Carnaval

Arranco do Engenho de Dentro: tudo sobre o desfile na Série Ouro 2025

Arranco do Engenho de Dentro desfila na Série Ouro do Carnaval 2025 do Rio de Janeiro; saiba tudo sobre o enredo, comissão de frente, alas, musas e mais:

Por Redação
REDAÇÃO

25/02/2025 • 13:11 • Atualizado em 25/02/2025 • 13:11

Enredo: Mães que Alimentam o Sagrado. Em 2025, a escola Arranco traz um enredo que fala da luta das mulheres e das mães para alimentar seus muitos sagrados: os múltiplos tipos de fé na pluralidade do Brasil e seus filhos e família.

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O enredo parte da ancestralidade africana para narrar essa saga de fé, força e luta diária das mulheres.

1º setor

Comissão de frente:Significado: As Donas do MercadoCoreógrafo: Lipe Rodrigues e Márcio DellawegahComponentes: 15 componentes aparentes e 4 componentes para a troca, que produzem possibilidades para imagem de 4 divindades: Oxum, Nossa Senhora Aparecida, Cabocla Jurema e a Mãe Terra.

Nome do mestre-sala: Diego Falcão

Nome da porta-bandeira: Laryssa Victoria

Fantasia: Ìyá Ni – A Mãe é Ouro.

O que representa: A fantasia da porta-bandeira representa a mãe, que para as sociedades Yorubá é sagrada, em tons de amarelo e dourado, pois mãe é ouro, sendo cortejada pelo Falcão, símbolo da escola. A fantasia do primeiro de casal de mestre-sala e porta-bandeira foi feita pelo Ateliê Belinha Delfim.

Ala 1: ventre das mães áfrica

A fantasia faz uma homenagem as mães ancestrais, as grandes feiticeiras, mulheres-pássaro, segundo a cosmogonia Yorubá, como a África como esse ventre que gerou o mundo.

Ala 2: Gèlèdè – expressão e sabedoria feminina

A fantasia faz uma homenagem ao Gèlèdè, um festival de máscaras que exalta o feminino e as mães ancestrais, cultuadas em uma sociedade de mesmo nome.

Ala 3: baianas - Yemọja – o acalento na travessia

A fantasia é uma homenagem a Yemọja, orixá feminina, originária da região de Abẹ́òkúta – atualmente na Nigéria – que, segundo a cosmogonia Yorubá, seria filha de Olokun. Seu nome é a junção das palavras yèyè (mãezinha) + ọmọ (filho) + ẹja (peixe) que significa “A mãe dos Filhos Peixes”.

1º alegoria: esse chão é curimba de mulher

A alegoria é um grande terreiro, que homenageia as casas fundadoras do Culto aos Orixás no Brasil, mostrando que as mulheres foram os troncos fundadores desses terreiros. A alegoria ainda faz um Xirê – uma gira de Candomblé.

Destaque frontal: Maria Eduarda – A filha Peixe

Destaque central baixo: Mãe Marcia Marçal – Yalorixá que Homem Nenhum Enfrenta

Destaque central alto: Fábio Sande – Oxum – A Ìya da Fertilidade

Semi-destaque lateral: João Luís e Júnior Bispo

Fantasia: acalentados pelas Águas de Yemọja

Composição no giratório: Ṣiré das Òriṣà Mães: Ọ̀ṣùn, Ọya, Ọbà, Yewá, Nàná e Yemọja.

Composição lateral alta: ganha a Rua Quituteira

Composição alta (sentada): Ageum no Terreiro

2º setor: pluralidade

Ala 4: feijoada para São Jorge

A feijoada faz uma homenagem a devoção das mulheres ao Santo guerreiro, fazendo do corpo um altar para lhe oferecer a feijoada, colocando na barra da saia a força das baianas que preparam a comida nas escolas de samba.

Musa 1: Monique Bahia – A Rainha do Angu

Na festa do Rosário dos Pretos em Minas Gerais, há sempre uma rainha festeira, responsável por oferecer o angu, na quinta-feira da novena, na porta de sua casa.

Ala 5: o Angu na Congada do Rosários dos Pretos

As festas a nossa senhora do Rosário incluem muitos festejos, entre eles a congada, que segue por diversas cidades de Minas Gerais com bandeiras, estandartes e uma novela que, na quinta-feira, reúne as mulheres para lavar as escadarias da igreja e, depois, comer o Angu na porta da casa da Rainha Festeira.

Ala 6: Festa de Nossa Senhora dos Navegantes

Em Porto Alegre, os festejos a Nossa Senhora dos Navegantes entrelaçam às celebrações entre a fé católica e o encanto por Iemanjá: foguetório, barracas coloridas e o perfume das oferendas preenchem o ar.

