Carnaval

Gago, puxador da São Clemente precisou vencer preconceito

Leozinho Nunes se trata com fonoaudióloga e diz que canta normalmente desde os 8 anos

ROMULO TESI, DO RIO DE JANEIRO

27/02/2017 • 22:31 • Atualizado em 27/02/2017 • 22:33

Leozinho: gagueira insistente não afeta a sua arte

Leozinho: gagueira insistente não afeta a sua arte

Romulo Tesi/Portal da Band

Quem conversa com o puxador da São Clemente, Leozinho Nunes, pode não perceber, mas o cantor da escola, apesar de se destacar na Sapucaí como uma das maiores revelações do samba, consegue disfarçar uma insistente gagueira. Mas nada que afete seu canto.

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"Eu sou gago e a gagueira aparece toda hora, mas não quando canto", disse Leozinho, falando naturalmente, de forma pausada, enquanto concede a entrevista. "É que estou me mantendo tranquilo para o desfile", explicou, antes de entrar na avenida com a São Clemente.

O intérprete trata a gagueira e as cordas vocais com a fonoaudióloga Bianca Paz. Segundo ela, usamos partes diferentes do cérebro para falar e cantar. Por isso a gagueira não afeta o canto do puxador da escola de Botafogo.

"Ele não gagueja quando canta, mas também quando ligam uma câmera de televisão para ele falar", revela Bianca, que também atende os cantores Xande de Pilares (ligado ao Salgueiro), Emerson Dias (Grande Rio), Igor Sorriso (Vila Isabel), Tiganá (Mocidade Alegre) e Rogerinho (Império da Tijuca).

Leozinho tem 28 anos e canta desde os oito anos, sendo que, profissionalmente, a partir dos 12. Sempre gago, o que fez enfrentar mais um desafio. "Sofri preconceito quando era criança, mas hoje é mais tranquilo. A música está dentro de mim. Aos três anos, já subia na janela para cantar", declarou o puxador.