Carnaval

Império Serrano vive drama com chance de queda para 3ª divisão e saída da Sapucaí

Dona de nove títulos, a escola fez desfile trágico na Série A e tem

Da Redação
DA REDAÇÃO

26/02/2020 • 04:29 • Atualizado em 26/02/2020 • 04:30

Desfile do Império Serrano de 2020, com a presidente da escola, Vera Lúcia, logo à frente: dirigente foi hostilizada

Desfile do Império Serrano de 2020, com a presidente da escola, Vera Lúcia, logo à frente: dirigente foi hostilizada

Marcos Ferraz/Riotur

O Carnaval do Rio de Janeiro pode viver uma situação inusitada – para não dizer dramática – nesta quarta-feira, 26. O Império Serrano, gigante do samba, da cultura brasileira, escola de Dona Ivone Lara, Silas de Oliveira e tantos outros nomes de peso da música do país, pode ser rebaixado da Série A (o acesso) para o que hoje se chama Grupo Especial da Liesb – que de especial pouco ou nada tem, dependendo da dose de romantismo.

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Na prática, trata-se da terceira divisão e, portanto, fora da Marquês de Sapucaí. A partir deste grupo, os desfiles acontecem na Estrada Intendente Magalhães, no bairro do Campinho, via apertada até para apresentações das agremiações de médio porte, e portanto acanhada para o tamanho do Império Serrano.

A apuração da Série A acontece logo após a do Grupo Especial, marcada para as 15h30, na Praça da Apoteose. A previsão é que as notas do acesso comecem a ser lidas por volta das 18h.

O desfile da madrugada do último sábado, 22, foi provavelmente o pior da história da escola. Segundo membros da agremiação, a escola, sem dinheiro, teve que recorrer a patronos ocasionais, torcedores mais abastados, para completar o trabalho de barracão. Ainda assim, pesou o pouco tempo: foram cerca de 30 dias para aprontar tudo.

Baianas sem saia

O resultado foi exposto na Marquês de Sapucaí: fantasias pobres ou inacabadas – exceto as de alas comerciais – e alegorias com gritantes problemas de acabamento ou danificadas. Destaque em um dos carros, a presidente Vera Lúcia foi hostilizada pelo público, sendo até mesmo xingada, principalmente pelos imperianos presentes no Sambódromo.

A imagem mais chocante, porém, foi a protagonizada pela ala das baianas. Setor dos mais tradicionais das escolas de samba – tanto que sua presença é obrigatória -, o grupo passou pela avenida sem as saias, portanto com a fantasia totalmente descaracterizada.

Segundo um diretor ouvido pelo blog Setor 1, o figurino ficou pronto em cima da hora e foi entregue já na concentração, mas sem uma bainha para a colocação dos conduítes (ou bambolês) que deixam a saia armada. Ainda assim, algumas arriscaram giros, numa cena melancólica, que causou revolta na comunidade sambista. Isso num ano em que o enredo da escola foi feminista: “Lugar de mulher é onde ela quiser”.

Se cair para a Intendente, o Império fará o mesmo caminho que outras agremiações famosas já trilharam recentemente, como a Tradição – cuja sede fica justamente na Intendente Magalhães – e a Caprichosos de Pilares, que voltou este ano na quarta e penúltima divisão após dois anos sem desfilar. Todas importantes na história do Carnaval, mas sem os nove títulos do Grupo Especial da escola da Serrinha.

Veja momentos do desfile do Império Serrano: