
Foto de Saiph Muhammad na Unsplash
A busca por conexões amorosas tem se adaptado drasticamente à era digital e, no Brasil, o interesse por aplicativos de namoro tem mostrado uma ascensão notável. Segundo um levantamento da Sala Digital, parceria da Band com o Google, o interesse por "aplicativos de namoro" disparou, atingindo o maior patamar histórico neste ano, 2025.
Essa escalada reflete o posicionamento do Brasil como o segundo maior mercado mundial para aplicativos de namoro, atrás apenas dos Estados Unidos. Uma pesquisa recente, realizada pela Mobile Time e Opinion Box, indicou que 23% dos brasileiros com smartphone já tiveram um encontro com alguém conhecido por meio desses aplicativos. Esse percentual, inclusive, é ainda maior entre os jovens de 16 a 29 anos, chegando a 29%.
A expectativa é que o número de usuários de serviços de namoro online no Brasil continue a crescer, passando de 16,7 milhões em 2023 para 18 milhões em 2028, de acordo com projeções da Statista. Além disso, uma pesquisa do Opinion Box aponta que 42% dos brasileiros gostam da ideia de conhecer pessoas por esse tipo de plataforma
Os gigantes e as buscas especializadas
Entre os aplicativos mais citados pelos usuários no Brasil, o Tinder lidera em popularidade, sendo o mais usado por 43% dos brasileiros que já tiveram encontros por apps, seguido por Badoo (5%), Bumble (3%) e Grindr (3%). Curiosamente, plataformas de redes sociais como Instagram (4%) e Facebook (4%), e até mesmo o WhatsApp (3%), também são empregadas para conhecer novas pessoas. A Sala Digital ainda destaca a diversidade das buscas, mostrando o ranking de termos mais buscados nos últimos 5 anos no Google com "Aplicativos de namoro para...":
- Cristãos
- Jovens
- Estrangeiros
- Pessoas mais velhas (incluindo "terceira idade")
- Casados
- Gays
- Evangélicos
- Mulheres
- Negros
O reverso da medalha: cansaço e superficialidade
Apesar da popularidade, há um relato crescente de "cansaço" ou "burnout" com o uso contínuo dos aplicativos. Usuários se queixam da superficialidade das interações e da dificuldade em encontrar perfis verdadeiramente interessantes. A psiquiatra Carmita Abdo, da USP, observa que a dinâmica dos aplicativos muitas vezes leva a encontros que não correspondem à expectativa do usuário, o que pode abalar a autoconfiança.
Essa exaustão pode ser intensificada pela percepção de uma "uberização do amor", onde as relações se tornam mais transacionais e menos profundas. A superabundância de opções também pode levar a menos respostas às mensagens, contribuindo para o esgotamento.
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