‘Bebê Rena’ da vida real? Homem relata perseguição de vizinho por 1 ano
Após recusar investida amorosa de vizinho que se apaixonou por ele, Thainan Rodrigues enfrentou perseguição, agressões e a impossibilidade de mudar de imóvel após perder o emprego

O que parecia um simples gesto de gentileza transformou a vida do redator Thainan Rodrigues, de 33 anos, em um pesadelo prolongado. Após abrir a pesada porta de ferro de seu prédio no centro de São Paulo para ajudar um vizinho idoso com limitações físicas, o morador passou a ser alvo de uma obsessão. O vizinho se apaixonou por Thainan e, após ter a investida romântica recusada, reagiu com extrema revolta, desencadeando um ano de perseguição, ofensas e violência.
Continua depois da publicidade
A rotina de assédio começou com provocações e crises de ciúme. Em um dos primeiros episódios, o vizinho confrontou um amigo de Thainan dentro do elevador e arremessou compras contra ele. Ao tentar intervir, o redator passou a ser atacado com ofensas homofóbicas.
“Eu fui só educado com ele, abrindo a porta do prédio. Ele acabou criando essas feições em cima de mim só que tomou uma proporção de revolta que eu não imaginava”, explicou em entrevista ao Band.com.br.
Vizinho passou a vigiar cada passo de Thainan: “Eu era sempre atacado”
A situação se agravou a ponto de Thainan considerar seriamente se mudar do imóvel para ter paz. No entanto, o plano foi interrompido por um golpe financeiro: o redator perdeu o emprego no meio da crise e não teve escolha a não ser continuar morando em frente ao seu agressor.
Continua depois da publicidade
Sem conseguir sair da casa, Thainan passou a viver sob constante vigilância e o idoso deixava a porta de seu apartamento aberta para monitorar os horários de entrada e saída do jovem. Além do assédio moral e dos golpes na parede durante a madrugada para impedir o sono do redator, o vizinho agrediu comerciantes locais e empurrou um zelador de 83 anos.
Ele sempre teve nessa perseguição comigo, na rua inclusive, no mercado ele me fazia passar vergonha quando acabava tendo esses encontros indesejados, eu era sempre atacado, ele gritava, jogava caixinhas de aveia em cima de mim.
O estopim dentro do condomínio ocorreu quando o idoso encurralou Thainan no elevador e rasgou sua roupa. "Eu não conseguia decifrar qual era o próximo passo dele. Falei: 'Mano, perdi essa guerra, não dá mais'", desabafou.
Despejado e sem onde morar: um ano de medo terminou com o vizinho nas ruas
A solução veio por meio de uma ação judicial de despejo movida pela imobiliária, depois de diversas tentativas de ajuda junto às autoridades. Quando a ordem foi finalmente cumprida, o desfecho trouxe cenas marcantes para a vizinhança.
Continua depois da publicidade
“Eu nunca tinha presenciado uma situação de despejo na minha vida. Foi uma coisa realmente horrível. Independente de toda situação, eu considero muito, assim, uma pessoa de idade com problemas mentais tendo que passar por um despejo não é uma situação agradável”, lembrou Thainan.
Não é uma coisa que a gente espera ou deseja pra alguém. Infelizmente, ele infernizou a minha vida, fez o inferno na vida de outras pessoas, mas a gente não deseja esse tipo de fim pra ninguém.
Sem rede de apoio ou familiares presentes, o idoso teve seus pertences levados para um depósito e passou a perambular pelas ruas do bairro carregando suas malas. Por não conseguir se hospedar em hotéis da região devido ao histórico de conflitos, o homem chegou a passar noites dormindo sob a estrutura de uma floricultura em uma praça local antes de desaparecer da região.
Depois do pesadelo, a história de Thainan viralizou
Apesar do desgaste emocional, o período de tensão acabou fortalecendo os laços comunitários no centro de São Paulo. Thainan e outros moradores afetados pelas atitudes do idoso criaram uma rede de apoio mútuo, onde a solidariedade entre vizinhos e trabalhadores do comércio local fez com que o redator se sentisse acolhido e protegido nos momentos mais críticos.
Continua depois da publicidade
Com o desfecho do caso e a saída do homem do condomínio, o relato de Thainan publicado nas redes sociais ultrapassou 1 milhão de visualizações.
Mais do que a repercussão digital, a experiência deixou marcas e aprendizados profundos sobre a valorização da rotina e da própria liberdade dentro de casa.
Eu comecei a sentir muita falta de receber meus amigos em casa, sabe? É uma coisa que eu comecei a dar um valor maior, acho que isso é muito importante. Minha casa começou a se tornar uma área restrita, inclusive para mim, e eu comecei a dar valor nessas coisas que às vezes passam despercebidas.
Para Thainan, o fim do ciclo de perseguição representou a reconquista da privacidade e dos pequenos prazeres cotidianos que haviam sido roubados durante o período de convivência com o agressor.