Musa 2: Kemla Batista – Resplendor de Fé (Prata)

A musa simboliza o resplendor de fé em Nossa Senhora de Nazaré.

Musa 3: Kennadi – O Brilho da Coroa de Maria (Dourada)

A musa simboliza o brilho da coroa de Nossa Senhora de Nazaré.

Ala 7: as Tacaqueiras do Círio de Nazaré

Desde o século XIX, pelas ruas de Belém, as tacacazeiras são guardiãs de uma tradição que mistura sabores e histórias: o preparo e a circulação do Tacacá. Em suas bancas, pelas calçadas da cidade, se sente o perfume singular do prato que une heranças indígenas, africanas e europeias.

Curiosidade: a fantasia foi reproduzida pelo mesmo ateliê que fez a comissão de frente.

Ala 8: a fé de Iaçã ao amar depois do fim: o açaí

A fantasia faz uma homenagem ao pé do açaí, representando a força e a esperança da Iaça que, ao ver sua filha e se abraçar com a árvore, viu o fruto que alimentou seu povo.

Musa 4: Brasil terra indígena – a mãe da Mani

A musa representa a mãe de Mani que, ao enterrar o corpo da filha em sua oca e regar com suas lágrimas, viu nascer um fruto que alimentou seu povo.

Ala 9: passistas – Mani oca: mandioca, o alimento do Brasil

A fantasia faz uma homenagem à mandioca, alimento muito versátil do Brasil, com muitas formas de cultivo e de consumo, alimenta muitas pessoas pelo País.

Rainha de bateria: Gisele Farias – a pomba branca de Oxalá

Nossa rainha de Bateria simboliza a pomba branca lançada na saída do Afoxé.

Mestre Gilmar Cunha: Exu Bara, senhor da riqueza e do corpo

O mestre vem fantasiando de Bara, senhor da riqueza e do corpo para receber o Padê na avenida e abrir caminhos para o Afoxé da bateria.

Ala 10: bateria – homenagem às filhas de Ghandi: a mulher ganhando as ruas

A fantasia da bateria faz homenagem ao tradicional Afoxé filhas de Ghandi, como forma de reverenciar a luta das mulheres em conquistar a rua.

Ala 11: quitutes de Milho – a devoção aos santos juninos

A fantasia faz homenagem às quadrilhas juninas, tradicionais nas festas de junho, em devoção aos santos do mês: Santo Antônio, São João e São Pedro. Na fantasia, os desfilantes trazem os quitutes de milho, além das espigas, exaltando a importância desse alimento

Musa 5: Kamila Reis – as sementes de esperança do sertão

A musa representa a fé e a esperança nas sementes plantadas no sertão, com a esperança de que elas floresçam.

2º alegoria: fé na Natureza – o alimento vem da Terra

A alegoria traz, ao centro, a árvore do umbuzeiro, com galhos capazes de armazenar água, representada por um busco feminino, a natureza como mãe. Euclides da Cunha, em Os Sertões, diz que a árvore é uma esperança para o sertão.

Destaque frontal: Samile Cunha – Fantasia: o relicário do sertão

Destaque alto: Thingo Palma – Fantasia: santa mãe da natureza

Semi-destaque lateral: a fé no divino

Composição frontal: as romeiras e os romeiros do sertão

Composição lateral: benzer com fé aos pés do Umbu

Composição performática central: a força da mãe Terra

3º setor: diversidade

Ala 12: arando a Terra – a luta por um mundo sustentável

A fantasia homenageia as muitas mulheres e homens que trabalham no cotidiano com o trabalho com a terra, lutando por um plantio mais sustentável

Musa 6: Stacey – a preciosidade do solo

A musa exalta as preciosidades do solo fértil do Brasil: frutas, verduras, legumes.

Musa 7: Loreta – o verde é tesouro

A fantasia tem uma proposta de exaltar as mulheres que todos os dias buscam, onde não há beleza, seu alimento e seu sustento.

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira:Nome do mestre-sala: Walber NegreirosNome da porta-bandeira: Anderson MorangoFantasia: não sucumbir ao enlatado

Significado: a fantasia do 2° casal traz um alerta para o alto consumo de alimentos enlatados.

Ala 15: genocídio alimentar – não se render aos alimentos processados

A fantasia, de forma lúdica, faz um alerta aos excessos no consumo de alimentos processados.

Musa 8: Marcelly Pitanga – as páginas de saberes do livro de receitas

A musa representa as páginas das receitas, registradas em cadernos, por nossas antepassadas e que, até hoje, estão presentes em nossas famílias, como forma de preservar seu legado. Marcelly foi escolhida para ser esta musa, pois preserva o legado de sua família no Arranco, já que sua avó foi a 1° porta-bandeira da escola.

