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Brasil no Globo de Ouro: de ‘Orfeu Negro' ao 'O Agente Secreto'

A presença brasileira na premiação evoluiu de vitórias em produções estrangeiras até furar a bolha da categoria principal com Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho. Veja a lista completa

Da redação
DA REDAÇÃO

11/01/2026 • 12:27 • Atualizado em 11/01/2026 • 12:27

Central do Brasil (1999) levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

Central do Brasil (1999) levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

Reprodução

A relação do cinema brasileiro com o Globo de Ouro (Golden Globe Awards) é uma história de resistência, talento e uma ascensão constante. O que começou com coproduções e vitórias simbólicas na década de 1960 culminou, em 2026, em um feito inédito para a cultura nacional: a disputa na categoria principal de Melhor Filme de Drama com uma produção falada em português.

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A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, responsável pela premiação, historicamente serviu como um termômetro para o Oscar e uma vitrine para o talento brasileiro.

Veja a cronologia completa das vezes em que o Brasil brilhou no tapete vermelho, desde os clássicos do Cinema Novo até a consagração da família Montenegro-Torres e a revolução de Kleber Mendonça Filho.

🏆 As Grandes Vitórias e Indicações do Cinema Brasileiro

1. Orfeu Negro (1960)

O pontapé inicial foi dourado. Embora oficialmente creditado à França na época, a produção é uma adaptação da peça de Vinicius de Moraes, rodada no Rio de Janeiro e com elenco brasileiro. Culturalmente, é celebrado como a primeira grande vitória do nosso imaginário no exterior.

Categoria: Melhor Filme Estrangeiro.

Resultado: Venceu.

2. O Pagador de Promessas (1963)

Após conquistar a única Palma de Ouro do Brasil em Cannes, o clássico absoluto de Anselmo Duarte cruzou o oceano para ser reconhecido em Hollywood.

Categoria: Melhor Filme Estrangeiro (Samuel Goldwyn International Award).

Resultado: Indicado.

3. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1982)

O olhar cru e humanista de Hector Babenco sobre a realidade das ruas de São Paulo recolocou o Brasil no mapa da premiação após um longo hiato.

Categoria: Melhor Filme Estrangeiro.

Resultado: Indicado.

4. O Beijo da Mulher Aranha (1986)

Um marco de coprodução (Brasil-EUA). Por ser falado em inglês e dirigido por Hector Babenco, o filme conseguiu competir nas categorias principais, fora do nicho de "filme estrangeiro". Sônia Braga brilhou como coadjuvante.

Principais Indicações: Melhor Filme de Drama, Melhor Atriz Coadjuvante (Sônia Braga) e Melhor Ator de Drama (William Hurt e Raul Julia).

5. Central do Brasil (1999)

Talvez o momento de maior comoção nacional. O filme de Walter Salles não apenas venceu a categoria de filme estrangeiro, como colocou Fernanda Montenegro na elite da atuação mundial.

Categorias: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz em Drama.

Resultado: Venceu como Melhor Filme Estrangeiro. Fernanda Montenegro foi indicada.

6. Cidade de Deus (2003)

O longa de Fernando Meirelles e Kátia Lund, que mudou a estética do cinema mundial com sua edição frenética e narrativa poderosa, garantiu sua vaga na festa.

Categoria: Melhor Filme Estrangeiro.

Resultado: Indicado.

7. Diários de Motocicleta (2005)

Dirigido pelo brasileiro Walter Salles, esta coprodução internacional reforçou o prestígio do diretor na premiação.

Categoria: Melhor Filme Estrangeiro.

Resultado: Indicado.

8. Ainda Estou Aqui (2025)

O reencontro emocionante de Walter Salles com a família de Fernanda Montenegro — desta vez dirigindo sua filha, Fernanda Torres — resultou em um momento histórico.

O Feito: Fernanda Torres venceu como Melhor Atriz em Filme de Drama, trazendo a estatueta que bateu na trave com sua mãe em 1999.

Outras Indicações: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa.

9. O Agente Secreto (2026)

O filme de Kleber Mendonça Filho realizou o "impossível": furou a bolha da categoria estrangeira. Foi a primeira vez que uma produção majoritariamente brasileira competiu pelo prêmio máximo da noite.

Feito Inédito: Indicado a Melhor Filme de Drama.

Outras Indicações: Melhor Filme em Língua Não-Inglesa e Melhor Ator em Drama (Wagner Moura).

Talentos brasileiros em produções internacionais

Não é apenas com filmes nacionais que o Brasil marca presença. Os talentos são frequentemente requisitados por Hollywood:

  • Sônia Braga: Além de O Beijo da Mulher Aranha, foi indicada por Luar sobre Parador (1989) e Amazônia em Chamas (1995).
  • Fernando Meirelles: Recebeu a prestigiada indicação de Melhor Diretor pelo britânico O Jardineiro Fiel (2006).
  • Wagner Moura: Antes de sua indicação em 2026 por um filme nacional, ele já havia concorrido como Melhor Ator em Série Dramática pelo sucesso global Narcos (2016).

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