Carnaval

O povo não é bobo, diz Neguinho da Beija-Flor

Intérprete acredita que desfile da escola de Nilópolis pode influenciar nas eleições deste ano

ROMULO TESI, DO RIO DE JANEIRO

14/02/2018 • 16:38 • Atualizado em 14/02/2018 • 16:42

Neguinho comemorou muito o título de Beija-Flor

Neguinho comemorou muito o título de Beija-Flor

Fábio Motta/Estadão Conteúdo

A Beija-Flor conquistou o 14º título no Carnaval do Rio de Janeiro com uma crítica social do atual Brasil. Corrupção, discriminação e violência foram objeto de discussão nos carros e alegorias da escola. Para Neguinho da Beija-Flor, o título da escola de Nilópolis vai ajudar na conscientização popular.

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“Com certeza, vai influenciar o povo nas eleições. A Beija-Flor deu grito de alerta contra a discriminação e contra tudo que está acontecendo. O povo não é bobo”, afirmou o intérprete.

“Beija-Flor e Tuiuti falaram o que o povo gostaria de ter falado para os governantes do Brasil”, completou citando a vice-campeã, que também fez um desfile politizado, falando da escravidão e atacando a Reforma Trabalhista. O presidente Michel Temer acabou representado por um vampiro.

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley, foi o enredo vitorioso da Beija-Flor.

Na obra, um cientista dá vida a uma criatura construída com partes de pessoas mortas, tornando-se uma figura feia. No desfile, a figura foi usada para críticas a problemas sociais como corrupção e desigualdades.

Artistas como Pabllo Vittar e Jojo Todynho participaram como resistência ao racismo e homofobia. Claudia Raia, uma das musas da escola, brilhou como destaque de chão. No final do desfile, o público da Sapucaí tomou a avenida cantando o samba-enredo.

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