
Escola fez críticas ao prefeito do Rio
Ide Gomes/Framephoto/Estadão Conteúdo
Uma das alegorias da Mangueira trazia um boneco de Judas - como os feitos para serem "malhados" no Sábado de Aleluia - com o rosto de Marcelo Crivella, com uma plaquinha onde se lia "pega no ganzá", trecho do clássico samba do Salgueiro cantado pelo prefeito na campanha de 2016.
A brincadeira foi, ao lado do Temer "vampiro" da Paraíso do Tuiuti, um dos assuntos mais comentados após os desfiles. E quem não está muito preocupado com as possíveis reações de Crivella é o carnavalesco da escola, Leandro Vieira.
"Eu estou cagando para o que o Crivella pensa. Sou primeiro um folião, em segundo, um artista. A matéria do meu trabalho é o Carnaval, e meu discurso é alinhando com a rua. O que passou aqui ontem (domingo), como proposta artística da Mangueira, é o discurso alinhando com o pensamento da rua, com Carnaval da rua, com a brincadeira, a galhofa, a farra", declarou Vieira.
"Acho que as escolas que apresentaram enredos mais satíricos e críticos estão alinhados com a atual situação do Brasil e da cidade. Eu, como cidadão, acho ótimo. Como artista, acho bacana por ser uma possibilidade de reinvenção de linguagem e visual", disse.
"Tem muito tempo que os desfiles das escolas perderam um pouco essa narrativa crítica. A estética dessa narrativa também se perdeu", explicou Vieira, que ressalta a coragem das agremiações de fazerem críticas diretas, sem esconder o alvo.
"O bonito também que foram dados nomes. É o Crivella, é o Temer. E não aquela coisa boboca, como 'estou falando mas não digo quem é'", afirmou.
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