Carnaval

Acadêmicos de Vigário Geral: tudo sobre o desfile na Série Ouro 2025

Acadêmicos de Vigário Geral desfila na Série Ouro do Carnaval 2025 do Rio de Janeiro; saiba tudo sobre o enredo, comissão de frente, alas, musas e mais:

Por Redação
REDAÇÃO

26/02/2025 • 22:01 • Atualizado em 26/02/2025 • 22:01

Enredo: "Ecos de um Vagalume". Em 2025, a Vigário Geral invoca as letras do jornalista e realiza o encontro de dois cronistas muito populares: o próprio Vagalume, coroado como Rei do Carnaval, e a escola de samba, autêntica intérprete das ruas do Rio de Janeiro. É para exaltar a vida dos que sobrevivem nas rachaduras da urbe idealizada que as crônicas de Francisco Guimarães atravessarão a Sapucaí.

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Comissão de frente:

Significado: Epifanias Literárias Coreógrafo Handerson Big 15 Componentes masculinosA comissão representa o próprio jornalista Francisco Guimarães envolto as suas anotações e publicações, sobre personagens que sempre estiveram à sombra na sociedade. Ao mesmo tempo em que se nota a presença física dele, vemos também ele na forma híbrida entre homem manuscrito e a sua famosa alcunha, o vagalume.

Nome do mestre-sala: Diego Jenkis

Nome da porta-bandeira: Thaina Teixeira

Fantasia: anoitecer no Rio

O que representa: depois que o Sol repousa no horizonte, a Lua ilumina os notívagos. É ela que vai guiar os passos de Vagalume pelo Rio de Janeiro que ainda não está nos jornais. Sua jornada começa na noite que o 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Vigário Geral representam. Uma noite azul escuro como a do pavilhão da escola e com o brilho dourado dos astros noturnos.

Abre-alas: lampejos de uma noite carioca

O que representa: a primeira alegoria do desfile representa o universo de práticas culturais que Vagalume jogou luz, enquanto cronista da noite carioca na coluna Ecos Noturnos. Foram bares, teatro ligeiro, operetas, circos de cavalinhos e outras formas de entretenimento que o povo negro, suburbano e pobre frequentava em seu tempo livre. Distante dos grandes bailes e do Theatro Municipal com suas companhias europeias, Vagalume mostrou que a diversão do pobre também merecia as folhas dos jornais.

Destaques principais:

  • Jorge Luz – Fantasia: mestre do picadeiro

Semi-destaques frontais:

  • Fantasia: Luz do Entretenimento

Semi-destaques traseiros:

  • Fantasia: Brilho da Noite

Composições:

Significado: damas do cabaré

Velha-guarda:

Significado: respeitável público

Pela primeira vez na história da Vigário Geral, a velha-guarda vem no carro abre-alas. Essa posição é uma homenagem aos primeiros boêmios da escola, povo que, ao longo dos anos, Carnaval após Carnaval, é guardião do samba. Além disso, atores do Musical “Benjamim, O Palhaço Negro” interpretam uma trupe de teatro mambembe em frente à boca de cena da alegoria para representar as peças populares e o teatro de rua que Vagalume cobriu em suas noites de cronista.

Segunda alegoria: a legitimação do axé

O que representa: a segunda alegoria do desfile apresenta o resultado do trabalho de Vagalume sobre as religiões africanas. Ao deixar de lado o tom condenatório em voga durante a Primeira República, que inclusive criminalizava essas práticas, o cronista legitimou o axé nas páginas dos diários cariocas ao celebrar rituais, cerimônias e figuras com admiração e respeito ao longo da sua série de reportagens intitulada Mistérios da Mandinga. A alegoria celebra a herança religiosa destes homens e mulheres que Vagalume destacou em suas crônicas.

Destaque principal:

Frontal-inferior:

  • Leonardo Diniz – Fantasia: espírito ancião

Destaque principal frontal-superior:

  • Edmilson – Fantasia: religiosidade africana

Destaque principal superior:

  • Robson Pantoja – Fantasia: fé ancestral

Semi-destaques laterais:

Significado: Herança Religiosa

Composições:

Significado: raízes afro-brasileiras

Esta alegoria reúne Babalorixás e Yalorixás da cidade do Rio de Janeiro convidados pela Mãe Márcia Marçal em homenagem ao povo do Axé, que ainda hoje luta por respeito e reconhecimento. Ela também traz os baluartes da escola, figuras de destaque da comunidade que contribuem com a realização do desfile.

