
"Ainda Estou Aqui"
Divulgação
“Ainda Estou Aqui” foi indicado ao Oscar. Fernanda Torres foi indicada ao Oscar. O Brasil foi indicado em grandes categorias do Oscar, e o clima não poderia ser outro: o de Copa do Mundo. Apesar de a protagonista pedir para os fãs agirem de maneira diferente, os brasileiros não sabem ser nada menos do que pura emoção. Justamente por isso, o prêmio não havia causado tanto interesse no país como causou neste mês.
Pela primeira vez desde 1999, o Brasil ressurgiu na lista de Melhor Filme Internacional com o longa “Ainda Estou Aqui”. Esta é a quinta vez que o país entra nessa categoria, apesar de jamais ter levado o prêmio. E foi a primeira vez que uma produção nacional foi indicada ao prêmio de Melhor Filme.
Além disso, Fernanda Torres, que já vinha fazendo um sucesso estrondoso entre a crítica internacional e vencido o Globo de Ouro, está indicada entre as melhores atrizes. Ela concorre com Cynthia Erivo por Wicked, Karla Sofía Gascón por Emília Pérez, Mikey Madison por Anora e Demi Moore por A Substância.
Repercussão na mídia internacional
A mídia internacional ficou surpresa com a indicação do filme brasileiro "Ainda Estou Aqui" na categoria de "Melhor Filme". A obra foi muito elogiada, mas a expectativa era maior para indicações em duas categorias: "Melhor "Atriz", para Fernanda Torres; e "Melhor Filme Internacional". A presença no top 10 geral de melhores filmes era inesperada.
O site da Rolling Stone explicou como isso foi surpreendente e comemorou a indicação: "Muitos amantes do cinema estavam cruzando os dedos para que Fernanda Torres entrasse nas indicações de Melhor Atriz. Sua interpretação de uma mulher navegando por décadas de vida sob uma ditadura militar é uma vitrine e tanto, com certeza. No entanto, a inclusão do drama político de Walter Salles na categoria principal foi, francamente, um pouco de cair o queixo. Houve muito pouca conversa sobre o filme além da performance principal, mesmo com o boca a boca positivo no circuito do festival. Ainda assim, este é o primeiro filme brasileiro a entrar na categoria de Melhor Filme, e estamos felizes que um novo público de espectadores esteja prestes a alcançá-lo agora".
A Time seguiu o mesmo tom, mas lamentou que outra obra não foi indicada: "Sua presença entre os 10 primeiros foi uma surpresa. Infelizmente, algo mais teve que ir, e Sing Sing, apesar de sua indicação de Melhor Ator para Colman Domingo, acabou saindo".
A Forbes também colocou "Ainda Estou Aqui" em sua luta de surpresas: "O filme brasileiro 'Ainda Estou Aqui' surpreendeu com uma indicação de Melhor Filme, o que poucos especialistas do Oscar previram, e uma indicação de melhor atriz para Fernanda Torres, uma continuação da sua vitória no Globo de Ouro no início deste mês".
Sites especializados explicaram que a indicação de "Ainda Estou Aqui" mostra como a Academia de Cinema está cada vez mais internacional. O Gold Derby lembrou que "este é o sétimo ano consecutivo em que um filme em língua não inglesa recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme".
O Vulture, que também se surpreendeu com a indicação, chegou a dizer que atualmente as obras internacionais podem ser tão bem recebidas quanto os filmes de Hollywood na Academia: "Ainda Estou Aqui conquistou uma vaga no top 10 de Melhor Filme. Dizer que isso foi inesperado seria um eufemismo. Embora o filme tenha atraído seguidores apaixonados após os festivais de outono, ele não foi indicado para um prêmio principal em nenhum outro precursor. Algum crédito deve ser dado ao Globo de Ouro, que deu uma onda tardia de impulso, ao entregar a Fernanda Torres seu troféu de Melhor Atriz em Drama. Mas também é o sinal mais recente de uma Academia cada vez mais internacional: os eleitores superaram a barreira das legendas, o que torna um filme de época em português tão favorável ao Oscar quanto uma produção de Hollywood".
O site The Express Tribune valorizou o reconhecimento internacional que a obra gera ao Brasil.
Sua indicação histórica reflete o reconhecimento global de sua significativa contribuição cultural, exibindo a rica narrativa cinematográfica do Brasil
Já o Screen Rant, apesar de elogiar o filme, pondera que dificilmente ele conseguirá ganhar a disputa: "Suas chances de ganhar como Melhor Filme são pequenas. Com apenas três indicações, além do fato de que sua indicação para Melhor Filme é considerada uma grande surpresa, não há muitos motivos para acreditar que possa ganhar o maior prêmio da noite. Com 13 indicações, Emilia Pérez surgiu como uma favorita surpreendente, não apenas para Melhor Filme Internacional, mas também para Melhor Filme".
Fernanda Torres decisiva
Muitos veículos desfilaram elogios para a atuação de Fernanda Torres como Eunice Paixa. A Variety destacou que ela superou até "queridinhas da Academia", como Kate Winslet e Nicole Kidman.
O Deadline e o Screen Rant lembraram da mãe de Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, que já tinha recebido a mesma indicação em 1999. Naquela oportunidade a brasileira foi considerada injustiçada, o que cria uma narrativa interessante para a disputa de agora: "Dado que a derrota de Fernanda Montenegro no Oscar de 1999 é considerada por muitos uma surpresa, a ideia de que sua filha, Fernanda Torres, poderia obter uma vitória histórica se tornou uma das perspectivas mais interessantes da premiação deste ano".
Já a Far out foi mais pessimista e ressaltou que a concorrência de Fernanda Torres é forte: "Embora ela tenha sido fortemente cotada para ganhar a indicação, Torres enfrenta forte concorrência de Demi Moore, que recebeu ótimas críticas por seu retorno feroz no sucesso 'A Substância'".
O New York Times também destacou Fernanda Torres, sinalizando que a vitória dela no Globo de Ouro foi decisiva para as indicações ao Oscar: “Será que Ainda Estou Aqui teria tido um desempenho tão bom se Fernanda Torres não tivesse ganhado um Globo de Ouro pouco antes do início do processo de votação do Oscar?”.
O Hollywood Reporter também lembrou da importância da vitória no Globo de Ouro e destacou que Fernanda Torres tem sido "universalmente elogiada".
Brasileiros estão muito animados para o Oscar
Conforme dados do Google Trends e do Sala Digital Band e Google, o brasileiro nunca se interessou tanto pelo Oscar em um mês de janeiro. O prêmio costuma ser entregue no mês de fevereiro e os dados abraçam as buscas dos brasileiros na plataforma nos últimos 21 anos.
O Oscar foi criado na década de 1920, e a primeira indicação brasileira ocorreu em 1960, com "Orfeu Negro". Em 2004, o filme "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, concorreu em quatro categorias, algo inédito: direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia. Não ganhou nada.
Então, mesmo o Brasil tendo sido indicado a prêmios do Oscar em 13 edições, considerando filmes nacionais e coproduções com outros países, nunca ganhamos uma estatueta.
Tanto o filme “Ainda Estou aqui”, quanto “Fernanda Torres” reacenderam uma esperança que nunca morreu: levar o prêmio para casa. Na internet, fãs falam até de reparação, mas a verdade é que os brasileiros estão tão animados com uma possível estatueta que isso refletiu nas buscas
Ainda conforme os dados do Google Trends, o outro ano do Oscar que repercutiu tanto entre os brasileiros foi 2020 - quando "Parasita" fez história ao receber quatro estatuetas e se tornar o primeiro longa não falado em língua inglesa a vencer como Melhor Filme.
Além disso, naquele ano, a cerimônia também teve performances de Eminem e Billie Eilish.

