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Unidos da Ponte: tudo sobre o desfile na Série Ouro 2025

Unidos da Ponte desfila na Série Ouro do Carnaval 2025 do Rio de Janeiro; saiba tudo sobre o enredo, comissão de frente, alas, musas e mais:

Por Redação
REDAÇÃO

25/02/2025 • 22:02 • Atualizado em 25/02/2025 • 22:02

Enredo: Antropoceno – Ecos de Abya Yala em Meriti’yba” reflete sobre a crise ambiental através dos saberes indígenas. A Unidos da Ponte resgata a ancestralidade de Meriti, denunciando os impactos da destruição ambiental e buscando, na voz dos povos originários, caminhos para a regeneração da Terra.

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Comissão de Frente:

Significado: Vozes da Terra

Coreógrafo: Gabriel Castro

Componentes: 13 femininos e 2 masculinos

A comissão de frente, "Vozes da Terra", traz à tona a importância fundamental das culturas indígenas na preservação do território e do equilíbrio entre os seres humanos e o meio ambiente. A dança que será apresentada simboliza o poder ancestral dos povos originários, que desde tempos imemoriais ocupam, protegem e respeitam a terra, as águas e os seres que nelas habitam.

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira:

Nome do mestre-sala: Emanuel LimaNome da porta-bandeira: Thainara MatiasFantasia: Rupave e Sypave – Os Pais da Humanidade

O que representa: Rupave e Sypave, figuras míticas e centrais na cosmovisão indígena, representam os pais da humanidade, criadores e guardiões das primeiras formas de vida na Terra.

1º setor – Abya Yala de ontem

Comissão de frente:

Significado: Vozes da TerraCoreógrafo: Gabriel Castro1º casal de mestre-sala e porta-bandeira:Nome do mestre-sala: Emanuel LimaNome da porta-bandeira: Thainara MatiasSignificado da fantasia: Rupave e Sypave – os pais da humanidade

Ala 1: Rio Acari

O Rio Acari, que atravessa a região de São João de Meriti, carrega em suas águas a memória de tempos ancestrais, quando os povos originários conviviam em harmonia com a natureza. Antes da chegada dos colonizadores, o rio era uma fonte de vida para as comunidades indígenas, que nele encontravam sustento, saúde e conexão com os espíritos da água.

Musa: Lari Pinheiro – Iara do Rio Meriti

Ala 2: Rio Pavuna

O Rio Pavuna, que também corta a região de São João de Meriti, era, na visão dos povos indígenas, uma poderosa linha de vida. Suas águas eram vistas como um elo vital entre o mundo material e o espiritual, sustentando a flora e fauna ao longo de suas margens, e garantindo a continuidade dos ciclos da vida.

Ala 3: baianas – Meriti’yba

Meriti’yba vem da língua tupi e tem um vínculo profundo com a terra e a natureza. A palavra “meriti” faz referência a uma árvore que cresce em regiões ribeirinhas, conhecida pela força de suas raízes e por simbolizar a conexão com o solo, além de dar nome ao município no qual a agremiação está inserida. Já o “yba” significa terra ou local, referindo-se ao chão, ao espaço sagrado.

Rainha da escola: Angélica Maria – diva da mãe natureza

1º alegoria: memória viva de Abya Yala

Antes que a devastação do Antropoceno marcasse a terra, Abya Yala pulsava em equilíbrio, guiada pelos ensinamentos ancestrais que sustentavam a harmonia entre os povos e a natureza.

Ala 4: Tupinambás – guardiões da memória

Os Tupinambás foram um dos povos que habitavam as terras que hoje compõem o município de São João de Meriti, sendo responsáveis por um legado cultural e espiritual imenso. Com uma conexão profunda com a natureza, esses povos eram guardiões de saberes que transpassavam o tempo e a memória.

Ala 5: o ciclo sagrado da caça e do milho

O ciclo sagrado da caça e do milho representa a interdependência entre os povos indígenas e os elementos naturais que sustentam sua sobrevivência.

Ala 6: ruptura – a chegada dos bandeirantes

Os bandeirantes, exploradores e caçadores de escravizados, trouxeram consigo a violência, o extermínio e a destruição de comunidades inteiras, resultando em uma ruptura profunda com a vida tradicional e os valores indígenas.

2º setor – o Antropoceno de hoje

Musas: Alex Long e Jacque Blunt – chamas que ardem

Ala 7: fogo na terra, luto nas almas

Esta ala traz à tona a devastação provocada pelo fogo, não apenas como um agente destruidor da natureza, mas como um símbolo da perda irreparável e do sofrimento causado pelas queimadas que, cada vez mais, ameaçam os territórios indígenas e os ecossistemas que sustentam a vida.

Ala 8: lama que engole, esperança que afunda

Narraremos o impacto devastador das enchentes e deslizamentos de terra, que atingem duramente regiões como São João de Meriti e outras áreas densamente urbanizadas, onde a ocupação desordenada e o descaso com o meio ambiente exacerbam a vulnerabilidade das comunidades.

Musa: Taís Ibarra – o peso do solo

2º alegoria: terras que cedem, vidas que desaparecem:

Na era do Antropoceno, onde a ação humana impõe suas marcas de devastação, a terra grita. A alegoria traduz um cenário de destruição: solos que afundam, encostas que desmoronam, rios que transbordam, ceifando vidas e apagando histórias. São João de Meriti, a cidade que abriga nossa agremiação, carrega em suas ruas e morros as cicatrizes desse tempo cruel.

