Carnaval

130 anos após primeira marchinha de Carnaval, ritmo ainda anima a folia

Com versos curtos, refrãos populares e muito bom humor, ritmo embala blocos de rua e festas em clubes

Da Redação
DA REDAÇÃO

28/02/2019 • 05:02 • Atualizado em 28/02/2019 • 09:03

[template id="16616917" tipo="video"]Nem parece que faz mais de cem carnavais, ou 130, para ser mais preciso. Em 1889 foi composta a primeira marchinha da história: Ô Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga.

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A marchinha pode ser comparada a um desenho, uma charge. São versos simples, curtos, que em geral retratam um momento específico com muito bom humor e ironia.

“O olhar do compositor de marchinha, em geral, é esse olhar do cronista, de quem que vai observar um costume, a menina de biquíni, ou a cabeleireira do cara que está um pouco maior, ou uma charge política”, explica Pedro Paulo Malta, pesquisador musical.

Embaixadora das marchinhas

O ritmo ganhou popularidade a partir da década de 1920, e teve uma embaixadora de peso: Carmen Miranda. O primeiro grande sucesso da cantora foi uma marchinha, no início da década de 1930, chamada Taí.

O disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, um recorde para a época. Carmen Miranda foi aclamada como "a maior cantora do Brasil" e deu inicio a bem sucedida carreira internacional.

“Ela levou essa estética da brasilidade para os Estados Unidos. Era uma estética que incluía também as músicas de Carnaval, incluía o repertório carnavalescos, e consequentemente incluía também as marchinhas de Carnaval”, resume o historiador Bruno Felippo.

Entre as cerca de 300 músicas gravadas por Carmen Miranda, as que fizeram mais sucesso são marchinhas. Com elas, a pequena notável se tornou a artista brasileira de maior projeção no exterior até hoje - 110 anos depois de seu nascimento.

Rei das Marchinhas

As marchinhas dominaram o Carnaval carioca até a década de 1970 e o principal nome nesse período final é o do músico João Roberto Kelly. Não é a toa que ele ficou conhecido como o rei das marchinhas. Foram vários clássicos, como Mulata Bossa Nova.

“Eu gosto de fazer uma marcha com certo poder de síntese; uma primeira parte que você possa cantar com facilidade, e uma segunda parte contando a história e o principal; e não fazer uma música vulgar, fazer uma musica que seja original. Apesar da brincadeira, não tem vulgaridade, nem na letra e nem na música. O Carnaval é uma grande brincadeira”, ressalta Kelly.