
Caso Eloá chocou o Brasil
Reprodução
Sônia Abrão afirmou que não se arrepende de sua polêmica atitude durante a cobertura do Caso Eloá, ocorrido em 2008. Na época, a comandante do "A Tarde é Sua", da Rede TV!, entrevistou ao vivo o sequestrador Lindemberg Alves e a própria vítima, Eloá Pimentel, enquanto o cárcere privado ainda estava em andamento em Santo André, São Paulo. A ação foi duramente criticada por autoridades por interferir nas negociações policiais.
O crime, que terminou com o assassinato de Eloá, chocou o país e abriu um profundo debate sobre os limites da imprensa. Um dos pontos mais controversos da cobertura foi, de fato, o comportamento de algumas emissoras de TV, que transmitiram ao vivo as negociações entre Lindemberg e a polícia.
A atitude de Sônia Abrão, no entanto, foi além da transmissão. A apresentadora e sua equipe estabeleceram contato telefônico direto com o sequestrador, colocando a conversa no ar para milhões de espectadores.
Durante o programa "A Tarde é Sua", Sônia Abrão conversou com Lindemberg e com Eloá, enquanto ambos estavam dentro do apartamento onde o sequestro ocorria.
Críticas e a interferência na operação
A decisão de colocar o sequestrador e a vítima ao vivo foi, na época, duramente criticada por autoridades e especialistas em segurança pública. O principal argumento era o risco de interferência direta na complexa operação policial que estava em andamento.
Especialistas apontaram que dar voz ao sequestrador em rede nacional poderia desestabilizar as negociações do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da polícia, além de inflamar o ego do criminoso e colocar as vidas das reféns em perigo ainda maior.
O caso foi considerado tão grave que o Ministério Público chegou a discutir a possibilidade de responsabilizar a Rede TV!, sob a alegação de que a entrevista poderia ter sido uma infração e colocado a operação em risco.
"Não queria que o Brasil pensasse que ele era bandido"
Anos após o desfecho trágico, em entrevista ao portal UOL em 2014, Sônia Abrão foi questionada sobre o episódio e defendeu sua conduta, afirmando não se arrepender.
"Nossa equipe estava atrás do telefone da casa da Eloá. Ligamos, e ele atendeu", explicou a apresentadora na ocasião.
Segundo Sônia, a equipe de reportagem, liderada por Luiz Guerra, conseguiu uma primeira gravação com Lindemberg, que foi exibida no programa.
A situação teria mudado quando o próprio sequestrador, que assistia ao programa de dentro do cativeiro, decidiu que queria falar ao vivo.
“O Lindemberg assistiu ao programa e, quando nossa repórter ligou novamente, disse que queria falar ao vivo porque estava preocupado — não queria que o Brasil pensasse que ele era bandido”, relatou Sônia ao UOL.
A apresentadora descreveu o momento em que foi informada sobre o contato durante o programa ao vivo.
"Eu estava apresentando o programa quando o diretor me avisou que o Lindemberg estava na linha", contou.
Sônia Abrão justificou sua decisão de prosseguir com a entrevista baseando-se em sua trajetória profissional. "Com minha experiência jornalística, conversei com ele. E falei com a Eloá também".
Ela finalizou o relato lembrando como a conversa foi encerrada. "No meio da conversa, ele cortou e desligou. Todo mundo me assistiu: a polícia, a imprensa, o público”, pontuou na entrevista de 2014.
Relembre o caso
Eloá Pimentel foi sequestrada e assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, que não aceitava o fim do relacionamento.
O crime ocorreu em Santo André, na Grande São Paulo. Lindemberg manteve Eloá e uma amiga, Nayara Rodrigues, como reféns no apartamento da vítima.
O caso se tornou o mais longo cárcere privado já registrado no estado de São Paulo, durando mais de 100 horas. O desfecho trágico, com a invasão da polícia e a morte de Eloá, foi transmitido ao vivo e chocou o Brasil.
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