
Ana Carolina, Jaqueline, Leila e Patrícia, da esquerda para a direita
Romulo Tesi/Portal da Band
"Eu não volto mais à avenida", disse Jaqueline Muzzy ao testemunhar, do Setor 1, o acidente com o carro da Paraíso do Tuiuti no domingo de Carnaval de 2017 - uma pessoa morreu e mais de vinte ficaram feridas. Um ano depois, ao quebrar a promessa e voltar ao mesmo local na Marquês de Sapucaí, a mangueirense relembra a cena com os olhos marejados e a pele arrepiada."Frequento a Sapucaí há 21 anos e nunca tinha visto nada parecido. O que mais me marcou, e chega a me deixar arrepiada, foi ver o carro da Tuiuti totalmente desgovernado atropelando todas as pessoas que estavam na grade. Nessa hora acabou meu Carnaval. Prometi que não voltaria à avenida", conta Jaqueline, que chorou ao ver o que chama de "devastação".A esperança agora é que o Carnaval seja bem diferente do que passou. "Volto com a fé a esperança de que nada de ruim vai acontecer", conta Jaqueline."Só pedi proteção a Deus"Sentimento semelhante tem Ana Carolina Lombardi, que volta neste domingo ao mesmo Setor 1."Ao retornar aqui hoje, eu lembrei de tudo que aconteceu no ano passado. Só pedi proteção a Deus", diz.Ana Carolina presenciou os dois acidentes do último Carnaval - na segunda-feira, a plataforma de um carro da Unidos da Tijuca desabou, deixando mais de 10 pessoas feridas."Com o acidente da Tijuca, o clima, que já não era bom, piorou. O carro parou em frente a mim, e eles estavam jogando colares para a gente. De repente, logo depois, desabou", narra.Gaúcha volta ao RioJá a gaúcha Patrícia Nunes da Silva nunca imaginaria que veria tal cena. Ela e um grupo de amigos viajou de Pelotas (RS) apenas para ver os desfiles das escolas de samba, mas o passeio acabou deixando marcas tristes na memória dela."Estamos hoje no mesmo local do ano passado. Quando sentei aqui, revi tudo na minha cabeça de novo. Fica marcado", relembra, sobre o acidente com a Tijuca. "Eu sou do Carnaval, desfilava na minha cidade, e sei que as pessoas trabalham o ano inteiro para o desfile. Mas em minutos pode acontecer aquela tristeza", afirma."A esperança agora é ter um grande Carnaval", diz Patrícia, que guarda a cena dos bombeiros e integrantes da escola correndo para fazer o atendimento e, ao mesmo tempo, tentando dar sequência ao desfile. "Tinha um pessoal pedindo para a escola seguir, e nós vendo várias pessoas precisando de ajuda", conta."Passou um filme"Na arquibancada, Leila Carla se desesperou e começou a chorar ao ver o irmão, da harmonia da Tijuca, tendo que lidar com o desespero de ver um carro desabar e as pessoas machucadas, além de um desfile ser arruinado."A sensação que tive é que terminariam com o desfile. Ver meu irmão tentando encontrar uma saída para tudo aquilo foi bem complicado, chorei muito, e as pessoas a minha volta também ficaram abaladas", relembra."Quando voltei hoje, passou um filme na minha cabeça", diz Leila, que esse ano será ela no mesmo posto do irmão, ajudando na harmonia da Tijuca."Tive que passar uma borracha no que aconteceu", encerra.
Newsletter Entretenimento
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:
