Eu sou jovem!" e "Jovem é outro papo!", marcando a transição geracional da época.
Alberto Roberto

Um ator canastrão e decadente que, apesar da má dicção e do português estropiado, considerava-se um "ídalo" e um "símbalo sesquissual". Com sua característica rede no cabelo e bigodinho, ele enlouquecia diretores com seus ataques de estrelismo e o famoso bordão "Não garavo!", usado sempre que não conseguia decorar o texto.
Bento Carneiro

O "vampiro brasileiro" que trazia um inconfundível sotaque caipira. Nascido no Brasil e desnutrido, vivia em um castelo ao lado de seu assistente Calunga, mas nunca conseguia assustar ninguém por ser extremamente medroso. Era a personificação do "terror" cômico, incapaz de morder o pescoço de suas vítimas.
Painho

Um pai de santo homossexual nascido na Bahia que se tornou uma das figuras mais queridas de "Chico City". Painho era consultado por figuras importantes da sociedade baiana que buscavam previsões sobre o futuro através dos búzios. O personagem era marcado pelo carisma e pelo humor leve com que tratava o misticismo.
Coalhada

Otávio Arlindo Antunes do Nascimento, o Coalhada, era um jogador de futebol estrábico que vivia trocando de clube com a ajuda de seu empresário. Embora se achasse um craque de nível mundial, era um "perna de pau" que passava o tempo todo se defendendo das críticas ferozes da torcida e dos comentaristas esportivos.
Gastão

O senhor pão-duro por excelência, incapaz de gastar um centavo sequer, nem mesmo para comprar remédios. Sempre que confrontado sobre sua avareza, defendia-se com o bordão: “Pão-duro, não! Eu sou controlado. Quer poupar, poupa!”. Suas histórias eram repletas de exageros e mentiras que ele jurava serem verdade.
Chico Anysio morreu, aos 80 anos, em 2012: cinzas foram distribuída entre cidade natal e Projac
Chico Anysio morreu em 23 de março de 2012, aos 80 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. O humorista sofreu uma falência múltipla de órgãos decorrente de complicações cardiorespiratórias, após permanecer internado por mais de 100 dias.
Seu corpo foi cremado e as cinzas foram distribuídas entre sua cidade natal, Maranguape, e o Projac, centro de produções da Rede Globo.
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