Musa: Bárbara Sheldon – o grito do ouro

Ala 9: extração selvagem

Denunciaremos o impacto destrutivo da exploração desenfreada dos recursos naturais, uma prática que devasta as florestas, os rios e os territórios ancestrais dos povos indígenas. Representa a ganância humana que desrespeita a Terra e seus ciclos naturais, em nome de um progresso que não leva em consideração as consequências ambientais e sociais dessa exploração.

Ala 10: passistas – águas envenenadas pelo tempo

Retrataremos os efeitos devastadores das ações humanas sobre os corpos d'água, simbolizando a poluição e a contaminação das águas ao longo dos anos.

Rainha da bateria: Thai Rodrigues – ouro negro

Ala 11: bateria – ritmo da destruição – o petróleo que contamina a terra

Mostraremos a força imensurável do impacto ambiental causado pela exploração indiscriminada do petróleo, especialmente em territórios indígenas. O som pulsante da bateria reflete o ritmo acelerado da destruição, o barulho de uma terra sendo sufocada pelo veneno do petróleo, um veneno que não apenas contamina o solo, mas também as águas, o ar e a vida.

Ala 12: o inferno da poluição – o ar que mata

Ilustraremos a tragédia ambiental provocada pela poluição do ar, um mal invisível que se espalha como um inferno silencioso.

3º setor – raízes do amanhã

2º casal de mestre-sala e porta-bandeira:

Nome do mestre-sala: Henrique SeixasNome do porta-bandeira: Veronica MouraSignificado da fantasia: recriar o mundo – a sabedoria da reciclagem

A reciclagem não é apenas um conceito moderno, mas uma filosofia profundamente enraizada nos saberes indígenas, que sempre entenderam a Terra como um lugar de regeneração constante.

Musas: Rosanna Islas e Carolina Tobon – guardiãs da floresta

Ala 13: sentinelas da fauna – protetores da vida selvagem

Reflete a profunda sabedoria dos povos indígenas na preservação e respeito pela vida animal, que se estende ao longo de milênios. Esses guardiões da natureza não apenas coexistem com os animais, mas entendem a interconexão entre todas as formas de vida, compreendendo que a preservação da fauna é essencial para a manutenção do equilíbrio ambiental.

Musa: Jane Nunes – verde que te quero ver-te

Ala 14: Florestania – unindo passado, presente e futuro da terra

Os povos indígenas sempre compreenderam que o cuidado com a Terra não é algo isolado, mas uma prática contínua que atravessa gerações.

Ala 15: guardiões das águas – os defensores da vida aquática

Em sua sabedoria ancestral, os povos indígenas sempre souberam que o equilíbrio das águas está intimamente ligado ao equilíbrio da Terra. Eles compreendem que a preservação dos rios e dos corpos d'água não é apenas uma questão ambiental, mas um compromisso com as futuras gerações.

Muso: Rodrigo Para-Assú – o equilíbrio da vida

Ala 16: a cosmologia indígena no caminho da reutilização

Com o conceito de que tudo tem um propósito e uma função, a reutilização na cosmologia indígena vai além da prática material; ela carrega uma carga espiritual e simbólica.

Ala 17: luz do renascimento – o fogo que transforma

O fogo, símbolo ancestral de transformação, é reconhecido como uma força capaz de purificar e regenerar. Para os povos indígenas, ele é visto não apenas como destruição, mas como o elemento que possibilita o renascimento, a renovação da vida e do espírito.

Muso: Andres Lezcano – o renascer do pássaro sagrado

3º alegoria – o futuro é ancestral

O futuro proposto por esta alegoria não é uma mera projeção distante, mas um retorno à essência dos nossos ancestrais, cuja sabedoria nos ensina a viver em equilíbrio com a natureza. A alegoria se apresenta como um convite à reflexão: para que possamos garantir um futuro de harmonia é necessário olhar para o passado e reviver as filosofias de cuidado e preservação que sustentaram a vida por milênios.

Ala 18: compositores – saberes e canções ancestrais

A música, assim como os saberes ancestrais, é uma poderosa ferramenta de conexão com o espírito da Terra e com os ensinamentos que nos foram passados pelos povos originários.

Samba-enredo:

Compositores: Edu Casa Leme, Totonho, Carlos Kind, Vitor Hugo, Marcelinho Santos, Romeu D'Malandro, Marcos Barberino, Júnior Falcão, Jonas Marques, Teo Dimeriti e Ricardo Simpatia.

Intérprete: Leonardo Bessa

É tronco de pé, na terra da genteCocar inocente em fogo insanoÉ monstro que destrói o que tupã criouSolo que tupinambá cultivouSagrado a todos nósO verde enxerga o fimE a esperança, enfim, já arde em chamasSe clama o mundo ao mesmo conselhoRespira o planeta por aparelhoÉ bicho morrendo queimado... (ah, meu deus!)Ipê tombado à ganância em profusãoDesmatam a vida, garimpam os sonhosMaré que deságua em extinçãoO foco no poder, cegueira de matar...Se planta o poluir, não vai se alimentarNão ter o que comer é parte do caminhoA flor ainda resiste ao espinhoO "índio" já não quer lutar sozinhoDerrama veneno...Antropoceno a alertar que “temos jeito”!Se o defeito é quem não vê a terra vivaVai à deriva nessa nau inconsequenteBrasil... De solo abençoado e fecundoEspalhe essa mensagem para o mundoDevolva a terra para o povo original...Que o futuro é ancestral!

Abya yala é meriti'yba!Abya yala é meriti'yba!O meu azul divinal, origem da fonteSou “tribo resistir”, unidos da ponteSou “tribo meriti”, unidos da ponte