Brasileiro nunca se interessou tanto pelo Oscar em um mês de janeiro Gráfico; Sala Digital Band e Google | Fonte: Google Trends
Sucesso de Fernanda Torres e “Ainda Estou Aqui”
Fernanda Torres, que interpreta a protagonista Eunice Paiva, importante advogada e ativista dos direitos humanos no Brasil, especialmente conhecida por sua atuação durante a ditadura militar (1964-1985), em “Ainda Estou Aqui”, ganhou um destaque positivo da crítica internacional.
Aos 59 anos, a atriz foi destacada pela revista "Vanity Fair" como um "ícone global", em uma edição que celebra seu impacto na indústria cinematográfica. Tanto a atriz, quanto o filme, já foram muito premiados. Recentemente, Torres foi eleita a melhor atriz no Globo de Ouro e agora, foi indicada ao Oscar.
Conforme dados da Sala Digital Band e Google, apurados nessa quinta (23), após a indicação da brasileira, Fernanda Torres é a atriz com maior interesse entre as indicadas ao Oscar de Melhor Atriz em 2025.

Interesse por Fernanda Torres Fonte: Google Trends | Gráfico: Sala Digital Band e Google
Além disso, “Ainda Estou Aqui” é o segundo filme de língua estrangeira com maior interesse nas buscas internacionais no Google. O longa brasileiro perde apenas para "Emília Perez", sendo o filme de língua não inglesa com mais indicações ao Oscar.
Escrito e dirigido por Jacques Audiard, "Emília Pérez" conta a história de uma traficante transsexual que decide passar pela cirurgia de redesignação de gênero. O filme é protagonizado pelas atrizes Zoe Saldaña, Selena Gomez e Karla Sofía Gascón.
O longa concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz, Melhor Direção, Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Música Original, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som, Melhor Trilha Sonora e Melhor Fotografia.
Tanto "Emília Pérez" quanto “Ainda Estou Aqui”, abriram vantagem nas buscas no Google após a divulgação dos indicados ao Oscar nesta quinta-feira (23). Isto é, foram os filmes que causaram mais curiosidade entre os fãs de cinema.

Interesse pelos indicados ao Oscar
Fonte: Google Trends | Gráfico: Sala Digital Band e Google
Sobre o que fala o filme “Ainda Estou Aqui”?
"Ainda Estou Aqui" é inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva que conta a história de sua mãe, Eunice Paiva. Fernanda Torres e Fernanda Montenegro interpretam o papel de Eunice em diferentes idades.
A jornalista especializada em cinema e colunista de BandNews FM, Flavia Guerra, analisou a importância das indicações. Para ela, o filme mostrou que o cinema brasileiro "resistiu muito nesses últimos anos".
Walter Salles, diretor do longa-metragem, afirmou em entrevista à jornalista que sua maior realização com o filme foi acompanhar três milhões de pessoas assistindo ao filme no cinema, contando as histórias de seus avós, e aprendendo sobre a história do Brasil.
"O Oscar bate lá fora e reverbera aqui dentro (...) é uma escolha muito consciente do Walter. Existem muitas abordagens sobre um tema e não tem isso de ‘já deu de filme de Ditadura’. O que dá [o tom] é a abordagem. É a gente entender a dimensão humana do que é uma Ditadura. São famílias destruídas. A família da Eunice não foi a única. O Chile tem milhares de desaparecidos, Argentina também. É uma história não só latino-americana, mas muito latino-americana", disse Flavia Guerra.
Para ela, a identificação do público internacional com o filme vem da consciência dos horrores de uma Ditadura. “O filme foi exibido na Itália e a Itália também sabe o que é o fascismo de fato. E o filme foi muito bem recebido por lá. Eu acho que a ressonância desse filme com público internacional vem disso."
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