Carnaval

Passistas homens podem sambar como mulheres?

Segundo dupla de especialistas da Portela, não. Nilce Fran e Valci Pelé defendem tradição em ala com um dos símbolos mais antigos do Carnaval

ROMULO TESI, DO RIO DE JANEIRO

01/03/2017 • 00:50 • Atualizado em 01/03/2017 • 01:02

Os portelenses Nilce Fran e Valci Pelé

Os portelenses Nilce Fran e Valci Pelé

Romulo Tesi/Band

Quem assistiu aos desfiles ou ensaios das escolas de samba, do Rio ou São Paulo, nos últimos dias pode ter reparado uma cena: passistas homens que sambam com trejeitos tipicamente femininos. Mesmo em tempos de quebra de padrões, a tendência não é vista com bons olhos por duas autoridades no assunto: os portelenses Nilce Fran e Valci Pelé, professores de samba e líderes da ala de passistas da escola.

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"A ala de passistas tem dois gêneros: masculino e feminino. Ninguém está falando de orientação sexual, mas se você vai em uma escola de balé, há a bailarina e o bailarino. Na dança de salão, há a dama e o cavalheiro, e na ala de passistas tem o passista masculino e o feminino. Esse terceiro elemento não existe. É como se eu fosse convidado para fazer o papel do Saci e viesse com trejeitos da Cuca", disse Valci Pelé.

Valci diz que não é contra que homens sambem como mulheres, mas não na ala de passistas. "Faria uma outra ala para colocar essas pessoas que gostam de sambar assim, ou daqui a pouco vão misturar, e passista feminino vai querer sambar como passista masculino. É primordial manter a tradição", completou.

Parceira de Valci à frente da ala de passistas da Portela, Nilce Fran compartilha da mesma opinião.

"A pessoa pode ter a opção sexual que quiser, mas a arte deve ser levada à risca. Se o passista está representando a escola, tem que estar como tal", declarou Nilce.