Carnaval

Luiz Caldas rejeita rótulo de axé das antigas

Cantor disse que nomenclatura foi criada pela lógica de mercado e que arte não deve ceder ao capitalismo

VINÍCIUS DE MELO, DE SALVADOR

11/02/2018 • 16:18 • Atualizado em 11/02/2018 • 16:18

Pai do axé, Luiz Caldas se apresentou durante dois dias no circuito Barra-Ondina para o folião pipoca

Pai do axé, Luiz Caldas se apresentou durante dois dias no circuito Barra-Ondina para o folião pipoca

JC Pereira/AgNews

Em plena atividade aos 55 anos, Luiz Caldas – o pai da axé music – tem lançado um disco com músicas novas a cada mês e não pretende parar. Em entrevista ao Portal da Band, ele disse que aproveita a folia para divulgar seu novo repertório ao lado de clássicos.

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"Eu adoro tocar no Carnaval porque é um lugar que eu posso expor legal o meu projeto, de lançar um disco mensalmente. Muita coisa nova junta aos clássicos, que as pessoas já conhecem e já gostam. Isso forma um cardápio maravilhoso para a pipoca que vai atrás do meu trio", disse.

Apesar de ter vários hits, Luiz Caldas rejeita o rótulo de "axé das antigas". "Eu não creio em nenhuma nomenclatura que seja forjada para vender [música]. E eu sinto dessa forma. Eu tenho sim, músicas antigas, mas é porque eu comecei muito cedo. O axé para mim é sempre novo", afirmou.

Sobre o atual momento musical, o cantor acredita que o país está passando por uma escassez de procura pela arte. "Muita gente no Brasil, 70% ou mais, acha que internet é só Whatsapp e Facebook. Isso é terrível. A internet é uma ferramenta maravilhosa para se procurar tanta coisa. Acredito que se o brasileiro pesquisasse mais, ele teria mais acesso à cultura e a arte. E isso melhoraria, consequentemente, a nossa música", explicou.

Um disco por mês

Disponível na internet, Luiz Caldas lança gratuitamente novas músicas todos os meses para os seus fãs. "Foi um projeto que não teve previsão para iniciar e não tem data para acabar. A música mundial é muito rica e esse projeto tenta, de certa forma, guardar alguns estilos que não são favoráveis às gravadoras", afirmou.

"A nova geração, por exemplo, curte um estilo de música. Um menino de 16 anos jamais vai gravar um disco de valsas ou bolero. E são ritmos que existem. Eles não podem ser apagados por uma questão capitalista. Esse projeto também serve para isso, resguardar um pouco da nossa cultura", completou.

E, aos poucos, cada vez mais artistas aderem ao projeto. "Gilberto Gil já entrou, Fernanda Takai, Seu Jorge desde o início, Jorge Mautner, Pedro Bial, Neumani Pinto, Zélia Duncan... É muita gente boa envolvida. Não teria como parar agora", finalizou.