Band Entretê

Pode casar duas vezes na Igreja Católica, como Alexandre Negrão? Entenda

Celebração religiosa do casal em Paris repercutiu nas redes por causa da antiga união do empresário com Marina Ruy Barbosa

Michelly Marques
MICHELLY MARQUES

12/06/2026 • 13:28 • Atualizado em 12/06/2026 • 13:52

Casamento de Alexandre Negrão em Paris levanta dúvidas entre católicos.

Casamento de Alexandre Negrão em Paris levanta dúvidas entre católicos.

Reprodução Instagram

O casamento de Alexandre Negrão e Elisa Zarzur em Paris, na França, levantou dúvidas entre católicos nas redes sociais. A repercussão começou porque o empresário já havia sido casado com Marina Ruy Barbosa, em 2017, em uma cerimônia religiosa realizada em uma capela na fazenda da família dele.

Compartilhar

Com a nova celebração, muitos internautas passaram a questionar se Alexandre poderia se casar novamente na Igreja Católica. Para entender o tema, a reportagem da Band conversou com o padre Tiago Cosmo da Silva Dias, doutor em Teologia pela PUC-SP e pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

Casamento válido na Igreja Católica

Segundo o sacerdote, para um casamento ser considerado válido na Igreja Católica, é necessário que haja a união entre dois batizados, um homem e uma mulher, ambos solteiros, diante de uma testemunha da Igreja, que pode ser um diácono ou um padre.

Nesse rito, os noivos manifestam mutuamente o consentimento matrimonial. “Eu, …, te recebo …, por meu esposo, te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”, explicou o padre, ao citar a fórmula usada na celebração.

Ele ressaltou que existem casos especiais, como quando uma das partes não é batizada ou não é cristã. Nessas situações, com as devidas licenças, o matrimônio também pode ser celebrado validamente.

Diferença entre casamento civil, religioso e bênção

O padre também explicou a diferença entre casamento civil, casamento religioso católico e uma bênção dada por um sacerdote. Segundo ele, o casamento civil funciona como uma espécie de contrato, que pode ser rompido. Já na Igreja Católica, o matrimônio é considerado uma união indissolúvel.

“A fundamentação para isso é bíblica, nas palavras do próprio Jesus: ‘O que Deus uniu o homem não separe’”, afirmou.

Por isso, segundo o sacerdote, uma pessoa que se divorcia apenas no civil não fica automaticamente livre para se casar novamente na Igreja Católica. Caso tenha se casado religiosamente, a união permanece válida para a Igreja.

“Se casou na Igreja e no civil, mesmo que se separe no civil, a união religiosa permanece. A separação no civil é apenas o rompimento de um contrato. Na Igreja isso não existe”, explicou.

Nulidade matrimonial não é divórcio católico

Nesse cenário, uma das possibilidades para que uma pessoa volte a se casar na Igreja é o reconhecimento da nulidade matrimonial. O padre explicou que a nulidade não é um “divórcio católico”, mas o reconhecimento, por parte do Tribunal Eclesiástico, de que aquele matrimônio nunca aconteceu de fato.

“A Igreja não anula o matrimônio, mas declara que ele não ocorreu por algum defeito na vivência do sacramento”, afirmou.

Segundo ele, não é possível apontar de forma genérica em quais situações a nulidade é concedida, já que cada caso é analisado pelo Tribunal Eclesiástico, com a escuta das partes envolvidas e, em alguns casos, de testemunhas.

Bênção não pode parecer casamento

Outra dúvida levantada nas redes foi se a nova cerimônia poderia ter sido apenas uma bênção, e não um casamento religioso. Sobre esse ponto, o padre afirmou que a Igreja Católica não permite que uma bênção seja feita com aparência de casamento.

Questionado se a Igreja pode conceder uma bênção a um casal quando a celebração tem elementos semelhantes aos de um casamento religioso, como vestido de noiva, convidados e cerimônia em igreja, o sacerdote foi categórico: “Não”.

Segundo ele, esse tipo de situação pode configurar um problema grave para quem celebra, chamado pela Igreja de “simulação de sacramento”. “Tudo aparenta ser, mas não é”, explicou.

Limites para bênção de casal

O padre também afirmou que, na visão da Igreja, não existe fórmula de bênção para casal fora do matrimônio. Segundo ele, as pessoas podem ser abençoadas individualmente, mas a união de um casal em situação irregular não pode ser tratada como matrimônio.

“A Igreja abençoa as pessoas com serenidade e amor, acolhe-as; mas abençoar a união seria como legitimar uma relação que diante de Deus não existe, porque não houve o matrimônio”, disse.

O caso de Alexandre Negrão

No caso de Alexandre Negrão, Marina Ruy Barbosa e Elisa Zarzur, não é possível afirmar, apenas com base nas informações públicas, qual é a situação canônica do empresário.

Entre as hipóteses levantadas estão: a possibilidade de a cerimônia anterior não ter sido reconhecida como matrimônio sacramental válido, a eventual existência de um processo de nulidade matrimonial ou a nova celebração ter tido outro formato religioso.