Carnaval

‘Brincar o Carnaval com a ideia ativista de se ocupar a rua é recente’, diz Alê Youssef

Secretário de Cultura falou sobre a consolidação da folia paulistana no calendário do país

Da Redação, com Rádio Bandeirantes
DA REDAÇÃO, COM RÁDIO BANDEIRANTES

14/02/2020 • 16:06 • Atualizado em 14/02/2020 • 16:12

Bloco Esfarrapado arrasta foliões pelas ruas do Bixiga

Bloco Esfarrapado arrasta foliões pelas ruas do Bixiga

Divulgação/Facebook

Em apenas uma década, São Paulo viu o número de blocos de rua durante o Carnaval saltar de apenas 8 para 644. Para o secretário de Cultura Alê Youssef, a história de ocupação da cidade demonstra a importância da data para o calendário paulistano.

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"São Paulo está estabelecido hoje como um dos maiores centros carnavalescos do Brasil e essa história é muito bonita, pois remete a uma mistura da busca pelo direito de ocupação das ruas da cidade através da nossa maior festa popular", diz o secretário à Rádio Bandeirantes.

"Durante muitos e muitos anos, alguns blocos fizeram Carnavais na cidade de forma muito resiliente, num momento em que não se tinha essa tradição. Podemos citar a Banda Redonda, o bloco Esfarrapado, o bloco Vai Quem Quer. Essa mistura de brincar o Carnaval com a ideia ativista de se ocupar a rua acontece, de fato, 10 ou 12 anos atrás", explica.

"É aquela ocupação que promove uma cidade mais bonita, humana, colorida, diversa, segura e melhor de se viver. [Ocorre] uma disputa pela rua, pelo direito de caminhar pela cidade. Essa história do Carnaval é recente, mas foi importante para que a gente transformasse São Paulo em um polo importante do Carnaval no Brasil", completa.

"Nós fizemos um modelo em São Paulo que se caracteriza por ser livre, permite que qualquer pessoa possa se inscrever e é democrático. Não permite a comercialização do espaço público, através da venda de abadás, e é totalmente gratuito. Também é descentralizado, porque acontece na cidade inteira. Tem desfile nas 32 subprefeituras", comemora o secretário.

De acordo com Alê Youssef, o grande protagonismo da festa é o cidadão. "Eles que abraçaram os cordões, os blocos, as fanfarras e foram para a rua. A gente sempre fala, internamente, que a cidade tem que ser a plataforma para as pessoas ocuparem e fazerem a sua festa na sua plenitude", garante, citando as medidas de infraestrutura que serão tomadas para garantir a segurança dos foliões.

Na área da limpeza e segurança, a Prefeitura disponibilizará por dia 2750 banheiros, 100 caminhões de sucção, 2947 agentes de limpeza, 5700 grades, 970 gradis, 970 tapumes, 505 contêineres, seis torres de observação, 15 mil policiais, 12 helicópteros e 50 drones. Também foi montado um sistema de reciclagem, dedicado ao lixo produzido durante a folia.

A pedido da Polícia Militar, a maioria dos desfiles acabarão até às 19h e nos trajetos dos megablocos haverá controle de acesso realizado por gradis. "Fizemos tudo por determinação da polícia, onde haverá controle de acesso, câmeras e presença física das tropas para garantir a segurança efetiva dos foliões. A região do Largo da Batata foi suprimida da lista de grandes trajetos, por exemplo, por conta dos problemas apresentados em outros anos", conta o secretário.

Haverá ainda 1000 totens espalhados na cidade com QR Code para sites oficiais com as informações de desfiles, locais, datas e estilos de blocos. O acesso também pode ser feito através do site oficial da Prefeitura de São Paulo para o Carnaval de Rua.