
Pelo menos 100 mil pessoas assistiram ao desfile do Monobloco no Ibirapuera
Luiz Cláudio Barbosa/Código 19/Estadão Conteúdo
Os dois primeiros dias de carnaval em São Paulo apontam para o maior público já registrado – e para a consolidação de vez da festa de rua. No domingo, dia 4, só o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta reuniu um milhão de pessoas na rua Consolação, no centro, segundo os organizadores.
E os 2,1 milhões de foliões estimados pela Prefeitura para sábado já equivalem ao público dos 381 blocos que saíram às ruas em 2017. De acordo com o prefeito paulistano João Doria, outro 1,85 milhão pularam Carnaval no domingo, totalizando 3,95 milhões de pessoas saindo às ruas no final de semana.
O movimento começou de forma tímida há nove anos e passou a ganhar corpo em 2015, quando 270 blocos levaram às ruas 1,5 milhão de foliões. Para este ano, com desfiles que devem levar até dois milhões de pessoas apenas para a Avenida 23 de Maio, a expectativa é de superar os quatro milhões.
E, como sonha o prefeito João Doria (PSDB), se aproximar de Salvador, que registra problemas de esvaziamento no Circuito Campo Grande. Público maior só no Rio – que teve 5,9 milhões nas ruas no ano passado, segundo a Riotur.
Domingo, mais 81 blocos animaram as ruas de São Paulo – a Avenida Paulista foi fechada por tempo estendido, até as 18 horas. Um dos destaques foi o tradicional grupo carioca Monobloco, que brinca de carnaval o ano inteiro. Teve Tim Maia, Skank, Gilberto Gil e paulistanos que não pararam de cantar.
Segundo a organização do evento, o público foi de quase 100 mil pessoas, o que surpreendeu até Pedro Luis, o fundador do Monobloco. "Foi o nosso maior desfile em São Paulo", disse. Menos da metade havia prestigiado Elba Ramalho e Alceu Valença no dia anterior.
O tempo nublado não se transformou em chuva e nada atrapalhou a folia no Acadêmicos do Baixo Augusta. Havia rapazes de fio dental e meninas vestidas de unicórnio e sereias. A música ia de funk a clássicos da MPB. Os organizadores do bloco soltaram um manifesto.
"Quanto mais a ideia de ordem for sinônimo de censura e ditadura, mais celebraremos a linda desordem do carnaval", diz um dos trechos. Artistas também fizeram manifestações com tom político, contra racismo e homofobia.
"As músicas são boas, a galera é boa, tudo é bom", resumiu a balconista Sheila de Lima, de 25 anos. O desfile começou depois das 17h30 e foi até o começo da noite. "Foi melhor do que esperava. A música era eclética", completou o pesquisador Ítalo Alberto, de 23 anos. As opções de saída estavam melhores do que no sábado, quando houve aglomeração depois dos blocos em Pinheiros.
Com duas estações da Linha 4-Amarela e a proximidade da Linha 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô, as filas para embarque estavam grandes, mas tranquilas. Muitos foliões, entretanto, não encerraram a festa com fim do desfile e lotaram os bares da Praça Roosevelt e da Rua Augusta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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