Carnaval

Carnaval acidentado pode ter fim de jejum de títulos

Portela e Mangueira despontam como favoritas; Salgueiro e Mocidade têm chances

ROMULO TESI, DO RIO DE JANEIRO

28/02/2017 • 09:52 • Atualizado em 28/02/2017 • 09:58

Portela durante desfile na Sapucaí

Portela durante desfile na Sapucaí

Ricardo Moraes/Reuters

[template id="10000012224" tipo="galeria"]O portelense já deve ter se acostumado a ouvir nas manhãs de terça-feira: "agora vai". Em 2016 foi assim, mas a Mangueira "quebrou a banca" e levou o título. Em 2017, ano marcado pelos acidentes com carros alegóricos, a Portela amanhece no último dia de Carnaval novamente como favorita ao título, que não vem sem dividir com outra escola desde 1970.

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A escola de Oswaldo Cruz fez um desfile correto e sem percalços, com a marca de Paulo Barros. O enredo sobre os rios foi de fácil leitura para o público, ainda que muito amplo. O samba rendeu bem, os componentes cantaram com gana de título e a escola não teve problemas de evolução. Uma apresentação para deixar o portelense otimista, ainda que não tenha sido brilhante. O jejum de quase quatro décadas pode acabar na próxima quarta-feira de Cinzas, dia 1°. E, sim, foi o primeiro grito de "é campeã" do Carnaval.

Em seguida, a Mangueira desfilou para fechar a festa com jeitão de bicampeã, não fosse um erro grave de evolução, que deixou a Verde-e-Rosa com um vistoso buraco, bem próximo do novo módulo duplo de jurados. A perda de pontos deve ser significativa, o que pode custar o título. Ainda assim, levou o Estandarte de Ouro, prêmio do jornal "O Globo", de melhor escola. O desfile serviu para confirmar o talento do carnavalesco Leandro Vieira. Já é possível enxergar a assinatura do artista no seu segundo trabalho na Mangueira. Também recebeu gritos de campeã - no caso, bicampeã.

Na mesma turma que enfrenta jejum de títulos, a Mocidade, que não conquista o Carnaval desde 1996, desponta como uma das surpresas. O enredo sobre Marrocos acabou rendendo um bom samba, e a escola fez um desfile de alto nível, que a credencia para brigar na parte de cima da classificação. O ponto baixo foi o conjunto de alegorias.

O Salgueiro, que desfilou no domingo, aparece correndo por fora. Comparativamente, a Divina Comédia do Carnaval pode disputar as primeiras colocações. A escola não fatura um título desde 2009.

A incógnita fica por conta da Beija-Flor. Com o enredo sobre Iracema, clássico de José de Alencar. A escola inovou e trouxe, em vez de alas, grupos grandes de componentes vestidos de índios, com fantasias diferentes. Se os jurados aprovarem, a Deus da Passarela pode ser campeã.

Acidentes

Não fosse a quebra de um carro na entrada da Sapucaí, a Ilha do Governador poderia estar na briga pelo título inédito. Dependendo do tamanho da "canetada" dos jurados, passar sufoco na quarta-feira ou até voltar no próximo sábado, dia 4.

Paraíso do Tuiutí tenta ficar no Grupo Especial, e terá dificuldades para escapar, após o acidente com o carro alegórico, que deixou 20 feridos. Além disso, há o tradicional peso sobre as escolas que abrem o Carnaval.

A Unidos da Tijuca teve problemas com um carro, cuja estrutura despencou, deixando feridos. Com a alegoria parada na avenida, os problemas de evolução foram gigantescos. Título está fora de cogitação, mas não deve ser rebaixada.

Levantou poeira

Ainda no domingo, Ivete Sangalo quase transformou a apresentação da Grande Rio em um show particular. A homenageada encheu a Sapucaí de emoção, e a escola passou como um rolo compressor no início, mas o pique não foi mantido até o fim, ainda que Ivete tenha voltado da comissão de frente para encerrar o desfile no último carro. Apesar da expectativa, aparece fora do páreo pelo título, a não ser que aconteça uma grande surpresa.

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