Artistas lamentam morte de Laura Cardoso: ‘Estrela que brilha para sempre’
Miguel Falabella destacou que Laura Cardoso era gigante e tinha um talento que não cabia no corpo

Artistas usaram as redes sociais para lamentar a morte da atriz Laura Cardoso, aos 98 anos, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. A informação foi divulgada em seu perfil oficial no Instagram, na madrugada desta terça-feira (18).
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Em publicação nas redes sociais, o ator e diretor Miguel Falabella relatou sobre como conheceu Laura Cardoso e de sua admiração pela artista.
“Eu a conheci na virada dos anos 80 e, desde então, tive com ela uma amizade linda, divertida e respeitosa. Fizemos teatro, televisão, muita festa e exercitamos juntos a implantação de um ambiente solar no trabalho. Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno”, escreveu.
“Para mim, era sempre um privilégio estar com ela e assisti-la debruçar-se sobre algumas personagens, te amo, Laura! Muito mesmo! Até um dia!”, completou.
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Fabiana Karla lamentou a perda da colega de profissão. Nas redes sociais, a atriz comentou sobre a sorte que teve por estar no mesmo palco que Laura Cardodo.
“Não acredito! Na verdade, eu não aceito (…). Que sorte a minha ter tido a honra, o privilégio de estar no mesmo palco e desfrutar da sua alegria nos bastidores e aprender com a sua disciplina, que chegava 15h no teatro para se preparar para seu público às 21h”, disse Fabiana.
“Nunca vou esquecer a leveza, a generosidade e o brilho que você trazia para cada ensaio e cada apresentação. Laura tinha aquele dom raro de fazer tudo parecer simples e verdadeiro, tornando os momentos mais engraçados. Ah o olhar de Laura… Forte e dizia tudo! Trabalhar ao lado dela foi uma lição de ofício e de vida. Uma das maiores atrizes que o Brasil já teve nos deixa, mas o legado de talento, carinho e humanidade permanece”, completou.
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A cantora Maria Gadu afirmou que Laura Cardoso é “eterna”, já o jornalista Evaristo Costa destacou que a artista é “uma estrela que brilha para sempre”.
Emocionado, Tony Ramos relembrou mais de seis décadas de convivência com a atriz, iniciada ainda nos tempos da TV Tupi. “Não há como tirá-la da retina dos meus olhos ou da minha alma”, declarou o ator. Os dois contracenaram pela última vez em Caminho das Índias, de 2009.
Zezé Motta exaltou a importância da veterana para a cultura nacional. “Laura foi grande, foi inteira, foi eterna”, publicou.
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Erik Marmo, Marcelo Adnet, Gorete Milagres, Bárbara Bruno e Kiko Mascarenhas também prestaram homenagens.
Ary Fontoura, grande amigo e colega de cena da artista, a classificou como excelente profissional e que a morte dela foi uma surpresa. "Eu costumava conversar muito com Laura, quando eu precisava, era com ela que eu me aproximava, a Laura era uma pessoa muito alegre, gostava de viver", disse ao "Bom Dia SP".
Relembre a carreira de Laura Cardoso
Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, Laura Cardoso foi conhecida como dama da dramaturgia brasileira e pioneira da televisão. A artista começou a atuar ainda aos 15 anos, em radionovelas. Na televisão, estreou em 1952, com 25 anos, na TV Tupi.
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Na emissora, atuou em teleteatro, uma versão um pouco diferente das novelas que conhecemos, apenas com adaptação de peças para a TV. Depois, ela entrou de vez no mundo das telenovelas, com a obra "Tribunal do Coração". Entre os anos 50 e 60, ainda atuou em outros programas, como o "TV de Vanguarda", "TV de Comédia" e "O Grande Teatro Tupi".
Após a passagem estrelada na TV Tupi, trabalhou na Band. Ela foi uma das protagonistas de "Os Miseráveis", escrita por Walther Negrão, em 1967. NA volta para a Tupi, ela esteve no elenco da primeira novela bíblica brasileira, "O Rouxinol de Galiléia", como Maria, mãe de Jesus Cristo.
Laura ainda passou pela Record onde atuou como "A Última Testemunha" e em "Algemas de Ouro". Nos anos 70, Laura Cardoso se tornou figura frequente nas novelas, trabalhando em pelo menos 10 novelas e ganhando o APCA de Melhor Atriz de Televisão em "Os Apóstolos de Judas".
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Além de pioneira, foi recordista: trabalhou em mais de 60 novelas, sendo "A Dona do Pedaço" a última da carreira, em 2019. Mas para além da TV, a atriz também foi um grande nome do teatro: ela atuou entre 1944 e 2023 em diversas peças, tendo até se afastado da TV para se dedicar à arte.
Entre 1981 e 1983, atuou em "Brilhante", na TV Globo e nas novelas "Ninho da Serpente" e "Renúncia", na tela da Band. Ao retornar para a emissora do Rio de Janeiro, a atriz ganhou personagens que marcaram a memória dos brasileiros apaixonados por novelas.
Ela esteve em obras como "Fera Radical", "Rainha da Sucata", "Felicidade" e "Mulheres de Areia", onde foi Isaura, a mãe de Ruth e Raquel. Nos anos 90, Laura se consagrou em "A Viagem", de Ivani Ribeiro, atuando como Guiomar, mulher atormentada por Alexandre (Guilherme Fontes).
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Entre 2000 e 2010, se fincou como uma das damas da teledramaturgia brasileira. Ao longo das décadas, colecionou indicações e prêmios pelas atuações na TV, teatro e cinema. Foram cinco troféus APCA, prêmio Oscarito, do Festival de Gramado pela contribuição ao cinema nacional e em 2006 foi laureada pelo preisdente Luiz Inácio Lula da Silva com a Ordem do Mérito Cultural.
Incansável, Laura trabalhou até os 97 anos. O último papel de Laura Cardoso foi no curta-metragem “Dona Rosinha”, filme sobre abandono de idosos que também é estrelado por Bianca Comparato.
