
Bloco punk fez sucesso na zona oeste do São Paulo
Luiza Vidal/Band
“Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é? Punk!”. Essa foi uma das marchinhas adaptadas que o Bloco 77 – Os Originais do Punk trouxe às ruas de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Os rockeiros e punks da cidade tomaram conta da Rua Simões Álvares para prestigiar o som, que mistura o rock, punk com samba e batuque.
Se engana quem pensa que rockeiro não curte Carnaval. O que mais se ouviu entre os foliões vestidos de preto, com tatuagens e muito estilo é que o bloco é “democrático” e qualquer um é bem-vindo.
Assim que o bloco teve início, por volta das 15h, já se ouvia pelo microfone: “racistas, homofóbicos, sexistas, não são bem-vindos; não faz xixi na rua, use o banheiro; respeita as minas”. Os organizadores fizeram questão de ressaltar a importância de seguir as “regras”. Mas, afinal, como o rockeiro pula Carnaval?
“Está no sangue”
Para o desenvolvedor de programas Fernando Martinello, 28 anos, o Carnaval está no sangue dos brasileiros. “Esse estereótipo de que rockeiro fica trancado em casa e vestido de preto durante o Carnaval já foi embora há muito tempo, principalmente no Brasil”, disse, ao Portal da Band.
“Rockeiro também gosta de folia”, falou. E é verdade, Fernando não perde uma edição do bloco desde 2014, quando tudo teve início.
Identificação
A consultora tributária Ayme Bueno, de 28 anos, explicou que é onde se sente em casa. “É um bloco que aceita todo mundo, não tem preconceito nenhum, é a nossa música em marcinha de Carnaval”.
O arquiteto Leonardo Gualberto, 28 anos, define o punk como uma natureza que “aceita todas as culturas e movimentos”. “Um bloco de carvala é só mais um pretexto pra e divertir e ver os amigos.Quando você presta atenção, vê que tem um monte de criança com os pais e a mães. É um ambiente muito tranqüilo, nada pesado”, disse.
Crianças são muito bem-vindas
Uma das coisas que mais chamou a atenção foi a presença de diversas crianças no bloco. Com os pais, os pequenos se divertiram entre os foliões.
A educadora física Daniela Zanoni, 40 anos, levou o filho de três anos. “É muito confortável trazê-lo aqui. Tem muita criança”, falou. A mulher, inclusive, contou que o filho já aprendeu várias músicas.
“É um bloco livre, para você curtir. É sem rótulos, sem nada”, disse a rockeira. “Não sou muito fã de axé, mas nesse faço questão de vir”.
O mesmo ocorreu com Marilis Moschni, 48 anos, que fez sua estreia nos blocos de São Paulo ao lado da filha adolescente.As duas gostam de rock e foram conferir a atração. “Curtimos Carnaval e Rock, então juntou duas coisas que amamos”, falou.
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