Filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" será adaptado para o teatro musical
Produção com músicas inéditas prevê audições nacionais e tem estreia marcada para 2027

Cena do filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" de 2014
Divulgação/Lacuna Filmes
O longa-metragem “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” ganhará uma adaptação inédita para o teatro musical, sob o comando do cineasta Daniel Ribeiro e do diretor teatral Rafael Gomes. A montagem, prevista para estrear em 2027, transfere para a linguagem dos palcos a narrativa de Leonardo, um jovem com deficiência visual que descobre o amor enquanto busca autonomia.
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Para compor a equipe criativa, o diretor do filme original convidou o dramaturgo Davi Novaes, autor do roteiro do musical, e o compositor Guilherme Gila, criador das canções e letras inéditas. O projeto cumpre uma antiga vontade de levar a trama a diferentes linguagens artísticas.
“Sempre senti que o público queria saber mais sobre Leo, Gabriel e Giovana. Foi daí que surgiram os quadrinhos e, agora, o musical: uma forma de levar esses personagens para outras linguagens e para novas plateias”, afirma Daniel Ribeiro.
Trajetória dos personagens até os palcos
A história começou no curta-metragem “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, de 2010, premiado 78 vezes e exibido em cerca de 100 festivais internacionais. Quatro anos depois, o projeto se tornou um longa-metragem e somou 204 mil espectadores em território nacional, além de atrair público fora do Brasil.
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Em 2026, a história chegou às livrarias no formato de histórias em quadrinhos, com ilustrações de Bruno Freire e publicação pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras. A edição aproximou a obra de leitores que não assistiram ao filme nas telonas.
A nova produção reúne profissionais experientes nos circuitos teatral e audiovisual. Daniel Ribeiro dirigiu longas como “13 Sentimentos” (2024) e “Eu Vou Ter Saudades de Você” (2026). Rafael Gomes traz no currículo a adaptação de “Hamlet” encenada no Cine Copan (2026), “Um Bonde Chamado Desejo” (2015) e montagens musicais como “Gota D’Água [a seco]” (2016) e “Nossa História com Chico Buarque” (2024).
A dupla Davi Novaes e Guilherme Gila realizou a adaptação do musical “Dom Casmurro” (2024), premiada no Bibi Ferreira por dramaturgia, no Prêmio DID por composição e indicada pela APCA como melhor espetáculo.
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Da esquerda para direita: Guilherme Gila, Daniel Ribeiro, Rafael Gomes e Davi Novaes (Foto: Fabio Audi)
“Esse projeto nasce do afeto que muita gente tem por essa história, mas também do desejo de reinventá-la. O musical permite ampliar emoções, criar novas camadas e conversar com o público de hoje”, analisa Rafael Gomes.
Para Novaes, a produção carrega memória afetiva: “Essa história foi muito importante para mim quando eu me descobria um homem gay, na adolescência. Agora, adulto, poder revisitar esse universo e levá-lo para o teatro é uma aventura muito feliz. O primeiro amor, a amizade e a coragem são temas que atravessam gerações e seguem essenciais para uma sociedade mais diversa e igualitária.”
Gila reforça a ligação com os personagens: “Transformar essa história em letra e música é um reencontro com a minha própria adolescência. Assisti ao filme escondido em casa, quando tinha a idade dos protagonistas, e sentia o mesmo medo que eles. Hoje, ser coautor desta obra me faz redescobrir a força da juventude e devolver ao mundo um pouco de amor, afeto e coragem em forma de canção.”
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Elenco original grava vídeo promocional
Ghilherme Lobo, Tess Amorim e Fabio Audi, que viveram os protagonistas nos cinemas, reuniram-se remotamente para gravar uma amostra musical do espetáculo. Os três atores, no entanto, não integrarão o elenco dos palcos.
“Como Ghilherme e Tess moram fora do Brasil, a gravação foi toda remota: cada um gravou em casa, com o celular. Chamamos também o Fabio Audi, que toca piano, para completar o trio e matar a saudade de quem queria ver os três juntos de novo”, relata Daniel Ribeiro.
A produção abrirá testes em âmbito nacional voltados a atores com deficiência visual para selecionar o intérprete de Leonardo. Atualmente, o espetáculo avança na fase de captação de verbas e no fechamento do texto final. A realização é da Substância Filmes e Art’n Company, com coprodução da Lacuna Filmes.
