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Carnaval

Fantasia de índio gera polêmica sobre apropriação cultural

Apesar da irreverência do Carnaval, fantasias como a de índio sempre esbarram na discussão do chamado “politicamente correto”

2 min

19/02/2020 19:34 • Atualizado há 2439 dias

Fantasia de índio gera polêmica sobre apropriação cultural

[template id="16766475" tipo="video"]O símbolo nunca mudou. Em quase 60 anos, o Cacique de Ramos sempre usou a figura do índio para se apresentar. Está no carro alegórico e nas fantasias dos componentes que desde 1961 desfilam pelas ruas do centro do Rio de Janeiro no Carnaval.

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Nesta semana, porém, o bloco virou alvo de uma polêmica que já domina a folia há alguns anos: afinal, fantasia de índio é homenagem ou apropriação cultural?

A discussão voltou à tona depois que a atriz Alessandra Negrini apareceu em um bloco em São Paulo fantasiada de índia. Em resposta às críticas, ela publicou uma nota da Associação dos Povos Indígenas do Brasil em sua defesa.

No caso do Cacique de Ramos, teve até gente nas redes sociais sugerindo cancelar o desfile do bloco. “Foi como se fosse uma punhalada no meu coração”, desabafa Bira, presidente da Cacique de Ramos. “Até então, nós só recebíamos elogio das pessoas pela nossa ideia de homenagear o índio”.

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Depois da polêmica, a procura pelas camisas do bloco Cacique de Ramos disparou. Foram vendidas cerca de 600 desde segunda-feira. E a expectativa agora dos organizadores é superar o público do Carnaval passado e reunir mais de dez mil pessoas no bloco.

Para o antropólogo Roberto da Matta, primeiro acadêmico a estudar o Carnaval, a festa permite esse tipo de desconstrução dos papeis. “A pior coisa q pode acontecer a uma cultura ou a um grupo é a incomunicabilidade, que é exatamente aquilo que o Carnaval permite que aconteça, que é uma extrema comunicação entre os vários grupos de uma sociedade. O limite é o bom senso".