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Carnaval

Acadêmicos de Niterói denuncia perseguição política após homenagem a Lula

Escola diz ter sofrido pressões políticas e tentativas de interferência artística após desfile na Sapucaí

3 min

16/02/2026 20:37 • Atualizado há 250 dias

Acadêmicos de Niterói denuncia perseguição política após homenagem a Lula

A Acadêmicos de Niterói divulgou nesta segunda-feira (16) uma nota oficial em que afirma ter sido alvo de perseguição política e tentativas de interferência artística durante a preparação e a apresentação de seu desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

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A manifestação ocorre após a forte repercussão política e jurídica do desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tema que motivou críticas de partidos de oposição, questionamentos na Justiça Eleitoral e debate sobre os limites entre manifestação cultural e promoção política em ano eleitoral.

No comunicado, a escola agradece à comunidade e aos integrantes, mas afirma que enfrentou pressões ao longo de todo o processo carnavalesco. Segundo a agremiação, houve ataques políticos, resistência de setores conservadores e tentativas de interferência de gestores ligados ao Carnaval carioca, incluindo pedidos para alterar o enredo e questionamentos sobre o samba.

A escola afirma que não cedeu às pressões e que levou à avenida um desfile “verdadeiro, potente e coerente” com sua identidade. Também disse esperar um julgamento “justo, técnico e transparente” dos jurados.

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A nossa mensagem ecoa clara, forte e sem medo: em Niterói, o amor venceu o medo.

Campeã da Série Ouro em 2025, a escola abriu a noite de desfiles com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, que apresentou a trajetória pessoal e política do presidente.

O desfile misturou episódios biográficos e acontecimentos políticos recentes. A comissão de frente encenou a passagem da faixa presidencial para Dilma Rousseff e fez referência ao impeachment de 2016, com a participação simbólica do ex-presidente Michel Temer. Outra ala representou Jair Bolsonaro caracterizado como palhaço atrás das grades.

Também houve menções a programas sociais, debates trabalhistas e símbolos associados ao partido do presidente. Lula deixou o camarote da prefeitura e desceu à pista durante o desfile, acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes.

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A primeira-dama Janja Lula da Silva era aguardada em um dos carros alegóricos, mas decidiu não desfilar, segundo sua equipe, para evitar possíveis ataques à escola. Ela assistiu à apresentação de um camarote e foi representada pela cantora Fafá de Belém.

“Mesmo com toda segurança jurídica de que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, poderia desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma Escola de Samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida”, diz trecho da nota enviada à Band pela equipe da primeira-dama.

Reação política e questionamentos

A nota da escola foi divulgada no mesmo dia em que o PL pediu providências da Justiça Eleitoral contra Lula, alegando que o desfile teve “conotação político-eleitoral” e poderia configurar irregularidades relacionadas ao uso de recursos públicos.

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Segundo o partido, a apresentação teria extrapolado a homenagem cultural e incorporado elementos de promoção política.

O PT afirmou que o desfile foi uma manifestação artística autônoma da escola, sem participação, financiamento ou coordenação do presidente, ou da legenda. O partido sustenta que a Constituição garante liberdade de expressão cultural e que não houve pedido explícito de voto.

Debate jurídico em andamento

O caso foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Tribunal de Contas da União. Parlamentares da oposição questionam se recursos públicos destinados ao fomento cultural poderiam ter sido usados, ainda que indiretamente, para promover um governante em exercício.

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O TSE já negou pedidos de liminar para barrar o desfile, mas o processo continua em análise, com manifestação do Ministério Público pendente. A controvérsia reacendeu discussões sobre o papel do Carnaval como espaço de crítica social e expressão política, especialmente em contextos eleitorais.

Na nota divulgada após o desfile, a Acadêmicos de Niterói afirma que seguirá “firme, com o povo e atenta”, em meio às repercussões políticas e judiciais do caso.

Acadêmicos de Niterói denuncia perseguição política após homenagem a Lula