Carnaval

Relembre 11 sambas-enredo que exaltam Iemanjá

No dia 2 de fevereiro, dedicado à rainha das águas, conheça obras que homenageiam a divindade

ROMULO TESI

02/02/2018 • 06:52 • Atualizado em 02/02/2018 • 07:00

Iemanjá é considerada a rainha das águas

Iemanjá é considerada a rainha das águas

Juan Guerra/Estadão Conteudo

O dia 2 de fevereiro é dedicado a Iemanjá, orixá conhecida como a rainha das águas e mares em algumas religiões de matriz africana. A divindade é uma das mais lembradas e exaltadas nos sambas-enredo escolas que desfilam no Carnaval.

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O Portal da Band preparou uma lista de 11 obras célebres da folia carioca que citam Iemanjá, passando por clássicos do Império Serrano, sambas pouco conhecidos e outros mais recentes do Salgueiro, entre outros.

Ouça:

Mangueira – 1973 – Lendas do AbaetéAutores: Jajá, Preto Rico e Manuel

“Janaína agô, agoiáJanaína agô, agoiáSamba curimba com a força de Iemanjá”

Desfile histórico, samba idem. Curta, a obra cresceu ainda fora do Carnaval, ao ser gravada por Elza Soares. O enredo sobre as lendas da lagoa de Salvador e sua “branca areia, água escura” valeu o título da Manga.

Império Serrano – 1976 – A lenda das sereias, rainhas do marAutores: Vicente Mattos, Dionel e Veloso

“Oguntê, MarabôCaiala e SobáOloxum, InaêJanaína, Iemanjá”

Um clássico absoluto, gravado por grandes nomes da MPB, cantado até hoje e lembrado em qualquer lista dos melhores sambas da história

Unidos da Tijuca – 1976 – No mundo encantado dos deuses afro-brasileirosAutores: Milton de Luna, Selym do Leme e Si Menor

“Xangô, OxumaréIansã, Oxum minha mãe de féIemanjá rainha do marE o poderoso Pai Oxalá”

Em 1976, a hoje grande e badalada Unidos da Tijuca penava no grupo de acesso. Talvez nem sonhasse com os títulos dos anos 2010. O samba, porém, é de primeira – e praticamente desconhecido fora do mundo do Carnaval.

Império Serrano – 1982 – Bum-bum Paticumbum PrugurundumAutores: Beto Sem Braço e Aluísio Machado

“As burrinhas que imagem, para os olhos um prazerPedem passagem pros Moleques de Debret‘As Africanas’, que quadro originalIemanjá, Iemanjá enriquecendo o visual”

Todo mundo tem um amigo que não gosta de samba, mas sabe cantarolar “Bum-bum Paticumbum Prugurundum” - ou outras variações da onomatopeia criada por Ismael Silva. Com um enredo que criticava a modernização dos desfiles e as “superescolas SA”, o Império levou o título com Rosa Magalhães, e o samba virou um clássico.

Mangueira – 1986 – Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia tem e a Mangueira tambémAutores: lvo Meirelles, Paulinho e Lula

“Mangueira berço do sambaCaymmi a inspiraçãoQue mora no meu coraçãoBahia terra sagradaIemanjá, IansãMangueira supercampeã”

A exemplo do que acontece com o samba do Império de 1982, a obra de 1986 da Manga tem um refrão irresistível e cantado até por quem não é de Carnaval: “Tem xinxim e acarajé, tamborim e samba no pé”. O enredo sobre Dorival Caymmi valeu o título (primeiro do bi).

Mocidade - 1991 – Chue... Chuá... As águas vão rolarAutores: Toco, Jorginho Medeiros e Tiãozinho

“Aieieu mamãe OxumIemanjá mamãe sereiaSalve as águas de OxaláUma estrela me clareia”

A Mocidade Independente de Padre Miguel deu um banho nas concorrentes com o enredo sobre água e faturou o bicampeonato. Na época, o patrono da escola, Castor de Andrade, havia acabado de deixar a prisão.

Viradouro – 1997 – Trevas! Luz! A explosão do universoAutores: Dominguinhos do Estácio, Mocotó, Flavinho Machado e Heraldo Faria

“Oh! Mãe Iemanjá, deusa das águas!Nanã, deixa o solo se banhar!”

O samba da Viradouro campeã de 1997, com o enredo sobre a criação do Universo, é um caso clássico de sucesso de público – mas não de crítica. A letra é pouco poética, mas o refrão que convocava o público a brincar Carnaval com a escola garantiu um lugar na história para a obra. “Vou cair na gandaia, com a minha bateria, no balanço da mulata, a explosão de alegria”, dizia o samba, em trecho acompanhado de uma ousada paradinha funk do Mestre Jorjão.

Mangueira - 2002 – Brazil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é nação do NordesteAutores: Lequinho e Amendoim

“Jogo flores ao mar pra saudar IemanjáE na lavagem do Bonfim eu peço axéTerra encantada, tão predestinadaTua beleza não tem fim”

A Manga levou o título com um samba cujo refrão é um dos mais famosos da escola: “Vou invadir o nordeste, seu cabra da peste, sou Mangueira”. No enredo sobre a região do Brasil, Iemanjá se destaca na parte sobre a Bahia. A Verde-e-Rosa tinha o melhor samba do ano e superou a Beija-Flor na apuração com apenas um décimo de vantagem.

Salgueiro – 2007 – CandacesAutores: Dudu Botelho, Marcelo Motta, Zé Paulo e Luiz Pião

“Odoyá Iemanjá; Saluba Nanã!Eparrei OyáOrayê Yê o, Oxum!Oba Xi Oba”

Num enredo que remeteu aos tempos de temática afro de carnavalesco Fernando Pamplona, o Salgueiro contou a saga da dinastia de rainhas da África Oriental. Iemanjá é citada no refrão entre orixás femininos. A escola ficou só em 7º lugar, num resultado no mínimo questionável, e perdeu pontos justamente no quesito samba-enredo.

Portela – 2012 – ...E o povo na rua cantando... É feito uma reza, um ritual...Autores: Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo

“No marProcissão dos NavegantesEu também sou almiranteDe Nossa Senhora Iemanjá”

A escola vivia grave crise, penando na mão de uma administração caótica. Mas a Portela mostrou força no chão em 2002, com um enredo que fazia a conexão Madureira-Pelourinho com Clara Nunes (“Madureira sobe o Pelô”). O samba é o primeiro da série de grandes obras que a escola levou para a avenida desde então.

Salgueiro – 2014 – Gaia - A vida em nossas mãosAutores: Xande de Pilares, Dudu Botelho, Miudinho, Betinho de Pilares, Rodrigo Raposo e Jassa

“Oxum, Iemanjá, Iansã, Oxóssi, CaçadorOssain, Ogum, caô meu pai, Xangô”

O vice-campeonato doeu nos salgueirenses, que esperavam o título (que acabou com a Unidos da Tijuca), mas o samba foi um dos mais cantados no ano. Há quem critique o refrão com “chamada de presença” de orixás. Mas foi um sucesso na avenida.