Carnaval

Colocar um bloco na rua não custa menos de R$ 6 mil

Organizadores dos bloquinhos de bairro relatam as dificuldades para conseguir patrocínio na folia de SP

BRUNA ARTERO, DO PORTAL DA BAND

06/03/2019 • 06:30 • Atualizado em 06/03/2019 • 19:27

Público que foi ao Bloco Atrás do Copo

Público que foi ao Bloco Atrás do Copo

Bruna Artero

O Carnaval é uma festa muito esperada pelos foliões, mas o que a maioria não sabe, é que os blocos paulistas enfrentam muita dificuldade para conseguir desfilar pelas ruas. Segundo organizadores dos desfiles, o maior problema é conseguir recursos financeiros, onde o custo mínimo é de R$ 6 mil, além de depender de divulgação “boca a boca” ou de redes sociais.

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Entre os 570 blocos programados para o Carnaval em São Paulo, existem os mais tradicionais e os que são formados por amigos que querem se reunir para curtir esses dias de festa. O Portal da Band teve a oportunidade de conversar com alguns desses blocos para conhecer detalhes da organização.

Rose Gomes, uma das responsáveis pelo Bloco Atrás do Copo que fica localizado em Veleiros, na Zona Sul de São Paulo, contou que os patrocínios conquistados foram de estabelecimentos do próprio bairro, que colaboraram com aproximadamente R$ 150 cada.

No Carnaval do último ano, o bloco registrou prejuízo e os responsáveis precisaram tirar dinheiro do próprio bolso para pagar as despesas. Já pensando nos desfiles de 2020 e garantir os R$ 6 mil necessário sem custos, os organizadores do Atrás do Copo decidiram começar a arrecadação junto com a folia deste ano, vendendo 100 abadás “colaborativos” a R$ 40.

A Prefeitura se comprometeu a enviar gratuitamente banheiros químicos para o desfile no bairro de Veleiros, que ocorreu em 24 de fevereiro. No entanto, a promessa não foi cumprida, o que gerou insatisfação dos foliões.

Patrocínio também é necessário nos mais tradicionaisO Bloco do Beco, no Jardim Ibirapuera, na Zona Sul, tem 16 anos de fundação. O desfile deste ano ocorreu neste último sábado e foi o primeiro que contou com patrocínio, que bancou a festa com R$ 28 mil, necessário para montar a estrutura, som e ensaios. “Estamos muito felizes em ter o gostinho de poder realizar o Carnaval com a qualidade que todos os que fazem cultura merecem. E não como acontecia antes, em que os recursos ficavam centralizados”, contou Luiz Claudio de Souza, organizador do bloco.Além da CapitalO Bloco do Cadinho, localizado em Mauá, cidade da Grande São Paulo, enfrentou dificuldades diante do orçamento estimado de R$ 6 mil. O organizador do bloco, Luiz Claudio Silva, relatou que este ano não teve recursos da prefeitura local para investir em abadá, então fez “uma campanha nas redes sociais” para que os foliões comparecessem com camisetas brancas. Os percussionistas levaram seus próprios instrumentos para garantir a folia.

Me dá um dinheiro aíSe um bloquinho de bairro precisa de R$ 6 mil para sair, os mega blocos podem ter orçamento de até três dígitos. Os quatro organizadores procurados pela reportagem não revelaram as cifras gastas para realizar os cortejos, mas uma pesquisa no site da Secretaria Especial de Cultura revela que o Bangalafumenga captou, via Lei Rouanet, R$ 431 mil em patrocínios de duas empresas.

BurocraciaMais do que dinheiro, para conseguir desfilar na cidade de São Paulo é necessário ir à subprefeitura da sua região e levar documentos pessoais e do bloco para registro com antecedência. Também é necessário consultar a CET para elaborar as rotas de trânsito. Dependendo do tamanho do seu evento, a subprefeitura poderá cobrar uma taxa. Mais informações no site da Prefeitura de São Paulo.