Terceira alegoria: o rei da folia popular

A última Alegoria do desfile da Acadêmicos de Vigário Geral representa a coroação do Vagalume como maior cronista da folia popular. Ela reúne símbolos do carnaval que durante anos o jornalista deu destaque em seus textos. Ao colocar nas páginas dos jornais a alegria do povo, Vagalume contribuiu para o reconhecimento das práticas culturais negras e periféricas. Sua coluna Clubs e Foliões foi, por décadas, a maior referência sobre práticas culturais do Rio de Janeiro.

Destaques principal central:

  • Paulo Cavalcante – Fantasia: Alegria Momesca

Semi-destaques superiores:

Significado: folia coroada

Semi-destaques laterais:

Fantasia: seguidores do cortejo carnavalesco

Semi-destaques inferiores:

Fantasia: filhas do Carnaval

Composições:

Significado: foliões dos antigos Carnavais

Esta alegoria traz o ator, dramaturgo, ativista e articulador cultural Rodrigo França representando o Vagalume coroado em sua parte frontal. Tanto o trabalho de Rodrigo na atualidade quanto o de Francisco Guimarães antigamente tem como ponto de partida o protagonismo do povo preto. Além disso, familiares de Francisco Guimarães também se fazem presentes nesta homenagem na varanda frontal da alegoria.

Ala 1 – baianas – exaltação à boemia

Ala 2 – reportagem da madrugada

Rainha da escola – Andréa Jordi – céu estrelado

Ala 3 – o primeiro mandingueiro

Musa – Natália Sordyl – a travessia do atlântico

Musa – Raphaella Nascimento – mar africano

Ala 4 – a caravana negra

Musa – Alessandra Prudêncio – ancestralidade malê

Musa – Dom Yann – Marabu

Ala 5 – Assumano, o príncipe dos alufás

Ala 6 – Abedé De Ogum

Ala 7 – Alabá De Omolu

Ala 8 – festa no terreiro

Musa – Patty Frey – sabedoria afro-brasileira

Ala 9 – raízes baianas

Ala 10 – Dudu Das Neves, trovador popular

Ala 11 – sinhô-rei

Ala 12 – passistas – o Carnaval dos pequenos salões

Rainha de bateria – Carol Padilha – inspiração quimbundo

Ala 13 – bateria – lalu de ouro, bom de pernada

Musa – Réguita Teixeira – festa da turma dos cronista carnavalescos

Musa – Marcelly Frazão – nobre amor dos fevereiros

Ala 14 – concursos carnavalescos

Ala 15 – compositores – guardiões do estribilho

Musa – Angela Nascimento – coroa de flores

Ala 16 – festa da penha, o segundo carnaval

Musa – Marta Laleska – devoção suburbana

3º alegoria – o rei da folia popular

Ala 17 – amigos da imprensa carnavalesca

Samba-enredo

Autores do samba-enredo: Marcelinho Santos, João Vidal, Romeu d'Malandro, Jorginho Via 13, Julio Cesar, Telmo Augusto, Mauricio Amorim, Marcos Barberino, Edu Casa Leme, Ricardo Simpatia, Rafael Gonçalves e Totonho.

Caneta preta na branquitudeMeu lume é atitude, vaga no ecoarA mente acesa pra redigirA lua a persistir, subúrbio de inspirarÉ que a escuridão ilumina à farolA quem não tem lugar ao solSou, por eles, lona armadaPelos trilhos da escritaVou “servindo” um prato cheio por quem vive de marmita

São ecos noturnos, pelos submundos eu vou bandearDeixa serenar...Vadeia!Lá no alto do morro pedimos socorro para o orixá!Ô Deixa girar...Bambeia!

Madrugadeou…onde o samba faz moradaE ao som da batucada, copo cheio, pele nuaÉ perfume da rua, lançado por notas musicaisNobre amor dos fevereiros dos antigos carnavais

O sino da igrejinha faz belém-blém-blom

Astro Rei que anuncia, que o nego tem batenteCom prazer sou Vagalume pra acender a sua menteEu vivi há muito tempo pra mudar os amanhãsE lembrar que quem quiser será Francisco GuimarãesA cultura do povo… tem a cor do BrasilUm diploma na mão faz calar o fuzilNos jornais da história um lugar mais igualPra não esquecer de quem deu a vida a Vigário Geral

Caneta preta na branquitudeMeu lume é atitude, vaga no ecoarA mente acesa pra redigirA lua a persistir, subúrbio de inspirar

É que a escuridão ilumina à farolA quem não tem lugar ao solSou, por eles, lona armadaPelos trilhos da escritaVou “servindo” um prato cheio por quem vive de marmitaSão ecos noturnos, pelos submundos eu vou bandearDeixa serenar...Vadeia!Lá no alto do morro pedimos socorro para o orixá!Ô Deixa girar...Bambeia!