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Como a "Perna Cabeluda" de O Agente Secreto levou o Recife ao Oscar 2026

Metáfora para o medo coletivo e a censura na ditadura militar, o folclore recifense ganha os holofotes internacionais através do cinema de Kleber Mendonça Filho

Da redação
DA REDAÇÃO

15/03/2026 • 20:27 • Atualizado em 15/03/2026 • 20:27

Kleber Mendonça Filho com a "Perna Cabeluda"

Kleber Mendonça Filho com a "Perna Cabeluda"

Divulgação

Uma das figuras mais curiosas de "O Agente Secreto" ganhou os holofotes em Los Angeles: a Perna Cabeluda. A lenda urbana, que aterrorizou o Recife nos anos 70, foi resgatada por Kleber Mendonça Filho como uma poderosa metáfora política. Na transmissão da Band, o repórter Jibas Manioto explorou como essa história de uma perna decepada que atacava pessoas à noite serviu, na verdade, para simbolizar o medo coletivo e a censura imposta pela ditadura militar no Brasil.

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A peça usada no filme é uma escultura de silicone com pintura artística, feita sob encomenda para o diretor. O impacto da "Perna Cabeluda" foi tão grande que o objeto chegou a ser levado para as festas oficiais em Cannes, simbolizando a irreverência e a identidade cultural do Nordeste. Historiadores e pesquisadores explicam que lendas como essa surgem de valores coletivos; no caso da perna, o aviso era claro: "não ande à noite por aí, está perigoso", uma referência direta à violência institucional do período retratado.

A reinvenção dessa lenda para o público global demonstra a habilidade de Kleber Mendonça Filho em transformar folclore regional em cinema existencialista. Ao utilizar elementos que misturam o sensacionalismo dos jornais da época com a tensão política, o diretor conseguiu criar uma marca visual inesquecível. Para o público internacional, a Perna Cabeluda deixa de ser apenas uma história de terror para se tornar um símbolo da resistência e da complexa memória histórica brasileira levada ao palco do Oscar.

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