
Adolpho Veloso foi indicado por melhor fotografia no Oscar
Reprodução/IMDB
O diretor de fotografia Adolpho Veloso foi oficialmente indicado ao Oscar 2026 na categoria melhor fotografia pelo trabalho no drama “Sonhos de Trem” ("Train Dreams"), dirigido por Clint Bentley e distribuído pela Netflix.
O anúncio foi feito na manhã desta quinta‑feira (22) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que realizará a cerimônia em 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Los Angeles.
O reconhecimento de Veloso, paulista de 37 anos, chega em um ano em que o cinema brasileiro figura forte na temporada de premiações internacionais. Antes da indicação ao Oscar, o profissional já havia vencido na mesma categoria, melhor fotografia, no Critics Choice Awards 2026, uma das premiações mais influentes da temporada, celebrada em Los Angeles no início de janeiro.
Veloso construiu sua carreira ao longo da última década em produções nacionais e internacionais, com um olhar marcado pelo uso de luz natural e composição rigorosa, qualidades que se destacam em “Sonhos de Trem”, filme que acompanha a saga melancólica de Robert Grainier, interpretado por Joel Edgerton, um trabalhador que enfrenta a solidão e as transformações sociais no início do século XX.
A indicação de Veloso reforça um cenário promissor para o cinema brasileiro na temporada de Hollywood. Além de “Sonhos de Trem”, “O Agente Secrete” teve 4 indicações ao Oscar: melhor filme, melhor filme internacional, melhor elenco e melhor ator para Wagner Moura.

Adolpho Veloso, o brasileiro indicado ao Oscar 2026 na categoria de melhor fotografia | Crédito: Arquivo Pessoal/Rolling Stone Brasil
Trajetória e estética
Paulista de 37 anos, Adolpho Veloso iniciou sua trajetória no audiovisual há pouco mais de uma década, acumulando experiências em publicidade, documentários e cinema independente. Formado em jornalismo, ele logo migrou para a direção de fotografia, onde desenvolveu um olhar focado no naturalismo e na criação de atmosferas imersivas.
Seu primeiro grande reconhecimento veio com o documentário "On Yoga: Arquitetura da Paz" (2017), dirigido por Heitor Dhalia, trabalho que chamou a atenção de produtores e diretores estrangeiros pela sofisticação visual.
A ascensão de Veloso em Hollywood foi meteórica e estratégica. Em 2021, ele estreou no mercado norte-americano com o drama "Jockey", dirigido por Clint Bentley, que lhe rendeu elogios da crítica e abriu as portas para novos projetos de grande escala.
A parceria com Bentley se repetiu em "Sonhos de Trem", filme ambientado no início do século XX que exigiu do fotógrafo um domínio técnico para captar a vastidão das florestas americanas e a melancolia da industrialização, utilizando iluminação natural e câmera na mão para trazer realismo à trama protagonizada por Joel Edgerton.
Além do sucesso com a produção da Netflix, o prestígio de Adolpho Veloso o levou a trabalhar com grandes nomes da indústria cinematográfica. Atualmente, ele assina a direção de fotografia de "Remain", o novo projeto de suspense do renomado diretor M. Night Shyamalan.
Para esse filme, Veloso utilizou câmeras raras em formato VistaVision, demonstrando sua versatilidade ao transitar entre o cinema de autor e os blockbusters de suspense psicológico.
A indicação de Adolpho Veloso e a presença em diversas categorias destacam um momento singular para o audiovisual brasileiro no cenário global. Nunca antes o país esteve tão presente em categorias técnicas, dramáticas e documentais, um reflexo tanto da qualidade artística quanto do reconhecimento internacional acumulado ao longo de 2025 e início de 2026.
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