Carnaval

Vitória da Mangueira é recado político para Bolsonaro, diz carnavalesco

Nas entrelinhas, Leandro Vieira criticou vídeo pornográfico publicado pelo presidente: “Carnaval é a festa do povo, é cultura popular. Carnaval não é o que ele acha que é”

Da Redação com Estadão Conteúdo e Agência Brasil
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO E AGÊNCIA BRASIL

06/03/2019 • 16:46 • Atualizado em 06/03/2019 • 20:05

Integrantes da escola de samba Estação Primeira de Mangueira comemoram a conquista do título de campeã do Carnaval 2019 do Rio

Integrantes da escola de samba Estação Primeira de Mangueira comemoram a conquista do título de campeã do Carnaval 2019 do Rio

Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Ao celebrar a vitória da Estação Primeira de Mangueira, campeã 2019 do Carnaval do Rio de Janeiro, o carnavalesco Leandro Vieira disse que a conquista do título é um “recado político” para o País e também para o presidente Jair Bolsonaro.

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“É um recado político para o país todo, que tem que entender que isso aqui é importante. É um recado político também para o presidente”, afirmou.

Nas entrelinhas, Vieira citou o vídeo pornográfico que Bolsonaro divulgou na terça-feira, 6, associando-o ao carnaval brasileiro.

“O carnaval é a festa do povo. O carnaval é cultura popular. O carnaval não é o que ele acha que é. Ele deveria mostrar para o mundo o carnaval da Mangueira. O carnaval da arte, o carnaval da luta, o carnaval do povo, o carnaval da cultura popular", acrescentou.

O carnavalesco disse que a voz que canta o enredo da Mangueira “está calada há muito tempo”, mas que a escola fez isso despertar. Ele também elogiou o que chamou de "carnaval de representatividade".

"Esses homens e essas mulheres aqui são os heróis do meu enredo, que merecem sempre ser exaltados. Aqui mora o que tem de melhor nesse país. E o que tem de melhor nesse país faz essa festa que o mundo todo aplaude", comentou.

A confirmação do título da Mangueira fez explodir de alegria moradores e integrantes da verde e rosa, que lotaram a quadra da escola e cantaram “a campeã voltou”, enquanto esperavam o troféu.

Com o enredo "História para ninar gente grande", o carnavalesco Leandro Vieira levou à Marquês de Sapucaí heróis populares da história brasileira, como índios e negros, pouco lembrados. Destacou os movimentos liderados por índios e negros em defesa da liberdade e da preservação de seus valores, como a Revolta dos Malês, na Bahia, e a Guerra Guaranítica, no Rio Grande do Sul.

Mangueira é campeã com homenagem a heróis esquecidos:

Sexta escola a se apresentar na segunda noite de desfiles, já ao amanhecer de terça-feira, 5, a verde e rosa se equiparou a outras em fantasias e alegorias, mas arrebatou a plateia com uma comovente homenagem a Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018 no centro do Rio. A parlamentar era citada nominalmente no samba, o mais cantado deste carnaval.

Marielle foi figura central de um enredo que elogiava heróis populares brasileiros não reconhecidos na maioria dos livros didáticos e demais registros históricos. O auge da comoção ocorreu na parte final do desfile, onde correligionários, familiares e apoiadores da vereadora balançavam bandeiras com retratos de Marielle e outras lideranças populares, enquanto outros carregavam uma imensa bandeira do Brasil onde o lema positivista "ordem e progresso" foi substituído por "índios, negros e pobres".

Entre as pessoas que empunharam bandeiras figuram o deputado federal Marcelo Freixo e o vereador Tarcísio Motta, ambos do PSOL. Mônica Benício, viúva de Marielle, também desfilou, mas apenas com uma camisa que homenageava a parlamentar.