Ala 16: o poder da cozinha – o gesto sagrado de alimentar

A fantasia exalta o esforço das mulheres e mães em seu esforço diário para continuar cozinhando a comida com tempero de mãe para as suas famílias.

Ala 17: caridade vem de mãe – a simplicidade como virtude

A fantasia exalta a simplicidades dessas mães que mesmo tendo muito pouco, insistem em dividir o que tem com quem necessita.

Ala 18: compositores – mães atípicas: amor e gesto de cuidado

A ala dos compositores faz homenagem às mães atípicas, mulheres dedicadas a cuidar dos filhos e filhas com neuro atipicidades, muitas vezes abdicando a própria vida pelos filhos. A escolha da ala dos compositores é uma forma reverenciar o legado do enredo de 2024, por causa das oficinas musicais no Instituto Nise da Silveira.

Ala 19: quem disse que mulher é frágil? Um protesto pela nova mátria

A última ala do desfile é um verdadeiro protesto por igualdade e respeito, unindo vozes em prol de uma nação mais igual.

Musa 9: madrinha da escola – Mari Mola: mães pela diversidade

A madrinha da escola homenageia às mães de pessoas LGBTQIAPN+, que sofrem todos os dias com seus filhos e filhas, e os resguardam dos preconceitos, criando em seus lares, ambientes seguros.

3º alegoria: a nova mátria nascerá!

Da ocupação das ruas, novos caminhos para uma nova nação nascem. Uma nação onde as mulheres serão respeitadas e ouvidas.

Destaque Principal: Elena Amara – fantasia: sagrada mãe

Convidadas na alegoria: Dandara Suburbana e Fabiola Machado

Velha Guarda: memórias ancestrais

A alegoria traz uma série de mulheres homenageadas, como símbolos dessa mátria.

Estandartes:

  • Fernanda Torres e Fernanda Montenegro (atrizes; filha e mãe)
  • Bia Souza (judoca) e Rebecca Andrade (ginasta) [medalhistas olímpicas]
  • Erika Hilton (deputada federal – ativista pelos direitos das pessoas trans)
  • Maria da Penha (ativista do direito das mulheres)

Bandeiras:

  • Rosa Magalhães (in memoriam) – carnavalesca
  • Marcia Lage (in memoriam) – carnavalesca
  • Maria Augusta – carnavalesca
  • Conceição Evaristo – escritora
  • Dona Ivone Lara (In Memoriam) – cantora e compositora
  • Elza Soares (In Memoriam) – cantora
  • Sonia Guajajarara – ministra dos povos originários
  • Gloria Maria (in memoriam) – jornalista
  • Luana Muniz (in memoriam) – ativista pelos direitos trans
  • Catia Drummond – presidente da Imperatriz Leopoldinense
  • Santa Dulce (in memoriam) – freira e primeira santa brasileira
  • Nise da Silveira (in memoriam) – psiquiatra
  • Guanaira Firmino – presidente da Estação Primeira de Mangueira
  • Carmem Virginia – chefe de cozinha e apresentadora

Samba-enredo:

A Sublime Perfeição (Ôô)A Luz De ObìnrinÒriṣà Assim É RaroÉ Ìyá Que Tem O FaroPra Amar Depois Do FimAs Senhoras Do SegredoDo Feitiço E Do TemperoSua Força É Gẹ̀lẹ̀dẹ̀E Na Grande EncruzilhadaOceano Foi EstradaSem Perder A Sua FéQuero Benção De Mainha Milagrosa BenzedeiraÌyágbásé Rege A CozinhaGanha A Rua QuituteiraÌjẹ̀ṣà …Pão Da Terra É PàdéSe O Pedido Vem Do Ventre, Só A Fé Vai ConceberAra Que Teu Seio Tem FulgorE Semeia De Amor Pela Forma Mais PerfeitaRega Pelas Lágrimas De DeusCada Um Dos Filhos SeusA Paixão Pela ColheitaEmbala Eu Mamãe…Teu Colo É Chão Onde Eu Quero MorarAssim A Nova Mátria NasceráEntregue A Elas O Poder“Rogai Por Nós,Santa Dos Altares E Terreiros!”Maria Me Envolva Em Teu MantoÓ Mãe Preta Do Arranco!

É Samba De Ìyàwó, Na Curimba De MulherQuem Não Pode Com Mandinga,Não Carrega Meu ÀṣẹTenho Sangue De Rainha, Que O Sagrado AlimentaIyálorìṣa Que Homem Nenhum Enfrenta