Carnaval

Quer tocar na bateria de uma escola de samba? Saiba como

Ouvimos duas autoridades no assunto e eles deram boas notícias para quem tem pressa de chegar à avenida

ROMULO TESI, DO RIO DE JANEIRO

28/02/2017 • 09:04 • Atualizado em 28/02/2017 • 11:48

Ritmistas da escola Rosas de Ouro, em São Paulo

Ritmistas da escola Rosas de Ouro, em São Paulo

Nelson Coelho/Estadão Conteúdo

Viu os desfiles da escola, se apaixonou pelas baterias e ficou com vontade de fazer parte de uma? Saiba que o sonho é mais possível do que muitos imaginam. Segundo os mestres ouvidos pelo Portal da Band, o caminho não é longo, mas requer dedicação e dom.

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O primeiro passo é ingressar em uma oficina de percussão de alguma escola ou de um mestre de uma agremiação. Muitos deles contam com escolinhas. É o caso de Ricardinho, do Paraíso do Tuiuti.

"É preciso entrar em uma oficina ou projeto que ensine a tocar os instrumentos em uma bateria. Hoje na bateria do Tuiuti, de 250 ritmistas, 80 são formados pela minha oficina", diz Ricardinho, do projeto Tamborim Sensação.

Escolha o que vai tocar

Uma vez nas aulas, o aluno deve escolher um instrumento. E é aí que muitos cometem o erro de, seduzidos pelo som do carreteiro, encarar logo o desafio do tamborim. Apesar da aparência, o ele é considerado o mais difícil a ser aprendido.

"Conheço gente que está há 10 anos tentando e não aprendeu direito", diz Ciça, da União da Ilha, cuja bateria foi premiada com o Estandarte de Ouro, do jornal O Globo. "São muitos movimentos diferentes, por isso a dificuldade", explica Ricardinho.

Nesses casos, a sugestão é começar com surdo de marcação, repique, caixa ou chocalho, para ficar apenas em algumas opções. O ideal é experimentar e descobrir com qual instrumento o candidato a ritmista se dará melhor.

Hora de treinar

Escolhido o instrumento, é hora de treinar, e muito. "Tem que frequentar as aulas, ir aos ensaios e se dedicar", diz Ciça.

Dependendo do instrumento, um bom aluno consegue aprender entre três e seis meses. Em seguida, é hora de ganhar a confiança do professor para ter uma chance em uma bateria pra valer. As primeiras oportunidades podem surgir em blocos, mas é possível desfilar em escolas das divisões inferiores do Carnaval do Rio, que saem da Estrada Intendente Magalhães ou até mesmo nos dois grupos principais, que se apresentam na Marquês de Sapucaí. Tudo em um ano.

[Nota do autor: Conheço histórias de pessoas que foram para a Intendente Magalhães para tocar em uma escola e acabaram desfilando em três, por causa da falta de ritmistas em algumas agremiações]

"Na bateria da Ilha, tenho 40 ritmistas formados há um ano, na minha escolinha. É uma garotada boa, mas tenho adultos também", conta Ciça. Portanto, idade não é empecilho.

Quem dança, toca

Por fim, é preciso dom. Segundo Ciça, a pessoa deve ter certeza de que leva jeito, e não adianta "forçar a barra" se não levar jeito para a coisa. "Com dom, aprende em seis meses", afirma o mestre, que desenvolveu uma tese sobre futuros talentos.

"Quem sabe dançar, quem tem ritmo, tem mais facilidade de aprender a tocar", garante.

Portanto, se sonha em cruzar qualquer avenida de samba, comece agora. Dá tempo de chegar à Apoteose em 2018.

Saiba mais no site do Tamborim Sensação

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