
Dançarinas chamaram a atenção no desfile da Rosas de Ouro
Romulo Tesi/Band
A cena chamou atenção de quem passava pela concentração da Rosas de Ouro nesta sexta-feira, no Anhembi: grupos de homens aglomerados em frente ao carro alegórico que encenava um inferninho, onde mulheres vestidas com roupas decotadas realizavam performances de pole dance. A abordagem masculina, com fotos e olhares libidinosos, no entanto, incomodou as dançarinas.
"Desde que entramos aqui estamos sendo olhadas de uma forma bem pejorativa. Estamos sendo objetificadas o tempo inteiro", disse Graziela Mayer, dona de um estúdio e professora de pole dance, reclamando de preconceito.
"É desrespeitoso. Como se fossemos uma coisa e não merecêssemos respeito porque estamos com essa roupa", protestou Graziela, acompanhada de mais quatro amigas, todas dançarinas e companheiras em um coletivo feminista, que defende o direito das mulheres serem livres. "Todos os corpos têm direito a serem livres", disse, proferindo um dos lemas do grupo.
Graziela ainda estranhou que elas tenham despertado esse tipo de reação justamente em um desfile de escola de dança.
"Ficamos bem impressionadas, porque viemos com o intuito de estar no Carnaval. Estamos em um desfile de escola de samba, nunca imaginamos que haveria esse tipo de reação", declarou.
O preconceito não era o único desafio que elas teriam que enfrentar. Mesmo experientes, nunca haviam praticado pole dance sobre uma plataforma móvel, muito menos com o sacolejo de um carro alegórico.
"É a primeira vez que fazemos com a barra em movimento, mas já praticamos pole dance há muito tempo e sabemos os movimentos que são possíveis", explicou Graziela.
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